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O livro: ferramenta que torna possível a iluminação mental

Selma Maria Muniz Marques é Convidada da Plataforma Nacional do Facetubes

12/05/2026 às 12h08 Atualizada em 12/05/2026 às 12h40
Por: Mhario Lincoln Fonte: Selma Maria Muniz Marques (sutora)
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A autora com as filhas.
A autora com as filhas.

Selma Maria Muniz Marques

Em tempos em que o livro é envolto no nevoeiro da escrita com reduzida ou inexistente profundidade de conteúdo, falar dele é como assumir a defesa de uma poderosa ferramenta com poder de ser alavanca para muito mais do que aquisição de conteúdos O livro pode ser de vários formatos, conteúdos e sustentar-se em métodos de escrita que o transforma em um portal que podem conectar os leitores, com o passado, presente e futuro. Ele pode ser fonte e eternizar momentos históricos. Reproduzir culturas e mostrar as insanidades que produziram terror e caos. Guardar um volume de conhecimento que somente ele pode possibilitar.

O verdadeiro livro resulta de alguém que definiu o propósito, que selecionou informações, as compilou, submeteu todo os conteúdos a métodos rigorosos. Necessitou para vir a ser, de uma pessoa que tomou a decisão e impulsionado pelos conhecimentos acumulados e seus sentimentos e emoções, deixasse fluir em sua estrutura mental, os conteúdos. Resulta do processo criativo pensar, sentir, envolver as emoções. Ele necessitou ser desejado, gestado, parido e criado. É uma invenção e ato humano. No mundo antigo e contemporâneo, assumiu tamanha importância que foram criadas as grandes bibliotecas em impérios e toda forma de governo. Também foram perseguidos pelos imperadores e chefes de estado porque eram bastiões do conhecimento.

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Eis o que os livros conquistaram, a criminalização porque os poderosos os tipificavam como ameaça para a ordem. Eles possibilitavam enxergar a desordem e brutalidade dos sistemas governamentais. Então passaram a serem vistos como inimigos e que tinham que ser queimados. Eram a bruxas que tinham que ser perseguidas, queimadas, exterminadas a pó. O que eles vislumbravam era o grande poder do livro, que acumulava e transferia para o presente e futuro, um passado magnífico ou podre. Mostrava a criação divina da pessoa, mas também revelava a brutalidade e mostrava a ignorância como base da iniquidade.

Uma vez me perguntaram por que lê tanto? Vai trabalhar. Isso é coisa de vagabunda. Postura construída pela prática da fogueira. Ler é coisa de quem não que somar com a construção social. Pensamento este que atravessou milênios e que fez todo um esforço de tirar o livro do seu lugar e importância. Predominou o pensamento de que a escrita e a leitura dos livros, era para os considerados intelectuais, que foram descritos como pessoas preparadas para escrever e ler. Essa visão ofuscava a função libertária que alguns livros continham em sua essência. Afinal ler favorece sorver o mundo com suas diversificadas culturas. Ler livros proporciona beber e conhecer o mundo.

O livro, que surgiu há mais de 6 mil nãos atras, foram grafados em placas de argila, cascas de arvore, pedra, madeira, barro, folhas de palmeiras, papiro, pergaminho, códices, folha de papel e hoje disponibilizados em forma digital. Serviram para guardar conhecimentos e transmiti-los para as gerações futuras. Tem incalculável valor cultural e histórico. Sem ele a humanidade não teria obtido as evoluções que foram conquistadas

Entretanto, o livro, perseguido, queimado e satanizado, resistiu e vive, até na atualidade. Agora enfrenta novos perseguidores, muito poderosos: a tecnologia informacional que faz um grande esforço para empobrecimento da arte de escrever que fazem nascer os livros. Eles são perseguidos pelo que podem trazer, elementos que favorecem a reflexão e desvendamento do mundo real, envolto nas inúmeras capas que tornam escondidas as intenções dos que manipulam a sociedade. Parece que ocorreu uma popularização do conhecimento, mas não é isso que tem ocorrido. A facilidade ofertada para o processo de produção dos livros esvazia os rigores necessários, e empobrecem os conteúdos, deixando-os rasteiros e superficiais.

