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MULHER BABAÇU QUER SABER: Por que o Delator da Inconfidência mineira foi tratado como herói no Maranhão?

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06/12/2020 16h47 Atualizada há 3 meses
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Mulher Babaçu
Mulher Babaçu
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Delator de Tiradentes teria fugido para São Luís e vivido seus últimos anos na ilha

Em 17 de fevereiro de 2019 foi o bicentenário da morte de Joaquim Silvério dos Reis, o ‘traidor’ da Inconfidência Mineira. Segundo historiadores, o anti-herói veio morar na capital maranhense para fugir de escândalo. Quem passa atualmente pelo Centro Histórico nem imagina que a antiga ‘Praça da Criança’, hoje ‘Praça do Reggae’, na verdade, foi a primeira morada de Joaquim Silvério dos Reis, o delator de Tiradentes.

Nesse mesmo 17 de fevereiro, tinha conversado com historiador e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), Euges Lima, que nos apontou os fatos que comprovam a data da verdadeira morte do Coronel de Milícias, e de como a história, dele, assim como o próprio, é cheia de polêmicas e controvérsias.

Existe uma contradição quanto à data real da morte de Joaquim Silvério dos Reis. E este é só um dos pontos em que muitos textos biográficos diferem. Porém, o assento de óbito do mesmo encontra-se no Arquivo Público do Estado do Maranhão. “No referido Assento, está registrado que o Coronel de Milícias Joaquim Silvério dos Reis Montenegro, natural da freguesia da Sé da Cidade de Leiria, Patriarcado de Lisboa, faleceu no dia 17 de fevereiro de 1819, em São Luís, e que foi sepultado na Igreja de São João Batista”, diz o historiador Euges Lima. 

Joaquim Silvério dos Reis, o delator da Inconfidência.

O documento foi lavrado pela Catedral da Sé de São Luís. Porém, o túmulo de Silvério dos Reis que durante muito tempo foi identificado por uma lápide na Igreja de São João, localizada no Centro, devido a sucessivas reformas, acabou desaparecendo.

Segundo o pároco da Igreja de São João, padre Heitor Costa Moraes, os restos mortais dele podem ter sido retirados e enterrados em uma cova coletiva em que não houve identificação, mas também não se sabe onde. O Padre João Rezende, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Vila São Luís, confirma a informação da retirada do túmulo, mas acrescenta que os restos podem ter sido enterrados em ossário comum embaixo do piso da própria igreja, ou no Cemitério do Gavião. Esse mistério permanece. “O fato é que com as reformas ocorridas no Templo em décadas passadas que não observaram a importância histórica desses sepultamentos, o túmulo acabou desaparecendo, sem deixar vestígios e não sabemos atualmente o paradeiro dos seus remanescentes mortais”, aponta Euges Lima.

Silvério dos Reis ficou para a história do Brasil como: o delator, o anti-herói, uma persona non grata, sinônimo de traição, o algoz de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier, 12 de novembro de 1746/21 de abril de 1792), o mártir da Inconfidência Mineira. Mas, segundo Euges, também é um personagem histórico pouco estudado, carente de biografias e esclarecimentos sobre passagens de sua vida e atuação na Inconfidência Mineira. “Historicamente falando, neste ano de 2019, um bicentenário, pois como foi dito, esse personagem controverso da história do Brasil, teve sua importância também para história do Maranhão. É uma temática ainda tão cheia de sombras e poucas informações, enfim, uma oportunidade de se promover pesquisas que possam aprofundar, esclarecer e divulgar mais sobre sua existência e trajetória em São Luís e no Maranhão, entre 1809 a 1819”, espera Euges que continua em seu afã de pesquisar tudo que se refere a Silveira dos Reis em sua estada e morte no Maranhão.

 

Primeira casa de Silvério dos Reis.

