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Dino de Alcântara: “O BOLO ou CRIME E CASTIGO”

Convidado da Plataforma Nacional do Facetubes.

15/05/2026 às 15h42
Por: Mhario Lincoln Fonte: Dino de Alcântara
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(Original do Texto).
(Original do Texto).

Dino de Alcântara

A Professora Marta, exausta do trabalho docente, largou os livros e o notebook sobre a mesa e pediu uma narrativa sobre temas variados.

Pela cara dos alunos, a ideia foi recebida de forma péssima, mas... acabaram tendo que fazer. Ia “valer” 2 pontos na prova.

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Todos odiavam o tal do tema livre. Era a pior coisa que os professores pediam.

No entanto, um aluno, o Ricardo, com cara de insubmisso, meteu a caneta Bic sobre as linhas de uma folha do caderno de matéria e mandou brasa.

Colocou uma família de 7 pessoas, sendo o pai e a mãe e 5 filhos, sendo o mais novo apenas sobrinho do pai e “adotado” pelo casal, depois de perder a mãe para um câncer terrível. 

Após falar de cada um, trouxe à tona um episódio: um bolo feito com carinho pela mãe e posto na geladeira para a Sexta-Feira da Paixão, dia em que iam receber a avó materna, daí o cuidado da mãe, pois se fosse a avó paterna... cale-te boca.

Feito o bolo na quinta-feira, virou logo motivo de adoração. Todos ali ficaram com água na boca, inclusive o pai.

Todos foram dormir entre 23 horas e 1 hora da madrugada, já na Sexta Santa.

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Ao acordar, lá pelas oito horas, a mãe levou um susto: o bolo estava quase todo comido. Um restinho ainda estava na forma, dentro da geladeira. Ela, com raiva, pegou um pedaço e comeu. Ficou mais furiosa, ao saber que, gelado, estava muito melhor do que imaginava. 

Foi ao quarto, perguntou ao marido se ele tinha comido o bolo. Ele, rindo, disse que tinha tirado um pouquinho só, porque os pequenos, quase todos, tinham comido sozinhos. Ela disse que botaria a mão no fogo pelo mais velho, ao que o pai riu e disse que esse tinha comido o pedaço maior.

Já quase na hora da avó chegar, o “filho” caçula, que por sinal se atesta com fé que não havia provado do bolo, porque respeitava as ordens da “mãe”, foi tirar o restante do bolo e colocar num pequeno depósito e, assim, esconder dos glutões da casa, deixando ao menos um naquinho para que a visita, isto é, a sua avó experimentasse. 

Mas, ao fazer isso, a mãe, que estava à espreita, viu tudo. Cresceu pra cima do menino, de quem gostava, é certo, mas tinha por ele um amor infinitamente menor do que tinha pelos outros. Tomou-lhe o pedaço, guardou dentro da forma e voltou-se para o “ladrão”, dando-lhe dois cascudos. Os outros viram e atestaram que era ele mesmo o ladrão, que ninguém ali havia comido coisa nenhuma, que o criminoso merecia todas as bordoadas. O pai ainda tentou contornar, mas a mãe pegou uma pequena corda e desferiu-lhe umas cinco ou seis lapadas nas costas e nas pernas. Ele, segundo ela, deveria criar vergonha na cara.

O menino, chorando, ganhou o quarto.

Quanto a avó chegou, trouxe presentes para quase todos. Esqueceu, é claro, do neto ladrão..

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Ao entregar, primeiro que os outros, a sua narrativa, a professora, mesmo com muita preguiça leu... E, atordoada com o conto. Sim, era um conto, perguntou ao menino se ele tinha tirado aquilo da IA.

Ele respondeu que nem celular estava levando para a escola. Disse que havia feito de sua cabeça, tomando aqui e ali alguns posts de Instagram e conversas com o pai em casa. 

Atônita pela leitura, notou algo estranho: não tinha título.

Indagado, Ricardo pensou um pouco e mandou que ela mesma escrevesse o título.

Perguntado qual era, respondeu apenas: 

A JUSTIÇA BRASILEIRA

 

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Sobre o blog/coluna
Colunista convidado da Academia Poética Brasileira. (Professor, Escritor, Editor e Pesquisador brasileiro).
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