Quarta, 26 de Agosto de 2026 12:07
(xx) xxxxx-xxxx
Brasil MUSICA É VIDA

Chiquinho França leva “Fissura” a Brasília, no Clube do Choro, território de encontro da música brasileira

“Chiquinho França — Fissura — convida Manassés de Sousa e Carlos Pial” será realizado na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, às 20h30, no Clube do Choro de Brasília.

26/08/2026 10h25
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Música da Plataforma Nacional do Facetubes
(Card do Show)
(Card do Show)

Editoria de Música da Plataforma Nacional do Facetubes — Pesquisa e Cultura c/Mhario Lincoln

Ao lado de grandes nomes da música brasileira, Manassés de Sousa e Carlos Pial, o músico maranhense Chiquinho França apresenta em 23 de outubro um espetáculo que faz uma superamostra de rock, blues, choro, frevo e baião, usando suas técnicas de guitarra e bandolim. Ela leva a Brasília o show “Fissura” (nome de sua música mais tocada no nívem internacional, tendo, inclusivem servido de 'BG' para inúmeros programas da Rede Globo de Televisão. Portanto, mais que um concerto, ele recupera uma obra emblemática de sua trajetória e a recoloca diante de algumas das melhores experiências instrumentais brasileiras.


Desta forma, “Fissura”, será um dos grandes espetáculos que esse palco famoso no Brasil,  receberá através de Chiquinho França, marcado para 23 de outubro, às 20h30. Aliás vale aqui um pequeno resumo sobre esse local de cultura, onde dezenas de artistas nacionais e internacionais já se apresentaram. Veja:

Continua após a publicidade

O Clube do Choro de Brasília é uma das instituições mais importantes da música instrumental brasileira. Fundado oficialmente em 1977, nasceu das rodas promovidas por músicos da capital e teve em sua formação nomes ligados diretamente à tradição de Jacob do Bandolim. Depois de um período de dificuldades, foi revitalizado a partir de 1993 sob a liderança de Reco do Bandolim e consolidou-se como centro de preservação, renovação e ensino do choro. Sua sede atual integra o Espaço Cultural do Choro, em edifício projetado por Oscar Niemeyer, e abriga também a Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, pioneira no ensino sistematizado do gênero. Segundo a própria instituição, mais de 6 mil espetáculos já foram realizados ao longo de sua trajetória, alcançando diretamente e por transmissões milhões de pessoas. 

Por seu palco passaram alguns dos maiores instrumentistas e compositores do país, entre eles Paulinho da Viola, Hermeto Pascoal, Sivuca, Dominguinhos, Altamiro Carrilho, Paulo Moura, João Donato, Armandinho Macedo, Guinga, Wagner Tiso, Yamandu Costa, Hamilton de Holanda e Toninho Horta, além de muitos outros nomes fundamentais da MPB e do choro. A projeção internacional da casa ganhou dimensão histórica em 28 de novembro de 2023, quando Paul McCartney escolheu o pequeno palco do Clube para um show-surpresa e intimista que antecedeu sua turnê brasileira — o próprio artista registrou depois que aquele havia sido seu espetáculo mais íntimo realizado no Brasil. Entre outras presenças internacionais comprovadas estão o violinista francês Nicolas Krassik e, mais recentemente, o guitarrista norte-americano Mike Stern, referência mundial do jazz fusion e ex-integrante de formações de Miles Davis, que se apresentou no Clube acompanhado por músicos como o baterista Dennis Chambers. 

Por esse histórico, apresentar-se no Clube do Choro significa ingressar em um palco cuja importância ultrapassa Brasília: é um dos espaços de maior prestígio simbólico da música instrumental brasileira. E é nele que os instrumentistas com histórias, formações e territórios musicais distintos, serão reunidos para mostrarem uma linguagem que rejeita fronteiras rígidas: Chiquinho França, na guitarra e no bandolim; Edinho Bastos, guitarra; Hamilton Pinheiro, baixo; Carlos Pial, um dos maiores nomes da percussão mundial; e Manassés de Sousa, nome-referência das cordas brasileiras.

O título do espetáculo não é casual. “Fissura” está ligado a um dos momentos mais reconhecíveis da trajetória autoral de Chiquinho França. A composição surgiu nos anos 1990 e aparece em registros fonográficos daquela década, entre eles Em Cartaz, de 1995, e Instrumental, de 1997. Ao longo do tempo, (como dito acima), a música passou a ocupar posição central na obra do instrumentista.

