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Convidada: Sharlene Serra traz um texto onde passeia cronologicamente pelo mês de abril

"Abril, finaliza com poesia, lembra da data muito embora esquecida, e inteligente como é, abril não se esquece e prestigia no dia 30 o dia Nacional da Mulher".

29/04/2021 10h20 Atualizada há 1 semana
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Sharlene Serra
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Passeio cronológico no mês de abril - Uma forma de eternizar datas para que sejam lembradas sempre. 

Convidada: Sharlene Serra.

Quinta 01 de Abril de 2021. Continuamos em necessário isolamento. Lives são point de encontro, saraus on line, o virtual sendo o real, poderia ser mentira, mas continua sendo verdade. Agora, o vírus tem variante e o mês de abril já se abre com a manchete: “abril de 2021 torna-se o mês mais letal da pandemia no Brasil. O medo retorna mais forte, poderia ser mentira, mas não é! Lembro da infância e das brincadeiras ingênuas sobre o primeiro de abril, das risadas e dos chamados trotes que às vezes até sem graça, nos levava a um riso, neste dia a mentira estava liberada, mentiras sem grandes proporções, diga-se de passagem, mas isso que se perdeu no tempo, hoje os jornais noticiam uma verdade que nos aterroriza. A vacina é a verdade que nos abraça.

Olho para o relógio, já era tarde, desligo a TV, sigo para o quarto, na intenção de dormir. Sim! Queria dormir e acordar quando esta guerra invisível passasse. A mente agitada, na companhia da insônia não permite que o sono chegue, a insônia me faz companhia e diz: - Calma! dia 02 de abril está chegando, vamos amanhecer entre histórias, lembrando do universo mágico dos livros. E sem sono, obedeci, peguei alguns livros e espalhei ao meu lado e dessa forma, envolvida com as histórias, esperei dia 2 de abril chegar.

Dia mundial do livro infantil, uma data que merece ser lembrada por celebrar a literatura infantil e homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, um dos principais nomes da literatura mundial, autor, por exemplo, de obras como A pequena sereia, Patinho feio, Soldadinho de chumbo, e da Rainha da Neve, livro publicado pela primeira vez no dia 21 de dezembro de 1844 e que foi inspiração para o recente filme “Frozen”, da Disney.

Mas o dia 2 de abril não se limita apenas nos livros, mas também para informar, conscientizar. E nessa preocupação foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia Mundial de Conscientização do Autismo, com o intuito de alertar as sociedades e governantes quanto aos   esclarecimentos sobre o autismo, no sentido de derrubar preconceitos. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico que, embora se apresente em diversas maneiras, caracteriza-se principalmente pela dificuldade de comunicação e interação social, bem como comportamento e interesses repetitivos ou restritos.

As reflexões tanto sobre o livro e sobre a conscientização do autismo, me amanhecem e permanecem em mim, no desejo que elas ganhem vida, para que estejam presentes todos os dias, e a sociedade entenda que a importância dos livros e o respeito as diferenças, não precisam de datas.

Quatro dias depois, chega dia 6 de abril e o calendário sinaliza novo momento que requer comemoração:  Dia municipal da literatura inclusiva, Lei nº 6.398/2018 criada em São Luís do Maranhão pela vereadora Concita Pinto onde a escritora Sharlene Serra foi a inspiração para a data. O dia se propõe para uma maior visibilidade do gênero literário que se direciona para o respeito as diferenças. O universo da literatura inclusiva é amplo, onde a acessibilidade na literatura se faz necessária. Desde muito cedo é preciso falar sobre individualidades, orientar sobre empatia. Precisamos ensinar as crianças sobre a sensibilidade, o olhar para o outro, exercitando e orientando para o respeito. Logo é importante saber conduzir pois alguns assuntos necessitam de informações e a literatura inclusiva direciona.

O mês de abril vai tomando forma de livro, de conscientização e de inclusão.  

Chegou dia 8 de abril e lembrei que já faz muito tempo que eu não dou risadas com os meus amigos com deficiência visual, culpa desse momento que estamos vivendo, confinada em casa e sempre com as mesmas pessoas, alarmada com os números de amigos, parentes que partiram e os desconhecidos que estão se multiplicando nos hospitais. É algo desesperador.  A lembrança nostálgica me fez companhia, fui muito tempo ledora, lia para crianças cegas e naquele momento, confesso, foi na companhia de cegos que eu aprendi a enxergar, hoje é o dia Nacional do braile, um marco para a inclusão de pessoas com deficiência visual. O braile é um sistema de leitura e escrita tátil, 63 combinações que propõe uma reflexão sobre a importância de termos livro com os escritos em relevo, para proporcionar iguais oportunidades de leitura e acesso a informação, além de refletirmos sobre os desafios enfrentados pelas pessoas cegas.  Embalada nas reflexões, chega o dia 9 de Abril, dia nacional da biblioteca, esse universo mágico dos livros, onde a biblioteca oportuniza apoio para o fortalecimento e enriquecimento dos saberes, valorizando a leitura como parte do processo.

