O meu pai é irmão do Maranhão. Sou dele sobrinho, então. Fazemos divisas - fronteiras em vão...
Quero ser muito maior e acrescento Albuquerque, Cavalcanti, Augusto, Olímpio e Américo. Quero ser do tamanho do continente...
Na verdade, sou um poeta incontinente. Amo a noite e todas as prostitutas. Tenho as chagas que elas deixam em mim...
Escrevo em papéis de embrulho. Dentro deles está toda a minha essência simbolista advinda de Baudelaire!
Ergo e ajudo a erguer colunas de prédios, cheios de letras e de cadeiras, mas se não souberem disso, não há dor nenhuma...
Nunca pretendi ser rico, mas rico, sou... Tenho um enorme nome, bebo em todas as taças e vidraçarias!
Um emprego só me serve, e me basta para sobrevivência. Sou do dia, mas principalmente da noite.
Tenho a graca de ter a benevolência do amigo Carlos D. Fernandes. Sem ele nunca de mim ouviriam falar.
Esse amigo cata no chão os meus escritos, assim como compra antibióticos para meus equinos e câncros.
Sim, devo morrer longe de casa, mas cercado por choronas raparigas, além do meu melhor amigo...
Obs:. Homenagem ao maior poeta simbolista maranhense, Maranhão Sobrinho, meu tetravô, que no dia 20 de dezembro, completa 146 anos de nascido.
(ANTONIO GUIMARÃES DE OLIVEIRA. DATA: 20.12.2025. SÃO LUÍS-MA).