
ILHA DE OXÓSSI E SÃO SEBASTIÃO
Diversidade cultural em São Luís influenciou o sincretismo existente na cidade, que permite a convivência harmônica de crenças. Formação do povo ludovicense foi fator predominante para o sincretismo religioso que até hoje vigora em São Luís. Crenças e costumes de negros, brancos e indígenas se misturaram para dar origem a alguns das mais expressivas manifestações culturais populares da capital maranhense.
A exemplo, tem-se o bumba meu boi, apesar de constituir-se de elementos pagãos, bebe de fontes cristãs, já que o novilho é batizado na Igreja Católica; indígenas, levando em consideração a atuação dos pajés que salvam o boi, e da cultura africana, quando nos referimos à presença dos cazumbás, que, de acordo com tal crendice, espantariam o mal.
A chegada de escravos e seus vodus africanos, a presença maciça dos índios na capital maranhense e a força do catolicismo na época da escravatura fizeram com que São Luís construísse um dos mais representativos sincretismos religiosos do país, como afirma o professor -doutor em comunicação e Cultura pela Universidade dos Estados da Bahia, Ricardo Freitas.
"São Luís preservou expressões culturais e manifestações populares historicamente sincréticas, mesmo sob a pressão de modelos de desenvolvimento que desprezam traços ameríndios e africanos", esclarece. Segundo Freitas, a capital maranhense apresenta algumas particularidades no que diz respeito ao sincretismo religioso em relação a cidades de outros estados que sofreram influência semelhante desses povos.
Traços Indígenas Marcantes
"As festas sincréticas pertencem ao calendário festivo oficial da cidade e do estado com a presença do poder público apoiando os eventos, tanto nas igrejas, como nos terreiros. Além do fato de a presença de traços indígenas ser tão marcante quanto a de traços de africanidade, dando um tom muito especial ao sincretismo maranhense" explica o professor. Na época da escravatura, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais africanos eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos. Em face disso, alguns santos católicos foram adotados pelos escravos para substituir as imagens dos vodus e, assim, tentar enganar os repressores e manter seus rituais religiosos. Para os estudiosos, esse foi um dos grandes catalisadores do sincretismo entre as religiões afro e católica.
Crença Popular Homogênea
Contribuíram para a construção desse sincretismo os fatos de São Luís ser capital de um estado situado na região amazônica, com expressiva concentração de populações indígenas, e ainda ter sido importante porto para comércio de escravos africanos. Além disso, as relações entre o catolicismo europeu, cultos indígenas e manifestações de fé africanas resultaram na formação de uma crença popular homogênea. "Não dar para imaginar São Luís sem esse sincretismo, pois esse foi o modo com que se constituíram formas de religiosidades populares", observa Freitas.
Talvez a umbanda seja uma das religiões brasileiras que mais reúne elementos de outras culturas. O catolicismo, o espiritismo, as religiões afro-brasileiras e indígenas estão muito presentes nessa religião, que ainda se faz muito presente em São Luís. Dentre os terreiros da capital, destacam-se as casas de Minas, de Nagô e da Mãe Euzita, uma das mais antigas da cidade.
Procissão/Donos
Todos os anos, no aniversário de São Luís, praticantes e simpatizantes da umbanda realizam uma procissão para homenagear a cidade e seus santos, também chamados de 'donos': São Sebastião e São Luís Rei de França. Hoje, existem diversas ramificações da umbanda, como a indígena (Umbanda de Cabloco), as africanas (Umbandomblé, umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, umbanda iniciática). Em São Luís, a mais comum é a Umbanda popular, que mistura diferentes características de diversas ancestralidades.
Visão Católica
O reitor do Seminário de São Luís e vigário da Igreja de Nossa Senhora DE Nazaré, o padre Antonio José, o Beato, também considera que as duas religiões têm uma ligação e uma tentam trabalhar com a prática do bem. "É preciso compreender a história, compreender a relação da Igreja com as religiões afro. A igreja exercia uma supremacia e os negros precisavam se expressar " destaca. Segundo o reitor, a ligação mais sincrética aconteceu em relação aos santos adotados pela religião afro. “Não houve diferença de fé. Tanto que faz parte da vida dos praticantes da umbanda frequentar a igreja Católica, que continua tendo sua doutrina. E tudo aquilo que é de Deus é importante. Aquilo que for emento de Deus está presente na Igreja Católica. Dentro da Umbanda, temos o mesmo Deus. O Deus é único ", afirma. Porém o reitor fez algumas ponderações em relação à ligação entre o catolicismo e a umbanda. "As únicas coisas que não são aceitas pela igreja católica são as possessões, as oferendas para os vodus e intermediários entre Deus e os homens, pois na doutrina cristã o intermediário é Jesus Cristo ", finaliza.
Vodus e Santos Católicos
EXU. - Santos Antonio no Rio de Janeiro, chamado de Bará no Rio Grande do Sul.
OXUMARÉ - São Bartolomeu no Brasil.