Sharlene Serra.

Os dias passam, seguimos para 14 de abril, dia de luta pela educação inclusiva. Eu, que sempre fui atenta a estas datas, vejo que elas nascem para serem apenas norteadoras, a luta é diária e não em um único dia do mês, que as práticas sejam constantes, o respeito, as ações, as orientações devem ser sempre, para que quando a data oficial chegar, possamos apresentar resultados das ações vividas e construídas no dia a dia.

Eu, durante todo mês, envolta de livros infantis, passeio nas páginas deles e contemplo as ilustrações, descrevo-as em cada detalhe e encanto-me com pois sei que cada texto foi materializado e transformado em obra de arte, pauso e pego o calendário vejo o dia de hoje:  15 de abril, dia mundial do ilustrador, a eles nosso respeito.

Abril é assim, repleto de datas importantes de muita reflexão, datas que precisam ser mencionadas sempre.

Passo na cozinha, tomo água. Volto pra sala e desligo a TV, pego um livro, uma variedade de autores e suas histórias.  Nestes dias, amanheço , adormeço repleta delas,  e de repente chega o dia 18 de Abril, e me vejo pensando em Monteiro Lobato, ele passeia pela nossa infância e  lembro que fizemos morada nas histórias dele, mas quando o dia se refere a comemoração Nacional do livro infantil, insisto em  dizer que esta data contempla  todos os autores  que se dedicam a literatura infantil, e que não podem ser esquecidos neste dia, pela sua importância na continuação do que Monteiro Lobado iniciou, citemos alguns: Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ziraldo, Edimilson de Almeida Pereira, Eraldo Miranda, Wilson Marques, Anizia Nascimento, Natinho Costa Fênix e até quem está  aqui escrevendo, entre outros. Adormeço nas asas dos livros e amanheço no dia 19 de Abril, dia de reflexão sobre os povos indígenas, a escolha da data recorda a realização do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu em 19 de abril de 1940 em Patzcuaro, México. No Brasil, a data foi oficializada através do Decreto-lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943, e tem como objetivo mostrar à população brasileira o quanto o povo indígena contribuiu para a nossa formação.

Os dias passam, abril é esse mês de uma energia surpreendente, seguimos pelo calendário, dia 23 de abril, uma data, duas grandes comemorações: Dia Mundial do Livro e dia Nacional de Educação dos Surdos, uma data de muitas lutas. Representam  inclusão, tanto para o acesso à leitura quanto para a pessoas Surdas e  o dia 24 de abril  fecha este momento com chave de ouro, dia  Nacional da LIBRAS- Língua brasileira de Sinais, que a Lei 10.436/02 reconheceu como meio legal de comunicação e expressão. Levantei do sofá, abri a janela e fui olhar a vida passeando, ao longe , vejo o vizinho que é surdo, ele acena  de longe, eu também, e  mostra sua  mão direita  fechada (na configuração da letra “S” do alfabeto  em LIBRAS) no peito esquerdo e faz círculos continuo,  diz assim, o quanto está com saudades, meu olhos ainda não conseguem ouvir a LIBRAS com fluência e profundidade, porém entendem sobre saudade,  imediatamente  de longe, fiz o mesmo sinal, seguido com um coração, unido minhas mãos e pulsando ao vento. Ele fica feliz, um vizinho maravilhoso, um grade amigo.

Retorno os dias, entre livros e lives, abril está chegando ao  fim,  pauso no dia 28 de abril, dia mundial da educação, e mais uma vez a reflexão : a pandemia silenciosamente está prejudicando muito alunos,  porém, devemos ter em mente que a data  se refere para ver a educação na perspectiva familiar, escolar e social, no sentido de  incentivar e conscientizar  sobre a importância da educação para a construção de valores essenciais na vida em sociedade e  também do convívio saudável com os outros, data que deve ser lembrada todos os dias, para  que a educação seja de fato, valorizada.

 Coloco uma canção relaxante, já sinto Abril se despedindo de todos e neste momento ele me abraça forte, sinto sua energia, a sua intenção, o seu aprendizado, foi exatamente no mês de abril que eu nasci, me tornei mãe e que vivi  muitas emoções. E ele já com a sensação de dever cumprido, continua com seu abraço, sabe que já está partindo para dar lugar a outro mês, um mês que chega com aroma de mãe.

 Abril, finaliza com poesia, lembra da data muito embora esquecida, e inteligente como é, abril não se esquece e prestigia no dia 30 o dia Nacional da Mulher. 

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Sharlene Serra – de São Luís Maranhão, poeta, escritora. Graduada em desenho industrial, pedagogia e especialista em Ed. inclusiva, autora do livro Aprendendo com Biel, que aborda sobre a síndrome de Down na literatura infantil (Coleção Incluir) participações  em diversas antologias/coletâneas nacionais. Tem 7 livros publicados.

Membro da Academia Poética Brasileira, vice-presidente da AJEB- Associação de Jornalista e Escritoras do Brasil, coordenadoria do Maranhão, membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira

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