SOCIEDADE PERFEITA
*poeta Paulo Barros
(Em comentário, pelo Messenger do Facebook, a um poema da Poetisa Renata G.)
Daria a este poema,
o que canta o comportamento hipócrita
e covarde das pessoas em consumo,
de si e das outras,
este epigrama que queria mostrar
a tristeza de ver ser a lei
a falsa modéstia,
o império a autopiedade,
o medo a moeda preferida
do bem-estar,
a dissimulação dispositivo substitutivo
da honra,
a pobreza de gestos como opção
à aventura,
enfim, daria a ele, ao poema,
o nome de "Poemeto Mortal".
Nele, há o iconoclasta que os despela,
aos convivas desta nossa sociedade,
e ainda espicha seus couros na cerca.
Derruba-lhes as máscaras
e denuncia a representação
de seus fajutos e cênicos papéis.
Quebra-lhes as suas "tábuas de valores",
valores e ditames que eles criaram
com o fim de sustentar o proliferar
de suas "aureas mediocritas",
de garantir o bom curso das "mediocracias"
que eles criaram para se enlamear,
todos os dias,
ensopando-se bem longe
das atitudes de mérito, de grandeza,
de beleza, de altivez, de originalidade,
de genialidade, de santidade, de heroísmo,
de genuinidade e da invenção do novo.
Sim, são eles sim os apóstolos
da covardia, da pequenez, da mesmice,
do ócio, do medo sem causa,
da falsa modéstia, do voo galináceo,
baixo e curto,
do pensamento preso a estereótipos
e convenções, da descrença,
do feio ou mais ou menos feio,
das mentiras baratas e hipocrisias
instituídas e mantidas visando
um bem-estar sub-reptício,
que os livre do peso da verdade
e do gosto amargo da realidade.
Certeza que austeridade
não é o seu miolo e a integridade
jamais será o conteúdo de seus ossos!
Perto deles, no bojo de suas relações
mediocratas,
jamais se há de falar em dignidade,
ou bravura, muito menos em honra,
ou brio, ou rebeldia, ou insurreição!
Nem pensar! Honestidade é o máximo
a que chegam, honestidade daquelas
capaz de evitar que furtem mil moedas,
contudo deixando-lhes a cavalheiro
para não doar um centavo sequer!
Raposas vesgas é o que são!
A covardia e a timidez são o néctar
de suas veias apodrecidas pela tibiez
de pensamentos e atitudes
que lhes conduza a qualquer que seja
a aventura
ou combate audacioso e perigoso,
a qualquer arrojo cuja possibilidade
de vitória seja incerta.
São eles os funcionários,
bem comportados, da patroa "mesmice",
cuja rotina imposta lhes cobra
a obediência cega,
a redução de suas existências
em fria bazófia humana,
um amontoado fétido e estéril
de anos de mediocridade
selada pelo anonimato
dentro da galeria da história humana.
Somente a lápide registrará os seus nomes,
posto que suas vidas em nenhum colosso,
medalha ou troféu
ousou cunhar suas atitudes amofinadas
e rasteiras.
Nenhum céu conheceu seu voo.
Nenhum coração conheceu
seu amor sincero.
Nenhuma alma foi povoada
por um só ideal sublime de seu espírito.
Nenhuma excelsa beleza
ou magnífica perfeição
os esperou em visita
ou os anfitriou jamais.
Estes são eles,
os que pintam o céu morando no inferno,
os que escondem o seu outro lado da lua
e esparramam-se em ostentação
ao mostrar suas metáforas de papel
vestindo seu espírito cativo,
alma de seu eu de bibelô!
Penso desvelei os seus estigmas,
apenas em trazer à luz
o protótipo padronizado de seu caráter!
A terra lhes seja leve!
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Foto abaixo, poeta Paulo Barros ladeado, à esquerda, por Mhario Lincoln e Daniel Maurício, à direita pela poeta Rita Delamare.

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