
POETAS & POETISAS
(Especial, João Batista do Lago).
Apresentando, hoje: Gabriela Serra Pinto de Alencar, 26 anos de idade. Nascida em São Luís, bacharela em Direito pela Universidade Federal do Maranhão e mestre em Políticas Públicas também pela UFMA. Assessora jurídica no Ministério Público do Estado. Vencedora do Concurso Literário do Grêmio Litero Recreativo Português, em primeiro lugar, na edição de 2019. Pesquisadora na área de violência de gênero. Escritora "de gaveta" desde os 10 anos e amante assídua da poesia.
Prosa Poética
Insisto em dizer que, se desbravarem minh'alma e perubambularem por cada canto dela, não se depararão com nada além de poesia vibrante, clamando para ser libertada. Queimando em fogo brando dentro de mim, consumindo-me por inteira, esmagando pequenas gotas de razão que ainda permanecem ali por engano.
Não tardei a perceber, no entanto, que o destino que traçaram a mim (alheio a minha vontade) chocava-se com minha essência, genuinamente poética. Enquanto primavam por meu conforto e estabilidade física, eu, presa à ideais tolos -se assim preferirem-, insistia na busca pela solidez do meu interior, pelo alcance de uma alteridade não fugaz. O futuro que a mim planejaram resplandeceu diante dos meus olhos, nauseando-me: eu, figura vil, sem jamais deixar transparecer o que quer que ameace minha sanidade. Então, eu mesma, já inebriada pela lógica que hoje repudio, ironizaria os sonhos que em outrora foram a base da minha existência.
Temo que as palavras entrem em a fuga diante da minha presença, quando eu já não for sensível à mágia que apenas elas são capaz de me proporcionar. Não seria capaz de sobreviver diante da rejeição daquelas que foram, durante muito tempo, minha única salvação. Temo que a sensação de contorcê-las ao meu modo, de sentir-me dopada pela lírica do meu verso, se resuma à lembranças e saudosismo inexpressivo.
E não posso deixar-me sucumbir ao que impuseram a mim. Não notaram que se assim o fizesse, arrancaria tudo que há de fértil em mim, eu aprodeceria, iria manter-me em sufoco interminável, sem alívio.
Peço desculpas, mas preciso das palavras fervendo dentro de mim para perceber-me digna da vida.
Puramente Poesia!
Ainda que falte-me amores, tempo e dinheiro
Sei que em ti posso confiar,
minha querida poesia
Percebo que tu és,
Não tâo somente minha dor,
mas todo misto de alegrias, dúvidas e devaneios que partem do meu ser
cuja imaturidade dos versos insistem em desiludir-me irrefutavelmente
Tu, só tu
És capaz de transporta-me para o mundo que eu quiser
E permites-me escolher quem julgo merecedor, para conhecê-lo também
Portanto, se me perguntarem o que faço, do que gosto e quem sou
Responderei sem pensar:
Puramente poesia!
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