Essa relação vem de longe. Francisco Lopes da Costa, o Chiquinho França, nasceu em 1964 na Fazenda Catanha, entre Santa Inês e Bom Jardim, no Maranhão. Ainda menino teve contato com o choro e recebeu do irmão Luís Carlos Dias os primeiros acordes. Mais tarde encontraria no rock outra de suas matrizes. O resultado foi uma formação musical pouco interessada em obedecer às divisões tradicionais de gênero. Uma longa entrevista realizada para o projeto Chorografia do Maranhão, originalmente publicada em O Imparcial, já registrava essa característica: seus discos aproximavam rock, choro e ritmos da cultura popular maranhense.

É exatamente essa arquitetura sonora que reaparece na concepção do novo espetáculo. Guitarra e bandolim deixam de representar mundos opostos; rock e choro deixam de disputar território; blues, frevo e baião podem ocupar a mesma frase musical. A proposta anunciada para Brasília privilegia improvisação, diálogo instrumental e liberdade de arranjo. 

Continua após a publicidade

A presença de Manassés de Sousa amplia extraordinariamente essa conversa. Aos 72 anos, completados em julho, o violonista, arranjador, compositor, produtor e multi-instrumentista chega ao encontro com uma biografia que atravessa parte substantiva da música brasileira. Radicado durante longo período em Paris, trabalhou em circuitos internacionais e esteve musicalmente próximo de nomes como Chico Buarque, Paco de Lucía, Mercedes Sosa, Gonzaguinha, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Yamandu Costa. Em julho deste ano, a Rádio Nacional o definiu como um dos grandes violonistas brasileiros ao registrar o concerto de seus 72 anos exatamente no Clube do Choro.

Com Carlos Pial, o Maranhão entra no palco por outro caminho: o ritmo. Percussionista, compositor e professor, Pial construiu uma obra na qual as matrizes afro-brasileiras e a tradição maranhense convivem com experimentação instrumental. Sua discografia autoral inclui Maranhafricanizado, Perfusão, Etnia e Misturado, além de trabalhos audiovisuais. Radicado em Brasília desde 2010, mantém também atividade pedagógica e uma relação continuada com o circuito instrumental da capital. A Rádio Senado registra, entre seus reconhecimentos, sucessivas premiações como percussionista e distinções recebidas por sua música instrumental.

Por outro lado, Edinho Bastos integra essa troupe de grandes nomes. Tem uma carreira brilhante. Participou de inúmeros momentos de sucesso, dedilhando as várias guitarras de sua imensa coleção (de pedais também), sendo conceituado por ter tocado ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais, inclusive, em estúdio, lendo partituras e participando de arranjos extraordinários.

Por isso, a apresentação de Chiquinho França e grandes nomes internacionais da história da música brasileira, em Brasília, ultrapassa a lógica de uma data na agenda. “Fissura” não deverá funcionar como retrospectiva convencional nem como simples apresentação de virtuosismo. A formação anunciada sugere outra coisa: músicos experientes colocando seus repertórios individuais em 'debate saudável', diante do outro, aceitando improvisação, interferência e surpresa. É exatamente nesse território que a música instrumental costuma alcançar seus melhores resultados.

------------------------
O espetáculo “Chiquinho França — Fissura — convida Manassés de Sousa e Carlos Pial” será realizado na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, às 20h30, no Clube do Choro de Brasília. No primeiro lote consultado pela reportagem, a meia-entrada solidária está anunciada a R$ 50, mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível, e a inteira a R$ 100, além das taxas cobradas pela plataforma.

Fontes consultadas: Bilheteria Digital; Clube do Choro de Brasília; Rádio Nacional/EBC; Rádio Senado; Câmara dos Deputados; projeto Chorografia do Maranhão; registros jornalísticos sobre a trajetória de Chiquinho França e Carlos Pial.

Continua após a publicidade

Editoria de Música da Plataforma Nacional do Facetubes — Pesquisa e Cultura

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
Atualizado às 09h01
12°
Tempo nublado

Mín. 11° Máx. 24°

12° Sensação
2.57 km/h Vento
99% Umidade do ar
100% (3.13mm) Chance de chuva
Amanhã (27/08)

Mín. 13° Máx. 26°

Tempo limpo
Sexta (28/08)

Mín. 16° Máx. 31°

Tempo limpo
Ele1 - Criar site de notícias