Editoria de Literatura e Arte da Plataforma Nacional do Facetubes
A edição tem como autora homenageada a poeta Orides Fontela, cuja obra breve, densa e filosófica recoloca a palavra poética no centro da programação. A FLIP informou que esta edição reúne 21 mesas no Programa Principal, além de programações como Flipinha, FlipZona e FlipEduca, voltadas à formação de leitores e ao diálogo com crianças, jovens, educadores e comunidades.
Fala (Do livro Transposição)
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
(....)
Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Orides Fontela).
A principal atração literária da festa é justamente a presença de Orides como eixo intelectual do evento. Sua poesia, marcada pela concisão, pelo rigor e por uma espécie de silêncio reflexivo, desloca a FLIP do espetáculo para a escuta. Em torno dela, a programação amplia o debate sobre autoria feminina, poesia brasileira, memória literária e permanência da palavra em um tempo dominado pela pressa digital.
A Agência Brasil destacou que a literatura brasileira de autoria feminina ocupa lugar expressivo na programação, com nomes como Andrea del Fuego, Paulliny Tort, Bethânia Pires Amaro, Mateus Baldi e Paloma Vidal. Esse destaque reforça uma tendência contemporânea das grandes festas literárias: não apenas celebrar autores consagrados, mas também reposicionar vozes, revisar ausências e ampliar o debate público sobre quem escreve, quem é lido e quem ocupa os espaços de prestígio no país.
Nesse cenário, ganha relevância a participação do Grupo Associado de Escritores Brasileiros (GAEB), com estande previsto para as tardes dos dias 25 e 26 de julho. A proposta é apresentar obras, promover troca direta entre autores e leitores e celebrar a força da literatura afro-brasileira. A chamada do grupo resume o espírito da presença em Paraty: ocupar o espaço com histórias que transformam, levando ao circuito da FLIP uma literatura fundada em memória, ancestralidade, identidade e afirmação cultural.
A presença do GAEB acrescenta ao evento uma dimensão social decisiva. A literatura afro-brasileira não entra em Paraty apenas como tema; entra como autoria, corpo, voz, livro e permanência. Em uma festa literária que discute memória e formação de leitores, a ocupação de um estande por escritores associados amplia o sentido democrático da FLIP, aproximando produção independente, militância cultural e circulação editorial.
A FLIP também se expande para além do programa principal. A agenda Flip+ prevê, entre 23 e 26 de julho, mesas literárias, lançamentos, conversas sobre produções contemporâneas e atividades voltadas a diferentes públicos, reforçando o caráter plural da festa. A organização informa ainda a continuidade de ações de transporte gratuito para moradores de comunidades do entorno de Paraty, ampliando o acesso ao evento e fortalecendo sua relação com o território.
Mais do que um encontro de escritores, a FLIP 2026 aparece como espaço de disputa simbólica pela literatura brasileira. De um lado, consagra a poesia exigente de Orides Fontela; de outro, abre caminhos para coletivos, editoras, autores independentes e vozes historicamente menos visíveis. Paraty, nesse contexto, não é apenas cenário: é palco de uma literatura que se recusa a permanecer restrita aos salões e reivindica presença pública.
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