A inimiga não é a cultura digital, mas o amálgama invisível que unifica essa cultura. A pressa do fazer, o erro do uso indiscriminado da IA, que usa filtro de olgorítimos, o negligenciamento do rigor na escrita de livros, a secundarização da pesquisa empírica (extraia as informações para construção dos conteúdos), dentre outros.

A redução ou perda do potencial libertário contidos nos livros pode provocar a formação de uma massa cada vez menos reflexiva, menos pensante e que vai tornar-se mais subjugada e manipulada pelos esquemas dominantes, que são antítese da autonomia,  liberdade e da emancipação humana.

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Assim como tudo que sofre controle dos núcleos de poder, os livros não fogem dessa lógica. Eles também podem ser ferramenta de subjugação, alienação e construção de ideologias que se sustentam na violência. Pois é, o livro pode ser ferramenta  de ideologias neonazista e facistas, perdendo a sua natureza emancipatória. Por isso que a forma de manter o lugar e a importância do livro, é rejeitar a sua banalização e empobrecimento de conteúdo. O livro tem que ser mantido como ferramenta de empoderamento humano. Além do mais fazer esforços para a sua popularização de modo a que mais pessoas tenham a livros físicos ou digitais.

Segundo o Instituto Orizon, 50% dos brasileiros, em escala de 1 a 5, estavam no nível 1. Nessa condição significa que são pessoas que tem dificuldades de fazer abstração, provocada pela ausência da leitura. Identificaram que os determinantes para a situação foram justificados pelo baixo acesso a livros e alto custo deles. Justificaram também que não leem porque não tem tempo e preferem ocupar o tempo com TV, internet e redes sociais. Dessa forma, bem rapidamente podemos entender o perigo de sociedades sem leitores e sem livros. Perdem a capacidade de abstração e a condição de ser sujeitos ativos, decidindo sobre o presente e futuro.

Não se pode esquecer que livros são portais. Passagens para o futuro e para a emancipação humana, essenciais para o exercício da autonomia e liberdade. Sem eles, os livros, o futuro empobrecem porque morre a construção da memória e do conhecimento críticos, capazes de possibilitar interpretações do mundo concreto acumulado no passado, aprimorado no presente e que apontará os desafios e caminhos para o futuro.

Autora: Selma Maria Muniz Marques/Convidada da Plataforma Nacional do Facetubes.

Mestra em Saúde e Ambiente. Doutora em Políticas Públicas

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Keila MartaHá 4 semanas São LuísAté porque os bons professores sempre tinham muito a oferecer. Tem professores e professores, alunos e alunos, a gente não pode por num mesmo balaio, mas talvez muita informação mastigada deixa a criançada sem saber o que extrair. Mas vou parar por aqui para não parecer elitismo. Mas a qualidade do ensinar e do aprender tem ficado muito a desejar. E não podemos por culpa na IA ela é só uma ferramenta.
Keila MartaHá 4 semanas São LuísGostei muito dessa observação "Parece que ocorreu uma popularização do conhecimento, mas não é isso que tem ocorrido". E o que ocorre hoje é que a facilidade que tem para estudar, entrar numa universidade é enorme, e numa quantidade avassaladora de informação pasa essa falsa impressão. O problema é que não basta somente estar na escola, é mais que necessário que essas crianças e jovens aprendam de verdade. Épocas passadas uma criança de quarta série era no nível de uma oitava série hoje.
Keila MartaHá 4 semanas São LuísÉ imprescindível um tema como esse que coincide com um momento que tenho refletido muito sobre cultura. E os livros bem produzidos são passaportes para quem deseja ser mini ou maximamente culto e existe quem ainda não virou essa chave para gostar de ler. Mas os livros resistem mesmo os de poesias. E o livro só é prazeroso quando ele foi ofertado com essa finalidade, proporcionar a ludicidade, a imaginação, se na primeira infância foi uma obrigação, provavelmente o gosto por ler acabou ali.
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