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Geral 15 LIVROS PRA LER

Agosto abre espaço para 15 leituras entre romance, suspense, memória, política e cultura

Seleção reúne ficção brasileira e estrangeira, cartas de Clarice Lispector, biografia de Djavan, estudos sobre redes digitais e cultura americana, além de aventuras destinadas a diferentes gerações

03/08/2026 20h56
Por: Mhario Lincoln Fonte: Plataforma Nacional do Facetubes — Editoria de Literatura e Arte
(Divulgação)
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Plataforma Nacional do Facetubes — Editoria de Literatura e Arte
Agosto chega ao mercado editorial com uma seleção marcada pela diversidade. São romances de formação, narrativas policiais, fantasia, correspondência literária, biografia, crítica cultural e livros voltados à compreensão das tensões sociais do presente. A relação deve ser entendida como um guia de leitura para o mês, e não como calendário exclusivo de lançamentos: alguns títulos foram publicados nas últimas semanas, outros circularam anteriormente em 2026 e retornam agora ao centro das atenções.

Entre as estreias de maior apelo literário está Grandes amigos, primeiro romance de Hal Ebbott. A narrativa acompanha pessoas ligadas por anos de convivência, até que um acontecimento imprevisto expõe desigualdades, ressentimentos e disputas escondidas sob a aparência de estabilidade. O livro chega ao Brasil pela Rocco, em tradução de Petê Rissatti. A amizade, nesse caso, não é tratada como proteção sentimental, mas como território no qual afeto, classe social, casamento e poder entram em conflito.

A literatura brasileira aparece com força em Amanhã eu morri sozinho, romance de estreia de Lucas Barros. Ambientada em Pernambuco, a história acompanha Caetano desde a infância, marcada pela ausência do pai, pela perseguição escolar e pela sensação de que a violência escolhe sempre os mesmos corpos. O autor trabalha temas como abandono, gordofobia, homofobia, luto e formação da identidade sem reduzir o personagem a uma sucessão de sofrimentos. Publicado pela Intrínseca, o livro chegou às livrarias em 3 de agosto.

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No campo do romance policial, Morte na fronteira, de Humberto Pimentel, acompanha Armando Silva, perito criminal aposentado que passa a atuar na defesa de um delegado acusado de homicídio. A investigação ultrapassa a procura convencional por um culpado e introduz discussões sobre provas frágeis, corrupção, vingança, memória e limites éticos da verdade judicial. A experiência profissional do autor no Ministério Público ajuda a estruturar um enredo em que a lei não aparece como resposta pronta, mas como espaço de conflito.

A dor familiar ocupa o centro de Arqueologia das dores, primeiro romance adulto de Lia d’Assis. A chegada da mãe de um dos protagonistas altera um casamento já desgastado e faz emergir lembranças relacionadas à violência sexual, ao Alzheimer, ao trabalho doméstico e às relações de poder dentro da família. Construída por meio de diferentes vozes narrativas, a obra examina como traumas antigos permanecem ativos, mesmo quando ninguém mais deseja falar sobre eles.

Também voltado ao passado brasileiro, O anteparo, de José Eduardo Leonel, reconstrói a Paraty do século XIX. O protagonista, David Gotardo, é um jovem senhor de engenho que desafia a ordem escravocrata ao libertar pessoas escravizadas e contratá-las como trabalhadores. A decisão desencadeia resistências econômicas, familiares e políticas. O romance utiliza a ficção histórica para investigar os mecanismos pelos quais uma sociedade protege seus privilégios, mesmo quando suas estruturas começam a perder legitimidade.

Em Abismos de Tatiana, a jornalista Taís Morais parte de uma história real para acompanhar uma mulher submetida a sucessivos episódios de violência desde a infância. O livro relaciona abuso, sofrimento psíquico, diagnósticos equivocados e silêncio social. Vencedora do Prêmio Jabuti na categoria livro-reportagem por Operação Araguaia — Arquivos secretos da guerrilha, a autora utiliza a investigação jornalística para mostrar que a violência doméstica não termina necessariamente quando a vítima se afasta do agressor: suas consequências podem permanecer no corpo, na memória e nas relações posteriores.

O romance esportivo está representado por Virada de jogo, de Rachel Reid. A obra acompanha Scott Hunter, capitão de uma equipe profissional de hóquei, e Kip Grady, atendente de uma cafeteria. O relacionamento precisa permanecer fora dos holofotes em razão das expectativas impostas à carreira e à imagem pública do atleta. Primeiro volume da série Game Changers, o livro combina romance, ambiente esportivo e representatividade LGBTQIAPN+, discutindo as pressões que obrigam indivíduos a separar vida afetiva e identidade profissional.

