Editoria Cultural da Plataforma Nacional do Facetubes
A Universidade Estadual do Maranhão realizou, na noite de 23 de julho de 2026, sessão solene de outorga do título de Doutor Honoris Causa a Antônio Lopes, um dos nomes vinculados à preservação da memória histórica e cultural maranhense. A cerimônia aconteceu no auditório do Centro Caixeiral, no Centro Histórico de São Luís, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.
A honraria foi entregue pelo reitor da UEMA, professor Walter Canales Sant’Ana, ao presidente do IHGM, professor José Augusto Silva Oliveira, que representou a família do homenageado. O ato reconheceu a contribuição intelectual de Antônio Lopes e reafirmou a importância daqueles que dedicaram suas trajetórias ao estudo, à documentação e à defesa da identidade maranhense.
Durante a solenidade, José Augusto Oliveira ressaltou que preservar os nomes e os acontecimentos do passado representa um compromisso com as futuras gerações. Também destacou o trabalho desenvolvido pelo IHGM na pesquisa, na produção escrita e na divulgação da história do Maranhão, mantendo diálogo permanente com universidades, instituições culturais e centros de memória.
A homenagem ganha dimensão especial no momento em que o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão reafirma sua missão centenária. Fundado em 1925, o IHGM tornou-se uma das principais referências estaduais na guarda de documentos, no incentivo à pesquisa e na valorização do patrimônio material e imaterial maranhense. A instituição permanece como espaço essencial para a compreensão da formação política, social, cultural e intelectual do Estado.
Participaram da mesa oficial o reitor Walter Canales Sant’Ana, o presidente do IHGM, José Augusto Silva Oliveira, o presidente do Conselho Estadual de Educação, Geraldo Castro, o acadêmico Iran Passos e os pró-reitores José Rômulo Travassos da Silva e José Sampaio de Mattos Júnior. A presença de representantes da universidade, da educação e da cultura confirmou a relevância institucional da homenagem.
Ao reconhecer Antônio Lopes, a UEMA e o IHGM não celebraram apenas uma trajetória individual. Celebraram o valor da pesquisa histórica, da responsabilidade intelectual e da preservação da memória como instrumentos indispensáveis à construção do futuro. A solenidade foi encerrada com um encontro de confraternização no próprio Centro Caixeiral.
Discurso do presidente do IHGM transforma homenagem a Antônio Lopes em afirmação da memória maranhense
O discurso do presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão parte de uma compreensão ampla da missão universitária. Ao agradecer à Universidade Estadual do Maranhão pela concessão do título de Doutor Honoris Causa post mortem a Antônio Lopes da Cunha, ele apresenta a homenagem como um ato de reconhecimento aos construtores do conhecimento. A universidade, segundo essa perspectiva, não deve limitar-se à formação profissional: precisa estudar, preservar e ampliar o patrimônio científico e cultural da sociedade à qual pertence. A distinção concedida pela UEMA torna-se, assim, uma ação institucional de valorização da história intelectual do Maranhão.
Outro ponto essencial é a recuperação do papel de Antônio Lopes na criação do IHGM. Professor e jornalista, ele reuniu, em 1925, um grupo de intelectuais na Livraria de Wilson Soares e apresentou a proposta de fundação de um instituto dedicado à História e à Geografia, inspirado no modelo nacional. Ao reconstruir esse episódio, o presidente não trata Antônio Lopes apenas como homenageado, mas como articulador de um projeto coletivo que atravessou um século. Sua iniciativa ajudou a estabelecer, no Maranhão, um espaço permanente de pesquisa, debate e conservação da memória antes mesmo da consolidação do ensino universitário de História e Geografia no Estado.
O pronunciamento também destaca a permanência histórica dos institutos de pesquisa. Embora tenham perdido a posição quase exclusiva que ocupavam antes do surgimento das universidades, dos arquivos organizados e das agências públicas de fomento, essas entidades continuaram fundamentais na manutenção de bibliotecas, acervos, museus e publicações especializadas. Nesse contexto, o IHGM é apresentado como uma instituição capaz de trabalhar ao lado das universidades, cooperar com o poder público e ampliar o conhecimento sobre o Maranhão. O discurso, portanto, não se prende à celebração do passado: reafirma uma função contemporânea para a Casa de Antônio Lopes.
Na parte final, o presidente transforma o centenário do IHGM em convocação à responsabilidade. Celebrar cem anos significa reconhecer fundadores, diretorias e acadêmicos que enfrentaram dificuldades sem abandonar a missão científica e cultural da instituição. Antônio Lopes surge como exemplo de intelectual que colocou o magistério, a magistratura, a administração pública, o jornalismo e a literatura a serviço do Maranhão. A outorga do título não representa somente uma reparação honorífica concedida após sua morte. Representa a inscrição definitiva de seu nome na história universitária do Estado e o compromisso de manter vivos os ideais de pesquisa, cultura e cidadania que deram origem ao IHGM.
C/orientação editorial de Mhario Lincoln.
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