SPOILER
Osmarosman Aedo*
Dá para ouvir ainda
Os sinos de uma catedral distante
Enunciando por onde começar a oração.
Posso sentir ainda
O pulsar daquela chuva torrencial
Que mesmo machucando telhas,
Sequer reclamavam
Ou protestavam pela agressividade de suas gotas.
Não dá para esquecer
Que a escuridão profunda
Que tomou a noite nos braços,
De quando precisei de luz
Para encaminhar meus passos,
Me fez tropeçar tantas vezes que cheguei imaginar
Que cego estive por muito tempo.
Foi rudimentar de minha parte
Tentar me esquivar das palavras do destino
Inserindo extensas notificações num resumo,
Que sabia só me levaria cochilar
Numa das frestas do muro das lamentações.
Não pude ouvir os grunhidos da verdade
Enquanto se debatia entre a razão e o medo
Quando inocentemente tentavam a todo custo
Isentar-me de todas as acusações
Que a vida, duramente, tecia sobre minha pessoa.
Os passos foram largos e lentos
Mas de uma precisão tão magnificamente milimetrada
Que seria injusto negar de: COMO É BOM TE OUVIR!
...deferido o exposto, assino...
...recusada as interpretações, valho-me...
(Osmarosman Aedo é da Academia Poética Brasileira, seccional PR. Poema do meu livro: ANTES... e depois de você)

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