A força da proposta de Eloy Melonio está em tratar a palavra não como peça neutra da gramática, mas como organismo em cena. Ele faz a letra sair do lugar de ferramenta silenciosa e a transforma em personagem, com voz, vício, humor, ritmo e intenção. O resultado desse procedimento é uma espécie de existencial ortográfico. Não se trata de inventar palavras por capricho, mas de deslocar a percepção do leitor sobre o que já parecia gasto. Eloy reanima o que estava automatizado. Ele faz o leitor voltar a sentir o peso de um som, a elasticidade de uma abreviação, a ironia de uma interjeição. Ao dar carne às letras, ele devolve ao idioma uma qualidade que a pressa costuma roubar: presença! E quando a escrita recupera presença, ela mexe com a estrutura da frase porque muda o modo como a ideia se instala na mente. A palavra deixa de ser etiqueta e passa a ser acontecimento. Parabéns, confrade Eloy Melonio. é uma honra publicá-lo da Plataforma Nacional do Facetubes. (Mhario Lincoln).
ELOY MELONIO
Q (quê)
Esse é craque em questionar. Queixa-se com qualidade: “Que que isso, minha gente?!" Ou não: "E aí, cara, que qui tá pegando?" E, enfim, o "q" da questão é que esse queridinho sempre bota pra quebrar. "Pqp!"
R (érre ou rê)
Rio rios de alegria quando dizem que “rir é o melhor remédio”. Não sei se Jesus era de dar risadas (como a “Irene”, do Ivan Lins), mas sei que "chorou" o versículo mais curto da Bíblia (Jo 11:35). No Natal, reis e rainhas e até um reles mortal celebram o nascimento do Rei dos reis.

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