Lugar da primeira casa de Joaquim Silvério dos Reis, que hoje é a Praça do Reggae, em São Luís. Foto: Euges Lima

Euges Lima aponta, ainda,  que não há dúvidas quanto a permanência e residência de Joaquim Silvério dos Reis em São Luís durante os últimos dez anos de sua vida, entre 1809 e 1819, quando faleceu. “Provavelmente, retornou ao Brasil com a vinda da Família Real em 1808, vindo para o Maranhão no ano seguinte, pois, devido sua “delação premiada” ao movimento da Conjuração Mineira, ficou sem ambiente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, nesse sentido, se deslocou para o norte, o Maranhão, região distante de onde ocorreram esses acontecimentos e que tinha uma grande colônia portuguesa que o acolheu. Em "Joaquim Silvério dos Reis: Honra e Prestígio no Maranhão" (1989), Manuel de Jesus Martins quis provocar uma indagação: ele foi delator pra quem?

 Professor assistente do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão, Manoel de Jesus Martins dis­se que “Silvério dos Reis veio para o Maranhão em 1809 porque aqui era outra unidade portuguesa, que nada tinha a ver com o Brasil. A vinda dele para cá foi estratégia no sentido de tirá-lo do foco”.

Já em São Luís, Sil­vé­rio dos Reis te­ve uma vi­da de re­ga­li­as, afi­nal, era mais uma au­to­ri­da­de por­tu­gue­sa. “Sua im­por­tân­cia na his­tó­ria do Ma­ra­nhão se dá, na ver­da­de, por con­ta de ter se tor­nan­do um per­so­na­gem his­tó­ri­co cé­le­bre e que pas­sou o res­to de sua vi­da aqui em São Luís. Sil­vé­rio dos Reis foi Co­ro­nel de Mi­lí­ci­as, agra­ci­a­do com o há­bi­to de ca­va­lei­ro da Or­dem de Cris­to, o tí­tu­lo de fi­dal­go da Ca­sa Re­al e vi­veu em São Luís co­mo mem­bro da eli­te por­tu­gue­sa lo­cal”, con­ta Eu­ges Li­ma.

Con­for­me re­ve­la o his­to­ri­a­dor, es­tão re­gis­tra­dos em As­sen­tos de Ba­tis­mos que Sil­vé­rio dos Reis te­ve dois fi­lhos em São Luís com sua es­po­sa D. Bernardina Qui­té­ria dos Reis, o Luiz, nas­ci­do em 1811 e o Jo­sé, nas­ci­do em 1815, es­te, te­ve co­mo pa­dri­nho o Dou­tor Fí­si­co-Mor Antô­nio Jo­sé da Sil­va Pe­rei­ra e ma­dri­nha, D. Vi­cên­cia Ro­sa, ca­sa­da com o Te­nen­te Co­ro­nel de Mi­lí­ci­as Isi­do­ro Ro­dri­gues Pe­rei­ra, in­flu­en­te e ri­co co­mer­ci­an­te, político que de­pois de viú­vo, iria ca­sar-se com Ana Jan­sen. “Ao se mu­dar pa­ra o Ma­ra­nhão, Sil­vé­rio do Reis, pas­sou a as­si­nar, acres­cen­tan­do Mon­te­ne­gro ao seu no­me que era um dos so­bre­no­mes de seu pai, mas que até en­tão não usa­va.  Já no Ma­ra­nhão, Sil­vé­rio dos Reis, em re­que­ri­men­to, en­ca­mi­nha­do a D. João VI, en­tão Prín­ci­pe Re­gen­te, ex­põe seus pro­ble­mas de saú­de e ve­lhi­ce e a con­di­ção de ha­bi­tan­te em ter­ra es­tra­nha e sem bens, ale­gan­do que não te­ria mais mui­tos anos de vi­da, so­li­ci­ta en­tão a sua Ma­jes­ta­de que após sua mor­te, man­te­nha pa­ra sua mu­lher e fi­lhos, a pen­são anu­al de 400 mil réis que re­ce­bia do Te­sou­ro do Ma­ra­nhão, pe­di­do re­cu­sa­do pe­lo Prín­ci­pe de pró­prio pu­nho”, re­la­ta Eu­ges Li­ma.

