Quinta, 25 de Junho de 2026 15:06
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Brasil MEDIUNIDADE

Estudo brasileiro aproxima genética, espiritualidade e ciência em investigação sobre “Médiuns”

Com esse estudo já se vê uma mudança de postura no diálogo entre ciência e espiritualidade. Durante muito tempo, fenômenos mediúnicos foram tratados apenas como crença, fraude ou sintoma.

25/06/2026 10h57
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes.
arte/mhl/ginaiFR
arte/mhl/ginaiFR

Editoria-Geral da Plataforma Nacional do Facetubes.

A relação entre mediunidade, cérebro e experiência espiritual voltou ao centro do debate público a partir de um estudo brasileiro que investigou possíveis alterações genéticas em pessoas reconhecidas como médiuns por suas comunidades religiosas. A pesquisa, coordenada por pesquisadores ligados ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, analisou o material genético de 54 médiuns e comparou os resultados com amostras de parentes de primeiro grau que não apresentavam a mesma vivência mediúnica.

A partir desse ambiente, a reportagem levanta uma pergunta que acompanha a história da espiritualidade e da ciência: a mediunidade deve ser compreendida apenas como dom, expressão religiosa, experiência subjetiva ou também como fenômeno passível de investigação biológica?

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Segundo os dados apresentados, os pesquisadores mapearam milhares de variantes genéticas presentes nos médiuns avaliados. Entre elas, 33 apareceram em pelo menos um terço dos participantes do grupo mediúnico e não foram encontradas nos parentes analisados. Parte desses genes está associada a funções do sistema imune e inflamatório. Um dos achados chamou atenção por sua relação com a glândula pineal, estrutura cerebral frequentemente citada em tradições filosóficas, espirituais e médicas quando se discute a ligação entre corpo, mente e consciência.

A pesquisa selecionou médiuns com mais de dez anos de atuação, sem remuneração pela prática, reconhecidos nos grupos em que atuam e ligados principalmente ao espiritismo e à umbanda. A escolha de parentes como grupo de comparação buscou reduzir diferenças sociais, culturais e genéticas que poderiam interferir nos resultados. Ainda assim, os próprios pesquisadores tratam os dados com prudência. O estudo não afirma ter encontrado uma “prova genética” da mediunidade, mas o que ficou claro foi a existeência dos chamados genes candidatos, que poderão orientar novas investigações sobre experiências espirituais recorrentes.

O interesse científico do trabalho está menos na tentativa de encerrar uma questão religiosa e mais na abertura de um campo de pesquisa. A mediunidade, nesse contexto, é definida como uma experiência em que a pessoa relata contato, influência ou comunicação com seres espirituais ou pessoas falecidas. Para os pesquisadores, vivências desse tipo aparecem em diferentes culturas, épocas e religiões, o que torna legítima sua observação acadêmica, especialmente nas áreas de saúde mental, neurociência, genética e estudos da consciência.

A reportagem também registra uma mudança de postura no diálogo entre ciência e espiritualidade. Durante muito tempo, fenômenos mediúnicos foram tratados apenas como crença, fraude ou sintoma. A literatura científica mais recente tem buscado separar experiências espirituais não patológicas de quadros clínicos que exigem diagnóstico e tratamento. Essa distinção não transforma religião em laboratório, nem laboratório em religião. Ela apenas reconhece que a experiência humana é ampla o suficiente para ser estudada sem preconceito e sem conclusões apressadas.

O estudo brasileiro ainda precisa ser replicado com amostras maiores, grupos diversos e controle metodológico rigoroso. Sua contribuição está em colocar a mediunidade dentro de uma pauta científica possível, com limites claros e perguntas abertas. Entre a fé dos centros espirituais e os dados da genética, surge um território de investigação que não elimina a dimensão religiosa, nem dispensa o método científico. O que se tem, por ora, é um começo: a tentativa de compreender por quais caminhos biológicos algumas pessoas relatam uma percepção espiritual mais frequente e mais intensa do que outras.

 

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