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Sábado Poético: Francisco Tribuzi, Pedro Sampaio, Lilian Costa, Tonicato Miranda e Tião Pinheiro

Academia Poética Brasileira.

03/04/2021 11h46 Atualizada há 1 dia
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
capa
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FRANCIUSCO TRIBUZI, São Luís-Maranhão

Quando um poeta morre

Francisco Tribuzi

 

Francisco Tribuzi.

Quando um poeta morre

O sol murcha de silencio

As manhãs se angustiam

Com suas pétalas de dor

 

Apagam-se as fases da lua

As estrelas cadentes

Os faróis distantes

Parte das tardes partem dos portos,

No caís palpitam trêmulos lenços de amor

Enlutam-se as lágrimas da chuva

 

A ânsia das noites

A melancolia das praças

Os entristecidos pássaros das torres das igrejas,

cantam nos cemitérios sem cor

 

No úmido chão onde é plantada

Sua alma de arminho

Nasce uma rosa desbotada

No cálido caminho

 

Dos seus cabelos pálidos de pó e bolor

Pela boca emudecida do poema

Fugindo da morte, da vida

Brota o infinito perfume da flor!

 

 

Mais uma de muita reflexão por conta da pandemia, que aumenta mais a necessidade de pensar nesses dias grandes, e refletir sobre todo sofrimento de Cristo no Calvário e também a sua vitória sobre a morte através da sua ressurreição. Tentamos dizer um pouco desse sentimento nesse soneto intitulado Soneto a Paixão. Como forma de desejar Feliz Páscoa a todos  Esse soneto deve ganhar melodia em linda música em breve com a maestria de JotAlencar e nossa marca  CEARENSIDADE EM MÚSICA E POESIA. (Pedro Sampaio)

Pedro Sampaio/FortalezaCE

Soneto à Paixão

Pedro Sampaio

Semana Santa é pra relembrar

Da Cruz e do Calvário

Onde vieram crucificar

O Filho de Deus libertário

 

Jesus Cristo o Redentor

O Cordeiro imolado

Nosso Rei e Salvador

Que nos livra do pecado

 

Sua palavra é o nosso norte

Ele é vida após a morte

É a própria ressurreição

 

A fé que nos faz crescer

Nos leva na vida a crer

Em Jesus e sua Paixão

     (Pedro Sampaio)

SÁBADO POÉTICO

 

Lilian Costa./SLuísMA

Bruxaria

Lilian Costa

 

Eu assisto filmes que ninguém vê

Eu leio livros que ninguém conhece

Eu ouço músicas que ninguém escuta

Eu me escondo de quem me procura

Eu falo com ausentes

E ignoro vivos que me rodeiam

Eu danço nua pra lua cheia

Deixo o sol queimar meu corpo

Lavo minhas tristezas na chuva

Ando descalça na terra

O vento me sussurra segredos

Parece até brincadeira

Por tudo que me julgaram

“É ela de cabelo vermelho, a noiva do diabo!”

Por isso minha casa é solo sagrado

Ninguém passa do sal bem alinhado

“Mas você é esquisita, diferente que dá medo.

Nunca te vi de rosa, sempre se veste de preto”

Sou uma mulher inteira

Mas pode me chamar de feiticeira

 

 

Tonicato Miranda/ CuritibaPR

O Interregno do Abstrato

Tonicato Miranda

 

Quando me sinto assim

por dentro e por fora,

denso, congestionado

como um rio após a enchente

deito-me na minha margem

olho o céu, vejo esta claridade cega.

Ela impedindo enxergar outras estrelas.

Elas tão longe de mim, tão perto deles

dos outros seres, em outras margens.

Anseio pela noite

para ver seus brilhos

quase no infinito,

cegando suas vizinhanças

onde não estou, nem jamais estarei.

Quanta bobagem! Para que viajar

para tão distante de mim

e desta margem?

Olha! Ali está uma flor.

Esta é a visão a importar.

Ela está ali, tal qual estou aqui

a olhá-la, a apreciá-la.

Sou o orgulho dela.

Ela bebe sua vaidade com meu olhar.

Eu?! Bebo seu perfume, suas cores.

E que importa a cegueira

das luzes alhures,

lá no inalcançado?

E este Sol a empanar a noite?

Eu e a flor estamos presos

tendo o belo a nos aproximar.

Basta este interregno do abstrato

a nos fazer parceiros.

Eu, com meu olhar;

ela, com seu orgulho.

Ambos a nos amargurar

por mais aproximação e luz

nesta margem de intimidades

onde eu abelho sua beleza.

 

Tião Pinheiro/PalmasTO

Que não nos adiemos

Tião Pinheiro

 

desde sempre a gente sabe disso

e ainda assim não aprende:

mal acordamos

e já atropelamos o bom dia

com o pensamento no almoço,

nem sentimos o aroma do café

e já imaginamos a sobremesa;

 

e adiamos o sim

para quando o não é sina...

 

desde sempre a gente sente isso

e mesmo assim não aprende:

mal nasce o sol

e já vivemos a ansiedade do poente

com a proximidade do fim,

nem refletimos o amanhecer

e já sofremos com a escuridão;

 

e empurramos o agora

para quando só lembrança será...

 

desde sempre a gente conhece isso

e ainda assim não muda:

mal se abre o riso

e já sofremos o temor das lágrimas

com o turbilhão de sentimentos,

não assimilamos as lições do andar

e já nos punimos com a indecisão;

 

e guardamos o abraço

para quando depois não haverá...

 

desde antes a gente sabe disso

e mesmo assim não corrige: 

mal chegamos perto

e já ignoramos o amor

com a expectativa da paixão,

não vivemos o que temos 

e já sofremos pela ausência;

 

e adiamos o perdão

para quando já se foi quem nos feriu:

é preciso não nos adiarmos tanto

porque incerto é o amanhã...

 

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