OGUM - São Jorge, principalmente no centro- Sul do Brasil e Santo Antônio na Bahia.
OXÓSSI - São Sebastião, principalmente no centro-sul do Brasil, São Jorge na Bahia.
XANGÕ - São Jerônimo, São João Batista, São Miguel Arcanjo.
IEMANJÁ- Nossa Senhora dos Navegantes; Nossa Senhora da Conceição; Nossa Senhora da Glória.
OXUM - Nossa Senhora da Conceição; Nossa senhora da Conceição Aparecida.
IANSÃ- Santa Bárbara.
OMULU- São Roque
OBÁ - Santa Rita de Cassia, Santa Joana d'Arc
OBALUAÊ - são Lázaro. NANÃ - Sant'Anna
IBEJI. - Cosme e Damião
OXALÁ - Divino Jesus Cristo. O ser Cristalino.
ZAMBI - Deus
Agradeço ao Gabriel Mendes pela matéria. Fonte de minha pesquisa: “São Luís 400anos”. OEstado.
GUARÁS VERMELHOS
Ei piqueno tu sabes porque a plumagem dos guarás fica vermelha?? Os pássaros nasce com as penas acinzentadas e só depois de um ano adquire a cor avermelhada, pois se alimenta de um caranguejo rico em caroteno. Os maçaricos saem do Canadá, passam pelo leste dos Estados Unidos, descem até o Brasil e chegam nas reentrâncias maranhenses. Mais de 80 horas de voo direto. Ali eles encontram local propício para alimentação. É no lodo que os maçaricos buscam suas refeições. Microrganismos ricos em energia, tudo de que precisam para mais uma longa jornada.
VOCÊS CONHECEM, MESMO, A DILÚ MELLO?
Você sabia que o hino emocional do Maranhão é de autoria de Dilú Mello?? Maria de Lourdes Argollo Oliver, mais conhecida pelo nome artístico Dilú Mello, foi uma cantora, compositora, instrumentista e folclorista brasileira. Precoce, começou a estudar música e violino aos cinco anos de idade. Aos nove anos, iniciou seu aprendizado de violão com sua mãe D. Nenê e de piano com a professora Elizéne D'Ambrósio. Aos 10 anos, compôs sua primeira obra, uma valsinha intitulada "Heloísa", em homenagem à sua irmã mais nova.
Em 1958, gravou de Altamiro Carrilho e Armando Nunes, o xote "Nos velhos tempos". Por influência de Antenógenes Silva, começou a tocar acordeão recebendo da imprensa a denominação de "Rainha do Acordeão”. Autora de mais de cem músicas. Entre seus intérpretes estão Ademilde Fonseca, Amália Rodrigues, Carmen Costa, Nara Leão, Fagner, Clara Nunes, Marlene e Dóris Monteiro, (Viana, 25 de setembro de 1913 — Rio de Janeiro, 24 de abril de 2000). Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=qjDHumOuSY0&t=64s
Entre suas composições mais famosas destacam-se: “Fiz a cama na varanda”, “Saudades do Maranhão”, “Meu Cariri”, “Qual o valor da sanfona”, “Redinha de algodão”, “Conceição da praia”, “Meu barraco”, “Telegrama”, “Maravilha”, “Candelabro”, “As coisas erradas do mundo”, “Meia-cana”, entre outras. Apaixonada pelas crianças, Dilú dedicou parte de seus talentos artísticos à infância brasileira, gravando discos com fábulas e historinhas ou escrevendo peças de teatro voltadas exclusivamente para o público infantil. Entre tais peças, encenadas por diversas temporadas nos teatros cariocas, figuram: “O baile das tartaruguinhas”, “O bigorrilho”, “A princesinha de ouro”, “Cada criança é uma canção”, “Uma festa no céu”, “Festival de palhaços”, “O sapo dourado” (opereta infantil) e outras. Dilú Mello faleceu no Rio de Janeiro, aos 88 anos de idade, no dia 26 de abril de 2000. Seus restos mortais encontram-se sepultados no Cemitério do Catumbi.
Saudade do Maranhão
Maranhão, que terra boa
Onde o poeta nasceu
Maranhão é minha terra
Berço que Deus me deu
Há uma festa no Maranhão
Em São José do Ribamar
Ah, linda praia Araçagy
Ah quem me dera voltar
Ai, ai que saudade
Que eu tenho do Maranhão
Ai, ai que saudade
Que eu tenho do Maranhão
Composição: Dilú Melo
DE OLHO
(1) - Dr. Mauricio Itapary (IPHAN). Eu, a Mulher Babaçu, ainda não esqueci da sua promessa de recolocar a PLACA DE BRONZE na estátua do Benedito. Hein? Tô de olho!
(2) – Atenção senhor Edvaldo Holanda Junior. A Placa que informa ESPAÇO DA LIBERDADE, ao lado do Busto do jornalista Othelino Nova Alves, ainda não foi recolocada, trazendo assim danos ao patrimônio pois o azulejo que foi arrancado foi do maior prédio em azulejos em estilo colonial da América Latina. Vamos providenciar. Vamos cobrar também IPHAN.
