
Mhario Lincoln*, jornalista e poeta e editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes.
Se já estiver em Curitiba, após uma passagem por São Paulo para tratar de assuntos pessoais, sim, direi sim, à edição do Quarta Tem Vinho, na Casa Azul de Frida que chega com a vocação de uma noite rara em Curitiba, daquelas em que o público não vai apenas assistir a uma palestra, vai atravessar um portal.
O encontro anunciado para este 4 de fevereiro, em torno da História do Cinema e dos primeiros passos da sétima arte, reúne o que há de melhor numa agenda cultural. Um motivo mais que especial: meu grande amigo Jul Leardini, é o convidado da noite para conduzir a plateia por uma narrativa que nasceu da luz projetada e acabou moldando, século após século, a nossa forma de sentir o mundo.
À frente da Casa Azul de Frida, que abriga o Instituto ICASAA, a curadora e presidente Vera Itajaí – a quem conheço e respeito. Ela, como sempre, dá o tom a um projeto que entende cultura como prática diária, como lugar de troca e como elo entre sensibilidades, numa Curitiba que continua precisando de mesas onde a conversa seja tão importante quanto a obra.
Por sua vez, Jul Leardini chega a esse encontro com a autoridade de quem construiu trajetória no cruzamento entre pensamento e cena. Formado em Filosofia pela UFPR, com ênfase em Estética e Cinema, ele reúne o rigor de quem estudou linguagem e o ouvido de quem “aprendeu a escutar imagens”, disse-me certa ocasião, o pensador (já falecido) Olinto Simões.
Claro que concordei com Simões na hora porque sei que Leardini é também um homem de bastidores e de palco, com trabalho reconhecido em projetos culturais e na criação cênica, onde direção é, antes de tudo, um modo de organizar beleza e sentido. Aliás, fui dele aluno e por ele desenvolvi grande estima profissional.
Mas, há de lembrar um ponto decisivo nessa biografia que ajuda a medir sua dimensão quando o assunto é cinema. Ao codirigir o longa “O Camelo, o Leão e a Criança”, (inclusive com imagens gravadas no interior do Maranhão), estado onde nasci, compõe uma obra que dialoga com as metamorfoses de Nietzsche e as traduz em experiência humana. Desta forma, Leardini não apenas assinou um filme, ele sustentou uma proposta estética que provoca o espectador a rever a própria trajetória, como quem se olha no espelho e encontra, de repente, uma pergunta que não sabia que carregava.
No teatro, sua assinatura ganha escala monumental. A ópera “Anjo Negro”, apresentada no Guairão, teve direção cênica sob seu comando em uma superprodução que mobilizou grandes vozes e orquestra, em temporada que marcou a cena cultural curitibana pela ambição artística e pela força do texto de Nelson Rodrigues transfigurado em música.
É dessa matéria, feita de estudo, palco, set e sala escura, que nasce o Jul Leardini palestrante. Há quem fale de cinema com boa vontade e repertório. Ele fala como quem vive cinema, como quem acorda pensando em enquadramento, ritmo, luz e silêncio, como quem reconhece que a história do cinema é também a história das nossas maneiras de amar, temer, resistir e recomeçar.
Na Casa Azul de Frida, esse encontro promete ser mais que uma aula. Deve ser celebração. Portanto, prepare-se quando ouvir, dia 4 de fevereiro às 19h:
Silêncio no SET. Ação!....
*Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes (www.facetubes.com.br).
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