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Não é simples resgate, nem tentativa de afirmação. É real: movimento literário negro mudou a história do pais

Em pouco tempo, a vitalidade das matrizes africanas na literatura contemporânea brasileira tornou-se evidentemente forte, não pela individualidade. Mas pela união cada vez mais forte.

29/04/2026 às 09h23 Atualizada em 29/04/2026 às 09h24
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
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O coletivo “ Pretas com Poesia”, é um movimento forte, que ressoa no Brasil todo. (Foto: Biblioteca Pública do Paraná).
O coletivo “ Pretas com Poesia”, é um movimento forte, que ressoa no Brasil todo. (Foto: Biblioteca Pública do Paraná).

Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

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A presença crescente de obras e espaços dedicados às matrizes africanas tem redesenhado parte importante da cena literária brasileira. O movimento não nasce do acaso: ele se apoia em pesquisas, tradições e práticas que atravessam séculos e que, apesar das tentativas de apagamento, seguem vivas no cotidiano de comunidades afrodescendentes. Entre as contribuições recentes que ajudam a iluminar esse percurso está "Filosofias Africanas", de Nei Lopes e Luiz Antonio Simas. 

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O livro propõe uma leitura direta e fundamentada sobre estruturas de pensamento que antecedem o colonialismo europeu e que continuam influenciando modos de viver, ensinar e interpretar o mundo no Brasil e nas Américas. Os autores desmontam a ideia de que a Europa seria a única referência possível para a produção intelectual e lembram que o epistemicídio — a desqualificação de saberes, tecnologias e cosmologias africanas — ainda repercute na forma como a sociedade valoriza ou ignora determinados bens simbólicos.

 

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Os trechos analisados reforçam esse ponto. Eles mostram como o colonialismo atuou não apenas sobre corpos, mas também sobre práticas culturais, rituais, culinárias, danças e visões de mundo, classificando-as como inferiores ou atrasadas. A crítica a essa lógica não é feita em tom de confronto, mas como convite à revisão histórica: reconhecer que existe um pensamento africano estruturado, coerente e sofisticado é também reconhecer que parte da cultura brasileira se sustenta sobre essas bases, mesmo quando isso não é explicitado.

Maura Luza & obra.

No Maranhão, por exemplo, quem ainda tratava poesia afro-brasileira como “tema” e não como espinha dorsal do país, deve ter mudado de opinião quando leu “Afrodescendência em Mim”, de Maura Luza Frazão.  Isso porque a autora escreve sobre esse discutido e polêmico tema com muita nitidez. E não pede licença “pra seu ninga”.

Nas páginas de seu mais recente livro-mãe, lançado em São Luís-MA recentemente, fica explícita que a sua identidade pulsa por todos os poros, levando a crer na ideia do mesmo “pulsar” dos signos fortes, em rituais africanos, ainda vivos e atravessando séculos. Como disse o editor-sênior da PNFT, jornalista e crítico Mhario Lincoln, sobre o livro de Maura: "cada verso que li nessa obra, me traz a palavra imensurável, não, como ornamento. Mas, para virar presença, corpo, memória e gesto de ser negro e porque ser negro."

 

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"Filosofias Africanas". Bom livro.

Aliás, esse movimento de retomada e valorização encontra ressonância em iniciativas contemporâneas que ampliam a circulação de vozes negras na literatura. O lançamento da coletânea Pretas com Poesia – Vol. 2 é um exemplo claro. Reunindo 40 autoras, o livro tem provocado debates sobre identidade, ancestralidade e escrevivência, além de estimular encontros, leituras públicas e ações formativas. A obra demonstra que há um público atento e interessado em narrativas que escapam dos modelos tradicionais e que refletem a pluralidade do país.

Na mesma direção, a Casa Poéticas Negras, instalada na Festa Literária Internacional de Paraty, tornou-se um dos espaços mais movimentados do evento. A programação reúne saraus, oficinas, conversas e lançamentos que destacam a produção literária negra e LGBTQIAPN+. O espaço funciona como ponto de encontro e de circulação de ideias, fortalecendo redes e ampliando o alcance de autoras e autores que, muitas vezes, encontram na coletividade um caminho para romper barreiras históricas.

A soma desses movimentos — o resgate das filosofias africanas, a publicação de coletâneas que reúnem novas vozes e a criação de espaços dedicados à diversidade literária — revela um cenário em transformação. Não se trata de tendência passageira, mas de um processo contínuo de reconhecimento e reconstrução. A literatura brasileira, ao abrir espaço para essas narrativas, amplia seu repertório e se aproxima mais da complexidade do país que retrata.

Axé, eparrei!

 

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Maura Luza Frazão Há 2 meses São Luís - MAQuerido amigo Mhário Lincoln, Minha eterna gratidão por você mais uma vez, lançar o teu olhar arguto para o meu Afrodescendência em mim. Sempre que leio tuas considerações, entendo cada vez mais a minha missão enquanto enquanto Mulher, professora, escritora, Mulher preta, com propósito e projeto de vida coletiva. Agradeço também às maravilhosas mulheres que têm acreditado em mim, seguindo ao meu lado nessa caminhada de coragem e resistência. Nesse sentido, seguir juntas, é aquilombar-se.
Keila MartaHá 2 meses São LuísE que as novas gerações cresçam conscientes que não é legal, proveitoso dividir ou qualificar levando em consideração cor ou o aspecto do cabelo, que as novas crianças não olhe mais torto para um negro porque o pai ou a mãe ensinou que não pode se aproximar. Que superemos essa estigmatização de cultura inferior ou superior, afinal de contas a cultura brasileira sobretudo a música se deve muito aos terreiros e rodas de samba. Sem falar nas histórias, nas lendas, no sincretismo, a diversidade.
Keila MartaHá 2 meses São LuísAcho que é importante essas reflexões sobre a literatura afro seja ela brasileira, norte-americana, observando por um prisma internacional, até porque até que se supere muito dos problemas históricos e vividos nessa pós contemporâneidade o negro aqui ainda tem que se autoafirmar como pertencente a um povo que tem cultura e identidade próprias, gostos e que ninguém vai interferir sobre os espaços que ele circula, e sobre o seu corpo. E possa ocupar um lugar de merecimento por suas lutas, estudos.
Joizacawpy Há 2 meses São Luís A literatura e o tema da Afrodescendência são necessários para que a sociedade entenda de uma vez que somos iguais em capacidade e por tanto deve-se sim ter as mesmas oportunidades. Afrodescendência em mim de Maura Luza, com certeza é um marco histórico e positivo na nossa literatura maranhense.
Maria Isabela ReisHá 2 meses Maranhão Estou impactada!
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