DISCURSO DO CEL. CARLOS FURTADO NA SESSÃO SOLENE EM COMEMORAÇÃO AOS OITO ANOS DE FUNDAÇÃO DA AMCLAM, EM 06/08/26.
Senhoras e Senhores, muito bom dia!
Exma. Senhora Deputada Estadual Iracema Vale, neste ato representada pelo Exmº Senhor Deputado Wellington do Curso,
Autoridades civis e militares presentes e representadas,
Meus caros Confrades e Confreiras da gloriosa Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (AMCLAM),
Senhoras e Senhores Amigos da AMCLAM, amigos pessoais que nos honram com suas presenças neste ato solene, eu pediria vênia para saudá-los em nome do Empresário João Gualberto que como amigo da AMCLAM nos favorece com a premiação do Concurso Nacional Pedro Ivo de Poesia, estimulando escritores de todo o Brasil e em particular, os escritores maranhenses, com uma premiação de R$ 5.000,00 ofertada pela RV2 – Soluções para O Varejo Financeiro, meu querido João Gualberto muito obrigado pela sua presença.
De forma também muito agradecida, à nossa Promotora de Justiça Dra. Alineide, a quem tive o prazer de trabalharmos juntos na região do 10º Batalhão de Polícia Militar em Pinheiro - MA, quando na época estava sob a nossa responsabilidade territorial 42 municípios e tivemos o gáudio de em um ano que passamos não registrarmos nenhum homicídio naquela oportunidade.
É com imenso orgulho, profunda emoção e redobrada responsabilidade que ocupo esta tribuna do Poder Legislativo maranhense — a Casa do povo, o verdadeiro parlamento da nossa gente.
Hoje, esta Sessão Solene reveste-se de um significado duplamente histórico: celebramos a trajetória e a relevância cultural da AMCLAM e, ao mesmo tempo, renovamos o nosso fôlego intelectual com a chegada de três brilhantes novos membros que passam a compor o nosso sodalício.
Em nome da Academia, quero manifestar o nosso mais sincero agradecimento ao Deputado Estadual Wellington do Curso. Sua excelência demonstra, por meio desta iniciativa, uma rara sensibilidade e um compromisso inabalável com a preservação da memória, da cultura, das ciências e dos valores cívicos e militares que unem a caserna e a sociedade.
Muito obrigado, Deputado, por abrir as portas desta Casa para exaltar aqueles que dedicam a vida ao saber.
Neste momento de celebração e reconhecimento, é com honra redobrada que a AMCLAM consagra personalidades que lutam pelo desenvolvimento do nosso estado. Registramos com muita alegria a entrega da Medalha Comemorativa Casa do Brigadeiro Falcão aos ilustres Deputados Wellington do Curso e Iracema Vale, verdadeiros baluartes da parceria entre o legislativo e as causas culturais e cívicas do Maranhão.
A Renovação da AMCLAM: Os Novos Neoacadêmicos
Falar da AMCLAM é falar da ponte indissociável entre o rigor da disciplina militar e a liberdade criativa das letras, das ciências e das artes. Nossos patronos construíram legados formidáveis, e cabe aos que aqui chegam a honrosa missão de honrar tais memórias.
Nesta manhã solene, empossamos três personalidades ímpares cujas trajetórias elevam o padrão de excelência da nossa Academia:
A nossa querida Mestra em Educação, Professora Yêda Sá Malta, assume a Cadeira número 16, cujo patrono é o insigne escritor Manuel Francisco Pacheco (ou melhor, Fran Pacheco, como era chamado).
A educação é a base de qualquer nação soberana, e a chegada da Professora Yêda à nossa Academia coroa uma vida dedicada ao ensino, à formação de mentes e à transmissão do conhecimento. É a força da pedagogia humanizadora integrando-se ao pensamento militar, mostrando que a verdadeira segurança de um povo reside também na solidez de sua educação. Seja muito bem-vinda, cara Confreira!
A Doutora em Psicologia Clínica e Pastora Verusca Merice Freire Ribeiro de Queiroz assume a Cadeira número 22, tendo como patrono o saudoso Coronel PMMA José Ruy Salomão Rocha.
A presença da Doutora Verusca traz para a nossa Academia uma dimensão profunda e indispensável: o cuidado com a alma humana, a escuta clínica e a espiritualidade. O Coronel Salomão Rocha decerto se regozija no andar de cima ao ver sua cadeira ocupada por uma mente tão brilhante e um coração tão devotado ao próximo e ao bem-estar da família e da sociedade. É uma honra tê-la conosco, prezada Confreira!