AINDA REGUEIROS
Êita, piquenos! Que aquela matéria do reggae deu o que falar até o povo me pede mais. Eita pedrada boa. A matéria chegou a quase 2 mil visualizações (ip’s individuais). Isso significa que a plataforma de meu editor e amigo, jornalista Mhario Lincoln é um sucesso no Mundo, junto com a Mulher Babaçu. Êita! Quer pedrada né ??.. Hen-hein.
Em São Luís, existe os aficionados pelo ritmo. Alguns deles transformam os quartos de suas casas em depósitos de raridades em formato de vinil, acumulando milhares de discos produzidos em fins de décadas de 1960 até começo dos anos 1980. Período áureo da produção do roots, o mais cultuado em São Luís, principalmente por aqueles que viveram o auge do ritmo no Maranhão, quando ir à radiola era uma das poucas opções para a população da capital. De acordo com dados da Associação dos grupos de colecionadores de vinis de Reggae de São Luís (Agrucore). Em 2012 havia 84 pessoas ligadas à entidade, que agregava 17 grupos. Hoje eu não sei só perguntando para Ademar Danilo, amante acima de tudo da filosofia do reggae - liberdade, paz e amor.
Ouvir dizer (fuxico) que ele tem mais de 5 mil de discos e compactos e também já ouvi que tem a maior coleção de discos de reggae do Maranhão. Ai pequenos, só perguntando para ele.
Atualmente em São Luís há colecionadores que vendem discos raros por mais de R$ 500,00 e alguns chegam a R$ 700.00 no mercado, possibilitado pela internet. Morreu fofão. Agora falando como diz o maranhense. Tu conheces o MELÔ DE POLIANA (Think Twice). Donna Marie. Eu só danço bem agarradinha com meu bofinho. Ele parece "pau de Virar Tripa" magricela. Sim tchau. Falo pelos cotovelos.
QUANDO SE DANÇA O TAMBOR DE CRIOULA
Tambor de crioula ou punga é uma dança de origem africana praticada por descendentes de escravos africanos no estado brasileiro do Maranhão, em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração. Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos. É praticado em qualquer época do ano, mas com maior frequência no carnaval e durante as festas juninas. A Lei nº 13.248 de 12 de janeiro de 2016 estabeleceu a data de 18 de junho como o dia do Tambor de Crioula. Em 2007, o tambor de crioula ganhou o título de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Essa manifestação afro-brasileira ocorre na maioria dos municípios do Maranhão, envolvendo uma dança circular feminina, canto e percussão de tambores. Dela participam as coreiras ou dançadeiras, conduzidas pelo ritmo intenso dos tambores e pelo influxo das toadas evocadas por tocadores e cantadores, culminando na punga ou umbigada – gesto característico, entendido como saudação e convite. Eu adoro mesmo é a umbigada, kkkkkkkk. Aaaaaaaaaadoro e me amarro naquelas saias lindas de chitão. É lindo, piquenos!
A HISTÓRIA DA TELA
Não poderia deixar de homenagear um dos grandes artistas do Maranhão, Betto Pereira, que mora hoje na chiquérrima cidade de Petrópoles, no estado do Rio, mesma cidade escolhida por D. Pedro II para passar férias, pois dizia que o clima e os costumes de Patrópolis era muito parecido com a Europa. Vixe, coisa boa. Mas essa tela tem uma história emocionante. Vou contar.
Na praça da Faustina, em São Luís do Maranhão, acontece a principal manifestação de Tambor de Crioula e quem coordena é a maravilhosa Carla Coreira. E sabe o que aconteceu na imagem dessa tela aplaudidíssima de Betto Pereira? Ele, sagaz e sensível, conseguiu imortalizar o momento em que a mãe de Carlinha, D. Roxinha, uma super-refência nessa brincadeira, no Brasil, rodava a saia, num dos inúmeros passes específicos das belas coreiras maranhenses. Ela também integra o LABORARTE, sem dúvida, uma das instituições mais incentivadoras das artes no Estado. Por isso digo que Betto foi muito feliz nessa tela. Aliás, ele tem uma coleção de telas que mostram o originalíssimo Tambor de Crioula do Maranhão, que, apesar de muitos tentarem, é simplesmente inimitável. Obrigado, Betto. Eu, a mulher Babaçu, tu sabes, te ama, né, piqueno!
QUE PENA
De uns anos pra cá, Uimar Jr. montava o Presépio de Natal e abria a casa para visitação pública. Era uma espécie de presépio pedagógico. Mas, neste ano de pandemia, o presépio foi montado mas só para a família. Sem dúvida, no ano que vem, este presépio será novamente aberto às pessoas de fora. Uimar me contou que se orgulha muito desse seu trabalho religioso. É uma pessoa de muita Fé e de muita Crença. Talvez essa seja a verdadeira fortaleza que o leva a obter muito sucesso em sua vida. Mas com muita humildade e carinho com as pessoas que gosta. Isso aí, piqueno danado!
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