A fantasia aparece por dois caminhos distintos. Assistente do Vilão, de Hannah Nicole Maehrer, retorna em edição de luxo, com capa dura, acabamento especial e uma cena adicional narrada do ponto de vista do Vilão. A história acompanha Evie Sage, contratada para trabalhar no centro administrativo de um império ameaçador, onde a rotina profissional se mistura a conspirações, humor e atração amorosa. Não se trata de um romance inédito, mas de uma edição destinada a leitores e colecionadores da série.

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Em registro mais sombrio, Nós amamos você, Bunny, de Mona Awad, retoma o universo de Bunny. A continuação desloca parte da narrativa para as integrantes do grupo conhecido como Bunnies, revelando outra perspectiva sobre os acontecimentos vividos por Samantha Heather Mackey. Humor ácido, horror psicológico, sátira acadêmica e ficção especulativa voltam a se encontrar em uma história na qual imaginação, criação artística e realidade deixam de possuir fronteiras estáveis. A edição brasileira tem tradução de Verena Cavalcante.

A correspondência literária brasileira ganha novo espaço com Entre amigos, de Clarice Lispector. O volume reúne 87 cartas trocadas com Lúcio Cardoso, Rubem Braga e João Cabral de Melo Neto. Os documentos registram preocupações editoriais, comentários sobre livros, processos de criação e episódios vividos durante os períodos em que Clarice residiu fora do Brasil. Mais do que revelar intimidades, as cartas mostram uma rede intelectual em funcionamento e permitem acompanhar a construção de algumas das obras centrais da literatura brasileira do século XX.

A coletânea Mulheres em travessia, organizada por Isabella de Andrade e María Elena Morán, reúne 18 escritoras de diferentes regiões do Brasil e da Venezuela. Os textos abordam migração, pertencimento, memória, família, luto e deslocamentos afetivos. A travessia anunciada no título não se limita à mudança geográfica: também envolve transformações da linguagem, da identidade e da percepção que cada personagem possui de seu lugar no mundo.

Na não ficção, Ilusão coletiva: psicanálise, massas digitais e ciberpopulismo, de Marcio Garrit, examina como algoritmos, redes sociais e plataformas modificaram as formas de influência política e identificação coletiva. O autor parte da psicanálise para argumentar que determinadas crenças digitais não sobrevivem apenas por falta de informação. Elas podem responder a necessidades emocionais de proteção, pertencimento e reconhecimento, o que ajuda a explicar por que a apresentação de fatos nem sempre desfaz convicções consolidadas.

A música brasileira entra na seleção com Djavan — Dizem que o amor atrai, biografia escrita por Tiago Ramos e Mattos. Resultado de pesquisa documental, entrevistas com familiares e conversas com pessoas ligadas ao artista, o livro percorre a infância em Maceió, as primeiras experiências musicais, as influências estéticas e a consolidação de uma obra que atravessa samba, jazz, música africana, pop e tradição nordestina. Trata-se de uma biografia não autorizada: Djavan preferiu não participar da preparação nem revisar o conteúdo.

Em Um país distante: cinco aulas sobre a cultura americana, o crítico italiano Franco Moretti investiga os Estados Unidos por meio da literatura, das artes e do cinema. Walt Whitman, o western, o cinema noir e outras formas culturais são examinados como expressões das contradições de uma sociedade fundada no discurso da liberdade, mas atravessada pela violência, pelo individualismo, pela solidão e por ambições imperiais. Publicado pela Editora 34, o volume possui tradução de Natasha Belfort Palmeira.

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A lista se completa com Nos telhados de Paris, de Katherine Rundell, aventura infantojuvenil traduzida por Marina Vargas. Sophie foi encontrada ainda bebê após um naufrágio e cresceu acreditando que a mãe sobreviveu. Ao lado de seu guardião, parte para Paris e encontra um grupo de crianças que vive sobre os telhados da cidade. A procura familiar transforma-se em narrativa sobre amizade, coragem, autonomia e a recusa de aceitar como impossível aquilo que ainda não foi suficientemente investigado.

Os 15 títulos formam um painel menos homogêneo do que as campanhas comerciais costumam sugerir. Há obras destinadas ao entretenimento, livros que exigem leitura crítica e narrativas que enfrentam diretamente violência, desigualdade, preconceito e memória histórica. Essa variedade permite observar um mercado no qual a literatura continua exercendo funções simultâneas: contar histórias, preservar documentos, questionar estruturas sociais e oferecer linguagem para experiências que muitas vezes permanecem sem nome.

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