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Livro de Deuzenir Szekeresh conta tragédia com a lancha “Proteção de São José”

Nos 60 anos desse acontecimento catastrófico em águas maranhenses, a autora revela detalhes, no livro, que impressionam.

29/04/2026 às 09h12 Atualizada em 29/04/2026 às 09h22
Por: Mhario Lincoln Fonte: Deuzenir Szekeresh/“1965 - Pra toda Vida”
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Arte: MHL/Ginai c/foto da 4a capa do livro.
Arte: MHL/Ginai c/foto da 4a capa do livro.

Editoria de Literatura e Artes da Plataforma Nacional do Facetubes.

Nota do editor: ”(...) com grata honra recebi na semana passada um dos livros investigativos muito interessantes, produzidos no Maranhão, sob o lume da escritora Deuzenir Szekeresh. Trata-se de 1965 -Pra toda Vida- uma obra fundamental para os anais (infelizmente trágicos) da história nacional. O livro me foi enviado pelo vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira, professor dr. Edomir Martins de Oliveira, cujas raízes familiares também estão ligadas ao município maranhense de São João Batista-MA”. Mhario Lincoln, editor-sênior da Plataforma Nacional do Facetubes.

 Na verdade, no Maranhão, certas tragédias marítimas não envelhecem. Elas apenas mudam de lugar dentro da memória coletiva. O naufrágio da lancha Proteção de São José, ocorrido em 27 de outubro de 1965, continua entre esses acontecimentos que o tempo não dissolveu, sobretudo no município de São João Batista-MA, onde a data permaneceu como marca pública de luto e lembrança, reconhecida até hoje como a maior tragédia marítima do estado.

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Jornais da Época.

É nesse terreno de dor persistente que se inscreve 1965 Pra Toda Vida, de Deuzenir Szekeresh. Fica claro que o livro não nasce de uma curiosidade retrospectiva, mas de uma obrigação íntima de memória. A autora que perdeu o pai e o irmão de apenas sete anos no naufrágio, transforma essa ferida em pesquisa, escuta e reconstrução onde ouviu outras dores, outras famílias feridas, outros olhares.

Isso imediatamente remete a um caso parecido. Pilar Vera Palmés, na Espanha. Ela perdeu uma sobrinha no desastre do voo Spanair JK5022, em 2008, e transformou o luto em articulação públicam gerando força e apoio a familiares e sobreviventes de acidentes aéreos para defender apoio digno às vítimas e pressionar por mudanças permanentes na segurança da aviação.No caso de 1965, a obra ganha também ares coletivos pois reúne entrevistas, depoimentos e registros históricos, todos gerados por um imenso abalo público.

 

Ao ler esse trabalho o leitor tem contato direto com a verdade histórica. A lancha saiu de São João Batista com destino a São Luís, superlotada, levando cerca de 130 pessoas, além de carga e animais. Nas proximidades de Tauá Redondo, perto do Itaqui, colidiu com uma croa e se partiu rapidamente. Há divergência memorial sobre o número exato dos mortos, o que é comum em tragédias antigas e mal documentadas, mas não há divergência sobre o essencial: o socorro foi tardio, os recursos eram escassos e famílias inteiras foram atingidas de uma só vez.

Relevância: detalhes da tragédia

No fundo, a relevância do trabalho de Deuzenir é simplesmente extraordinária pelos detalhes da tragédia. Mas, há um fato também relevante que está nas entrelinhas dessa obra: a dimensão espiritual. É essa que dá ao livro um peso particular. Deuzenir afirma que o mar é criação de Deus, mas também é traiçoeiro, porque lhe levou o pai e o irmão. Essa formulação, no entretanto, não faz com que a autora rompa seus laços religiosos com a religião que comunga. Pelo contrário, a expõe no ponto mais difícil, quando a crença já não se apoia no conforto, mas na ferida.

É aí que o livro se aproxima da intocável fé de Jó. Não de um Jó decorativo, usado como frase pronta sobre paciência, mas do homem bíblico que perde tudo, interroga o sofrimento e permanece diante de Deus sem transformar a dor em negação automática da fé. A tradição cristã lê o livro de Jó justamente como um enfrentamento radical do sofrimento humano, não como um manual de resignação simplista.

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Foto do livro.

A autora com José Sarney (com quem conversou sbre a tragédia) e com Sergio Chaves Fº. (Filho do dono da embarcação acidentada).

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Por isso, quando parentes e amigos cristãos mantêm viva essa história, o que se vê não é apenas saudade. Vê-se testemunho. A memória deixa de ser mero apego ao passado e passa a ser uma forma de permanência moral dos que ficaram. Essa chave é profundamente próxima da experiência de Jó e também da leitura cristã contemporânea do sofrimento, que rejeita a ideia de castigo automático e insiste em ver, no meio da dor, a dignidade da fé, da solidariedade e da perseverança.

É por isso que 1965 Pra Toda Vida merece ser lido com atenção. Não apenas porque resgata um episódio central da história marítima maranhense, mas porque o faz com coragem emotiva e senso de responsabilidade. Deuzenir Szekeresh volta ao ponto do trauma, participa da pesquisa, recolhe vozes, acolhe a gentileza de parentes que aceitaram reabrir lembranças difíceis e entrega ao Maranhão um livro que não procura espetáculo, procura verdade. Tanto que, o prefácio de Flávio Braga já aponta esse valor ao destacar o peso histórico e emocional da obra. No conjunto, o livro consegue o que raramente quer alcançar e transforma luto familiar em patrimônio de memória coletiva.

 

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Keila MartaHá 2 meses São LuísA escrita como memória é importantíssima, é preservar a relevância das pessoas que foram perdidas e ajudar na compreensão histórica de um lugar em determinado contexto.
EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRAHá 2 meses São LuísO livro é extraordinário e tão bem resenhado que só mesmo Mhario Lincoln um jornalista investigativo de primeira linha sabe fazer transformando matéria de tanta tristeza em obra prima a ser apreciada, por passar para os anais da história. Parabéns Deuzenir. Parabéns Mhario Lincoln, presidente da APB.
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