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Brasil Biolírica

A Biolírica de Joema Carvalho aflora exatamente do que é mais natural e orgânico dentro dela

Mhario Lincoln é editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetues (www.facetubes.com.br).

06/02/2025 11h18 Atualizada há 1 ano atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Joema Carvalho
Arte: Mhl/Ginai
Arte: Mhl/Ginai

Mhario Lincoln*

Toda vez que leio Joema Carvalho vem aquela sensação tão forte por causa da sua liberdade poética, com explícitos conceitos da Biolírica (termo que criei para expressar a produção poética dela).

Nesta composição, Joema Carvalho propõe uma viagem sensorial entre paisagens imaginárias, reforçadas pelas referências à natureza — água, terra, fogo, aromas e flores — que sustentam o fio condutor da “Rota da Seda”.

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Por isso a força da BioLírica de Joema. Ela sempre produz imagens orgânicas, como se o texto brotasse das substâncias naturais — o “sangue” que irriga a memória, as “raízes suspensas” fincadas na ancestralidade cultural.

Essa inserção da natureza não é meramente descritiva; ela se entrelaça à liberdade poética, apresentando símbolos de transformação (a “pirâmide”, a “caravana”, a “naja” em movimento) que ampliou a minha ideia sobre vários modos de existir e sentir.

Por isso, é muito bom ler Joema (da APB/PR), porque ela realinha a sensibilidade poética com a observação das forças da natureza, dando-lhes voz e movimento na poesia. Sua escrita se abre à liberdade formal de um verso que flui como o vento, ao passo que reaviva em minha memória, a presença essencial e transformadora do ambiente que nos cerca — o que é justamente o cerne de uma poética que se quer viva, atual e em permanente germinação.

Abaixo, a obra.

ROTA DA SEDA

um jardim caminhou
no reflexo das águas

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no cheiro das pétalas
uma sedução catalã
refletiu o som
da castanhola 

o sabor árabe
brindou o cálice
das rosas

nos quadrantes dum espaço
os elementos
compunham a magia
duma pirâmide

através do vento
percorria a caravana

no fogo simétrico
persistia o desejo
duma nação

n´água se fazia 
a dança do ventre 
nos movimentos da naja

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na terra nasciam
as gerações
no ritmo da citara

o jardim crescia 
na rota imaginada

o aroma das ervas
transcreveu uma história

irrigou o sangue
da memoria

impregnou nos genes
de quem ainda a sente
as raízes suspensas
e as notas elevadas
dum perfume

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Joema CarvalhoHá 1 ano atrásCuritibaAgradeço os comentários Jaime, Gabriel e Lillian! Fico muito feliz tê-los por aqui.
Lilian TorresHá 1 ano atrásTeresina PIParabéns Joelma. Sou uma admiradora desse teu trabalho acadêmico de altíssimo nível.
Gabriel MochillaHá 1 ano atrásCuritiba-PRNa minha opinião, considero você uma das mais difíceis poetas (difícil no sentido de conseguir misturar ciencia exata e poesia). Poucas pessoas tem essa capcadidade. E vc é uma delas. Sou teu fã. Outra coisa. Escrever nesse portal é só pra Fera e vc é Fera também.
JaimeHá 1 ano atrásBSB/DFJoema sempre com suas publicações, de alto nível cultural. PARABÉNS!!!
Joema CarvalhoHá 1 ano atrásCuritibaObrigada Lidice! Abraço!
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