
Renata Barcellos (BarcellArtes)
Este período é de retorno às aulas. Adaptação dos pequenos, apresentação de alunos maiores, reunião com os responsáveis e com os professores. Estes às voltas com planejamentos. Muitas vezes, trabalhamos com colegas descompromissados, não se interessam em realizar um planejamento integrado ou (ao menos) que todas as turmas daquela disciplina tenham uma determinada ementa a ser cumprida a cada bimestre / semestre. Pior ainda quando se lida com assédio moral e/ou sexual de gestores, colegas de trabalho ou alunos. Precisando ter aquele famoso “jogo de cintura” para preparar o terreno (espírito) por todo o ano letivo. E isso só está começando!!! Disque 100 (direitos humanos/assédio geral), o Ligue 180 (específico para mulheres), ou o Ministério Público do Trabalho (MPT) de sua região.
Mais complicado é a sociedade pensar que voltamos de uma “longa” férias desestressados... Na realidade, saímos um “caco”, temos nossos problemas particulares a lidar e resolver ao longo do ano letivo e dos dias de “descanso”. E, próximo ao retorno, para muitos (dependendo do ambiente de trabalho) já começam a passar mal. Entram em PÂNICO. Tomam medicação ou procuram um médico não para os exames de rotina mas para suportar a pressão do ano letivo. Triste realidade. O corpo docente agoniza de corpo e alma.
Após o período de planejamento, iniciamos com os alunos. Algumas turmas pela primeira vez, outras não.... Dependendo da relação professor x aluno, outro estresse se inicia. Entrarmos em uma sala de aula para construir conhecimento e não para ser ofendido, assistir a cenas de violência entre alunos ou deles para conosco. Sala de aula é para ser um ambiente harmônico, não um ringue, campo de batalha como parece em muitos caos.
Na maioria das vezes, trabalhamos em um espaço físico INADEQUADO. Sem recursos (quadro, ventilador...). Com este calor DESUMANO, como ministrar aulas sem ventilador, água...? E lembrando que, em média, são 45 alunos. Salas lotadas. Quando há disciplina que demanda uso de tecnologia, são diversos alunos por computador, notebook. Como lidar com isso e ainda ser uma aula produtiva?
Neste início de ano letivo 2026, ao leitor (professor, aluno), reflitam sobre sua realidade. Comente aqui abaixo da matéria... E aos responsáveis, tenham paciência com professores e gestores despreparados para lidar com salas superlotadas e com alunos com diversas especificidades. Para cada um, uma abordagem, diversos formulários a serem preenchidos sobre seu desempenho... Quantas horas precisam ter o dia de cada um de nós???
Muitos professores têm uma carga horária de 40 horas ou (até mesmo de 60). Como aguenta?, a garganta aguenta?... Sinceramente, não sei. Em qual momento prepara e ou corrige as atividades? Nosso salário é baixo. Por isso, muitos têm esta sobrecarga. E com isso, muitas vezes, não há tempo para a formação continuada. Mesmo com a oportunidade maior de oferta de ser online, estamos exauridos. Sem fôlego para leituras, elaboração das atividades propostas...
Lamentável cada vez mais a situação da categoria!!!
Para os professores comprometidos, entrar em sala de aula e se deparar com turma apática, desinteressada é como uma “apunhalada” mortal. Passamos o ano letivo destruídos por tentar diversos recursos e nada motivar determinados alunos e ou turmas. No caso do terceiro ano do Ensino Médio, pior ainda, porque procuramos incentivar a continuarem os estudos. Cada um na sua área de conhecimento, aborda os conteúdos mais cobrados nas avaliações externas.
No meu caso, como professora de Língua Portuguesa e de Literaturas, preparando para a tão temida produção textual (ao longo do ano, redigindo diversos possíveis temas) e orientando as leituras de obras sugeridas para realização das provas externas e, concomitante, a leitura de obras da escola literária a ser trabalhada. Urge que alunos (e também professores) leiam contos, poemas, romances... dos clássicos aos contemporâneos. Enquanto professora destas duas áreas do conhecimento, está muito difícil conscientizar os alunos da importância do domínio da Língua Portuguesa, de sermos poliglota no nosso idioma como bem disse Bechara. E de convencê-los a ler textos literários ou não. Sobretudo, devido a tanto texto midiático, a tanta poluição visual como bem disse Italo Calvino (particularmente em sua obra "As Cidades Invisíveis", 1972). Nesta, aborda não só como o excesso de placas ou outdoors, mas também uma degradação da experiência urbana, a perda da identidade dos lugares e a saturação de imagens que escondem a verdadeira essência da cidade. Ele explora a dualidade das metrópoles modernas: o lado visível, turístico e atraente versus o lado oculto, caótico e abandonado.
Caro leitor (alunos, gestores, professores, responsáveis...), sejamos solidários e resilientes. Que possamos ter um ano letivo produtivo!!! Diga sim à PAZ e NÃO à violência!!!
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Em tempo: obra em que a autora deste texto participa "DIREITO CULTURAL E CIDADANIA DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL. (Raimundo Nonato Serra Campos Filho, Renata da Silva de Barcellos)".
PALAVRAS DA PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DIRETOR DA ABRASCI
"A Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura – ABRASCI, fiel à sua missão centenária de preservar, valorizar e difundir o patrimônio intelectual do Brasil, tem a honra de apresentar ao público a obra Expoentes das Ciências Jurídicas – Homenagem da ABRASCI ao Dr. Ives Gandra Martins.
Esta publicação integra uma coleção concebida com profundo senso de responsabilidade histórica. Mais do que um livro, trata-se de um ato institucional de reconhecimento, um registro perene da contribuição de juristas que, por sua produção intelectual, compromisso ético e dedicação à causa do Direito, ajudaram a moldar o pensamento jurídico brasileiro e a fortalecer os alicerces do Estado Democrático de Direito.
Homenagear o Dr. Ives Gandra Martins é, para esta Academia, um gesto que transcende o tributo pessoal. É reconhecer uma trajetória marcada pelo rigor doutrinário, pela defesa intransigente das garantias constitucionais, pela formação de gerações de juristas e pela atuação firme e respeitada no cenário jurídico nacional e internacional. Sua obra constitui referência obrigatória para estudiosos, operadores do Direito e todos aqueles que compreendem o Direito como instrumento de justiça, equilíbrio institucional e civilização.
A ABRASCI expressa seu mais sincero agradecimento aos acadêmicos, juristas e colaboradores que contribuíram com textos, reflexões e análises para a construção desta obra coletiva. Cada capítulo aqui reunido reafirma o espírito da coleção Expoentes das Ciências Jurídicas: preservar a memória, fomentar o pensamento crítico e honrar o mérito intelectual daqueles que dedicaram suas vidas ao saber jurídico.
Registramos, igualmente, nosso reconhecimento ao Conselho Editorial da Academia, à coordenação da série e a todos os que, com zelo e compromisso acadêmico, tornaram possível a concretização deste projeto editorial, que se soma ao acervo institucional da ABRASCI como documento de valor histórico, cultural e científico.
Que esta obra sirva não apenas como fonte de consulta, mas como inspiração. Que suas páginas reforcem a convicção de que o Direito vive, evolui e se engrandece por meio daqueles que o estudam, o praticam e o defendem com coragem intelectual e responsabilidade moral.
Ao leitor, nosso convite: que encontre neste volume não apenas conhecimento, mas também o testemunho de uma vida dedicada à construção do pensamento jurídico e ao fortalecimento das instituições que sustentam a democracia."
Acad. Waldireni Morais Chelala
Presidente do Conselho Diretor da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura
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