Obtuário.

A pri­mei­ra re­si­dên­cia de Sil­vé­rio dos Reis foi em uma edi­fi­ca­ção na Rua da Es­tre­la, es­qui­na com Rua de Na­za­ré, on­de ho­je é a Pra­ça do Reg­gae. As ruí­nas da re­si­dên­cia, que na dé­ca­da de 1980 fun­ci­o­na­va co­mo um bar, fo­ram des­truí­das com a re­vi­ta­li­za­ção da Praia Gran­de (o pro­je­to Re­vi­ver).

A se­gun­da e úl­ti­ma re­si­dên­cia de­le foi um so­bra­do que fi­ca em fren­te à atu­al Pra­ça do Reg­gae, na Rua de Na­za­ré, es­qui­na com a Rua da Es­tre­la, nú­me­ro 170. O re­gis­tro fo­to­grá­fi­co é do acer­vo do pes­qui­sa­dor e his­to­ri­a­dor Antô­nio Gui­ma­rães de Oli­vei­ra e cons­ta no li­vro de sua au­to­ria Be­cos & Te­lha­dos. No lo­cal fun­ci­o­nou vá­ri­os ne­gó­ci­os, sen­do o úl­ti­mo uma pou­sa­da e res­tau­ran­te.

 

Obituário de Silvério dos Reis em São Luís. Foto: Euges Lima. Joaquim morreu em 1819, como consta no obituário

(Agradeço a minha amiga Patrícia Cunha do jornal “O Imparcial” e nosso historiador Euges Lima).

Agora vocês vão me ouvir. Marrapá ouvir dizer também que esse traidor aqui em São Luís tinha a maior mordomia. Mandava e desmandava como um chefe de estado. Viveu como membro da Elite Portuguesa local, como comandante do Regime de Milícias. É muita mordomia seus historiadores. Pra mim a primeiro DELAÇÃO PREMIADA não foi não???Morreu Fofão.

 

Bloco de cimento não vai resistir.

O POVO ESTÁ DE OLHO

Uma árvore a mais ou menos uns 4 meses atrás não resistiu à ação do tempo e falta de manutenção e caiu na grade de ferro da Biblioteca Benedito Leite, no centro da cidade e somente a pouco tempo a Prefeitura tomou providência para   cortar pois estava atrapalhando os pedestres na calçada da Biblioteca/Praça Deodoro.

Gostaria de saber porque a prefeitura não levou o tronco da árvore que caiu no pátio da Biblioteca e até o momento não consertou a grade nem o muro que está sendo seguro por arames. Cuidado Prefeitura o Bloco de cimento que sustenta a grade está um perigo para os pedestres.

Hen-nhen pequenos eu que não passo ali nunquinha naquela calçada.

 

Praça da Misericórdia.

PARABÉNS À PREFEITURA. ATÉ QUANDO?

Parabéns Prefeitura.  Espero que a mesma não esqueça da manutenção e de guardar o patrimônio. Depois de inaugurada larga sua obrigação. Reinauguração da Praça da Misericórdia. São Luís - Maranhão - Brasil. Espero que pelo menos passem a vassoura uma vez por semana. Foto Carlos Maranhão.

 

Arrancaram azuleijos.

CADÊ A PLACA?

Até o momento a placa do Othelino Alves não voltou e aí Iphan vai voltar ou não?  E o azulejo que foi arrancando do edifício, considerado o de maior fachada de azulejaria da América do Sul, vai ficar assim?? Absurdo porque não colocaram a placa sem quebrar o azulejo?

PREMONIÇÃO

Depois dizem que a Mulher Babaçu fala demais e ainda dizem que é vidente. O que falei para você: que nem adiantava brigar com o primeiro edital do Festival Canta São Luís, porque o edital era só para música Gospel e Religiosa. Adiantou mudar?? Me diz ai quem foi o vencedor ???...A pessoa que cantou música Gospel!!! Depois dizem que tenho a língua grande. Liga não! Deveria se chamar era "The Voice São Luís".

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