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Poema "Sociedade Perfeita", do poeta cearense Paulo Barros

27/10/2022 17h29
Por: Mhario Lincoln

SOCIEDADE PERFEITA

*poeta Paulo Barros

(Em comentário, pelo Messenger do Facebook, a um poema da Poetisa Renata G.)

 

Daria a este poema,

o que canta o comportamento hipócrita

e covarde das pessoas em consumo,

de si e das outras,

este epigrama que queria mostrar

a tristeza de ver ser a lei

a falsa modéstia,

o império a autopiedade,

o medo a moeda preferida

do bem-estar,

a dissimulação dispositivo substitutivo

da honra,

a pobreza de gestos como opção

à aventura,

enfim, daria a ele, ao poema,

o nome de "Poemeto Mortal".

Nele, há o iconoclasta que os despela,

aos convivas desta nossa sociedade,

e ainda espicha seus couros na cerca.

Derruba-lhes as máscaras

e denuncia a representação

de seus fajutos e cênicos papéis.

Quebra-lhes as suas "tábuas de valores",

valores e ditames que eles criaram

com o fim de sustentar o proliferar

de suas "aureas mediocritas",

de garantir o bom curso das "mediocracias"

que eles criaram para se enlamear,

todos os dias,

ensopando-se bem longe

das atitudes de mérito, de grandeza,

de beleza, de altivez, de originalidade,

de genialidade, de santidade, de heroísmo,

de genuinidade e da invenção do novo.

Sim, são eles sim os apóstolos

da covardia, da pequenez, da mesmice,

do ócio, do medo sem causa,

da falsa modéstia, do voo galináceo,

baixo e curto,

do pensamento preso a estereótipos

e convenções, da descrença,

do feio ou mais ou menos feio,

das mentiras baratas e hipocrisias

instituídas e mantidas visando

um bem-estar sub-reptício,

que os livre do peso da verdade

e do gosto amargo da realidade.

Certeza que austeridade

não é o seu miolo e a integridade

jamais será o conteúdo de seus ossos!

Perto deles, no bojo de suas relações

mediocratas,

jamais se há de falar em dignidade,

ou bravura, muito menos em honra,

ou brio, ou rebeldia, ou insurreição!

Nem pensar! Honestidade é o máximo

a que chegam, honestidade daquelas

capaz de evitar que furtem mil moedas,

contudo deixando-lhes a cavalheiro

para não doar um centavo sequer!

Raposas vesgas é o que são!

A covardia e a timidez são o néctar

de suas veias apodrecidas pela tibiez

de pensamentos e atitudes

que lhes conduza a qualquer que seja

a aventura

ou combate audacioso e perigoso,

a qualquer arrojo cuja possibilidade

de vitória seja incerta.

São eles os funcionários,

bem comportados, da patroa "mesmice",

cuja rotina imposta lhes cobra

a obediência cega,

a redução de suas existências

em fria bazófia humana,

um amontoado fétido e estéril

de anos de mediocridade

selada pelo anonimato

dentro da galeria da história humana.

Somente a lápide registrará os seus nomes,

posto que suas vidas em nenhum colosso,

medalha ou troféu

ousou cunhar suas atitudes amofinadas

e rasteiras.

Nenhum céu conheceu seu voo.

Nenhum coração conheceu

seu amor sincero.

Nenhuma alma foi povoada

por um só ideal sublime de seu espírito.

Nenhuma excelsa beleza

ou magnífica perfeição

os esperou em visita

ou os anfitriou jamais.

Estes são eles,

os que pintam o céu morando no inferno,

os que escondem o seu outro lado da lua

e esparramam-se em ostentação

ao mostrar suas metáforas de papel

vestindo seu espírito cativo,

alma de seu eu de bibelô!

Penso desvelei os seus estigmas,

apenas em trazer à luz

o protótipo padronizado de seu caráter!

A terra lhes seja leve!

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Foto abaixo, poeta Paulo Barros ladeado, à esquerda, por Mhario Lincoln e Daniel Maurício, à direita pela poeta Rita Delamare.

 

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