O Especialista em Vigilância Sanitária e em Nutrição em Saúde, Policial Militar, José Gilmar Diniz, assume a Cadeira número 26, que tem como patrono o ilustre jurista Clodomir Serra Serrão Cardoso.
O poeta Gilmar Diniz representa a excelência técnica voltada para a preservação da vida e da saúde, áreas fundamentais e muitas vezes silenciosas do cotidiano. Aliando a ciência da nutrição à vigilância sanitária, ele honra a memória de Clodomir Cardoso com o mesmo esmero, dedicação e amor à segurança pública. Parabéns, ilustre amigo, e seja bem-vindo à nossa Academia, caro Confrade!
Mas permitam-me fazer uma menção necessária - a necessidade de um olhar diferenciado para a cultura.
Senhoras e senhores, ao rememorarmos que o Maranhão ostenta com orgulho o título histórico de a Atenas Brasileira, precisamos nos perguntar: qual tem sido o tratamento real dispensado à nossa cultura e às nossas instituições literárias? O peso da nossa tradição exige um olhar diferenciado e urgente do Poder Público.
Por isso, também na condição de vice-presidente da Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), tão bem presidida pelo escritor e engenheiro César Brito, peço-lhe vênia e aproveito esta tribuna para fazer apelos fundamentais em prol do movimento literário maranhense:
Primeiro: Dirigindo-me ao deputado Welligton para que leve à nossa estimada Presidente da Assembleia, Deputada Iracema Vale, faço um apelo para que a Comissão Parlamentar da Cultura — outrora criada nesta ALEMA por sua iniciativa, brilhantemente presidida pelo Deputado Carlos Lula e secretariada pelo Deputado Wellington do Curso — volte a funcionar plenamente, continuando a prestar os relevantes serviços que a nossa sociedade tanto precisa.
Segundo: Apelamos para que também a presidente desta Casa leve ao Governador Carlos Brandão duas moções essenciais.
A primeira delas é o resgate de uma palavra empenhada ainda quando ocupava o cargo de vice-governador, a qual testemunhei: a criação de um Centro Cultural em São Luís capaz de agregar e abrigar as Academias Literárias da capital e a Federação das Academias de Letras do Maranhão (FALMA), permitindo estruturar e atender adequadamente as mais de 65 Academias espalhadas por este Estado.
A segunda moção ao Executivo diz respeito à necessidade urgente de que a Lei nº 11.661/2022, aprovada por este parlamento — que autoriza o Poder Executivo a consignar subvenção social às Academias de Letras —, seja devidamente regulamentada, ou que se crie um instrumento normativo substituto que nos permita desenvolver nossas atividades, assegurando os gastos mínimos indispensáveis ao nosso funcionamento institucional. São mais de quatro anos de lutas travadas por vários presidentes e outros simpatizantes da causa, sem o alcance de resultados práticos.
Por fim, não podemos deixar de pontuar as imensas dificuldades enfrentadas no cotidiano institucional. É inadmissível que um nicho tão importante da cultura precise, com frequência, recorrer aos favores de autoridades terceiras para intermediar reuniões que deveriam ser um dever elementar e uma obrigação de ofício de um gestor da pasta da Cultura. É fundamental que os Secretários de Estado, e em especial o titular da Cultura, abram suas portas e recebam com dignidade e atenção este segmento que carrega a alma do Maranhão.
Para se ter uma ideia do descaso no tratamento conosco, recentemente a Secretaria de Cultura do município de São Luís manifestou-se contrária, através de sua assessoria, à liberação de um estande para a FALMA na FELIS (Feira do Livro de São Luís), a ocorrer em pouco tempo, com o argumento de que a feira é do município — esquecendo-se, contudo, de que cerca de quase mil escritores que integram as diversas Academias residem justamente nesta capital.
Caminhando para o final de minha fala, me dirijo aos nossos novos acadêmicos, Yêda, Verusca e Gilmar, digo que a partir de hoje vocês não carregam apenas o peso de um manto preto representando a AMCLAM ou o brilho de uma comenda acadêmica; vocês carregam a responsabilidade histórica de manter viva a chama da cultura maranhense, de defender a integração harmoniosa entre a caserna e a sociedade civil, e de produzir saber com ética, rigor e paixão.
Que esta Assembleia Legislativa continue sendo o farol da democracia no Maranhão, e que a AMCLAM continue a ser o santuário onde a espada e a pena caminham juntas em prol do progresso, da justiça e da liberdade.
Viva a Assembleia Legislativa do Maranhão!
Viva a cultura maranhense!
Viva a AMCLAM!
Muito obrigado a todos.
Cel. Carlos Augusto Furtado Moreira
Presidente da AMCLAM
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