
NE: esta matéria é para homenagear o Dia Nacional do Teatro de Bonecos. Mesmo que seja celebrada anualmente em 27 de abril. A data foi instituída em homenagem à criação da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB), fundada em 27 de abril de 1999 e, no Maranhão, uma das mais dinâmicas representantes desse movimento é Joana Bittencourt, seguindo o legado do irmão Beto Bittencourt.
Por Orquídea Santos, editora da Plataforma Nacional do Facetubes
A conversa entre Mhario Lincoln e Joana Bittencourt se desenrola como quem abre uma janela antiga e deixa entrar um vento que conhece histórias demais para ser ignorado. Joana fala da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt com a naturalidade de quem carrega, no próprio gesto, a memória que tenta preservar. Há algo de íntimo na forma como ela descreve o trabalho da instituição, como se cada projeto fosse também uma forma de manter acesa a chama de alguém que ainda habita os corredores da cultura local.
Ao narrar o legado de Beto Bittencourt, Joana não recorre à grandiloquência. Prefere a precisão dos afetos, a lembrança dos encontros, a força de uma presença que, mesmo ausente, continua convocando artistas, estudantes e curiosos. A sociedade que leva seu nome não é um monumento estático, mas um organismo vivo, inquieto, que pulsa ao ritmo das necessidades da comunidade que o cerca.
Há, na fala de Joana, uma compreensão rara do papel da arte como território de pertencimento. Ela descreve oficinas, ações e projetos como quem descreve sementes lançadas ao solo fértil da memória coletiva. Cada iniciativa parece nascer do desejo de que ninguém caminhe sozinho, de que a cultura seja abrigo e também impulso, lugar de retorno e de partida.
A entrevista revela uma dirigente que não se esconde atrás de formalidades. Joana se coloca como guardiã e continuadora, consciente de que o nome que carrega exige cuidado, mas também coragem. Sua voz, firme e serena, deixa claro que a instituição não vive de saudade: vive de movimento, de reinvenção, de uma persistência que desafia o esquecimento.
O vídeo, ao registrar essa conversa, captura mais do que depoimentos. Captura um modo de existir em que a arte não é ornamento, mas fundamento. A Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt aparece, assim, como uma casa que se expande para além das paredes, alcançando quem precisa de um espaço para criar, lembrar e se reconhecer.
Ao final, fica a sensação de que a entrevista não termina quando o vídeo acaba. Ela continua reverberando, como um convite silencioso para que cada um encontre, na própria história, o fio que o liga à cultura que o cerca. É esse fio que Joana segura com firmeza — e que, graças a ela, não se rompe.
VÍDEO-BÔNUS
(Histórica entrevista com Joana Bittencourt, em S. Luís-Ma, sede da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt)
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