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Academia Poética Brasileira elege e empossa novo imortal para a Cadeira de número 94

Todos os 100 membros-fundadores serão os Patronos das Cadeiras, a partir de agora.

02/07/2021 às 11h41 Atualizada em 04/07/2021 às 22h57
Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
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Rogerio Rocha
Rogerio Rocha

Posse do acadêmico eleito ROGÉRIO HENRIQUE ROCHA

Discurso de Recepção: Acadêmica Linda Barros

Senhor Presidente Mhario Lincoln 

Senhor Vice-Presidente Edomir de Oliveira

Demais Confrades

 

Hoje esta egrégia Academia tem a honra de receber mais um ilustre membro para compor seu quadro de intelectuais: o filósofo, poeta, professor e produtor cultura Rogério Rocha.

Exímio conhecedor da palavra, Rogério é Bacharelando em Letras, dai seu encantamento pelo mundo da poesia. Caminhou também pelas vertentes filosóficas, onde é licenciado em Filosofia e professor dessa área e subsequentemente fez pós-graduação em Ética. O jovem escritor não se contentou tão somente em uma carreira linear específica, ou em um único eixo do conhecimento, resolveu aprimorar suas nuances intelectuais, elevando-as a outros patamares.

A área jurídica já corria em suas veias, foi então que se graduou em Direito e dando continuidade a esse caminho, fez pós-graduação em Direito Constitucional. Hoje ele também é técnico judiciário e ex-assessor jurídico. Rogério Rocha é também Mestre em Criminologia pela Universidade Fernando Pessoa (Porto/Portugal).

Acadêmica Linda Barros.

Desde muito cedo sempre teve interesse pela poesia, apoiado em leituras de grandes intelectuais da Literatura Brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, entre outros, seu destino não poderia ser outro senão estar inserido no também mundo dos intelectuais. 

Rogério Rocha é autor de “Pedra dos Olhos”, obra que reúne uma produção poética correspondente a trabalho de pesquisa de longos 30 anos. O escritor é membro-fundador e organizador dos projetos Iniciativa Eidos e Duo Litera. Participou da antologia “Os Melhores Poemas de 2016”, onde foi lançado durante o 3º Salão do Livro de Lisboa. Participou também da Antologia de Novos Poetas Maranhenses, promovido pela Amei.

Nem precisa dizer nem mensurar o tamanho da importância desse intelectual nos anais da Academia Poética Brasileira, pois por si só, Rogério Rocha traz consigo um arcabouço de conhecimento e riqueza literária para nossa Academia.

Rogério Rocha é maranhense da cidade de São Luís. 

É filósofo, poeta, produtor cultural, pós-graduado em Direito Constitucional (Universidade Anhanguera-Uniderp), pós-graduado em Ética pelo IESMA, Graduado em Filosofia (UFMA) e Bacharel em Direito (UFMA). É mestre em Criminologia pela Universidade Fernando Pessoa (Porto/Portugal) e bacharelando em Letras pela Estácio.

Exerceu a advocacia e foi assessor jurídico. É membro-fundador e organizador dos projetos INICIATIVA EIDOS e DUO LITERA, que trabalham com a realização de eventos com temas nas áreas de filosofia e literatura.

Participou da antologia "Os melhores poemas de 2016", lançada durante o 3º Salão do Livro de Lisboa, que reuniu autores de vários países de língua portuguesa, e da Antologia de Novos Poetas Maranhenses (AMEI). Foi segundo colocado no Concurso Gonçalves Dias, no ano de 2019. É autor do livro de poemas Pedra dos Olhos (lançado em janeiro de 2020).

Obras no prelo: "Cânticos noturnos para ilhas devastadas" (poema); "Caderno de grifos" (poema).

Rogério Rocha é proprietário do canal Roger Filósofo, no YouTube, onde produz e apresenta conteúdos sobre filosofia, direito e literatura. Atualmente é servidor do Poder Judiciário Estadual maranhense.

DISCURSO DE POSSE DE ROGERIO ROCHA

Para quem não me conhece - e até pouco tempo eu era, para muita gente, com certeza, um total desconhecido - tenho uma relação especial com a filosofia, com o direito e a literatura. Nas duas primeiras áreas pela formação universitária em cursos superiores, tendo em conta a licenciatura em Filosofia pela UFMA e o título de especialista (paradigmas da pesquisa em ética), concluído junto ao IESMA, bem como pelo bacharelado em Direito pela UFMA e um Mestrado em Criminologia pela Universidade Fernando Pessoa. Ademais, advoguei durante seis anos, inclusive desenvolvendo trabalhos em prol de causas sociais, tendo assumido, logo em seguida, o cargo de técnico judiciário na justiça de 1º grau do estado do Maranhão, por meio de aprovação em concurso público.

Tive ainda a experiência do magistério junto ao ensino médio e técnico, com passagem pelo Instituto Federal Tecnológico do Maranhão, onde lecionei as disciplinas de sociologia, metodologia do trabalho científico e filosofia. Filosofia, aliás, que ocupa um lugar especial na minha jornada. Ao pensamento filosófico atribuo parte essencial da transformação que decidi viver, ao permitir, com a percepção mais acentuada das circunstâncias, estabelecer em mim um profundo humanismo, um otimismo realista e um caráter moldado em torno da necessidade de abertura para um ecletismo que tem-se consolidado diuturnamente em meu espírito.

Sempre interessei-me pelos meandros da alma humana, pelo mundo social, pela história das ideias, pela arte e pela cultura. O que me levou a confrontar as angústias com a curiosidade permanente, o anseio pelo conhecimento, no intuito de perseguir, senão respostas, ao menos pistas que me levassem à compreensão mínima dos fenômenos que impregnam o cotidiano de beleza e horror.

Rogerio Rocha, Cadeira de número 94/APB.

Minha história com a literatura começou quando descobri a leitura. Afinal, é sempre na condição de leitor que começa todo aquele que decide caminhar pelas veredas da escrita. É uma pré-condição, portanto, visto que não há queima de etapa, nesse caso. Há, em verdade, a formação de um imaginário que floresce com a medida do aprofundamento das leituras, com a expansão do olhar para as nuances mais sutis do processo de criação literária e pela absorção de elementos da estrutura dos gêneros da escrita.

A admiração pelo espírito criativo de cada grande escritor, pelas técnicas de narração de contistas e romancistas, pela capacidade de transfiguração do real, de construção de novos mundos dentro do nosso, a abertura para um pensamento que também deita seu olhar crítico sobre os êxitos e fracassos da humanidade, dos indivíduos, da sociedade e suas instituições, levou-me a procurar absorver traços marcantes de suas produções e a tentar aprender com alguns autores e autoras que me antecederam.

Ao tempo das primeiras incursões livrescas, na adolescência, enquanto aluno do Colégio Dom Bosco do Maranhão, passando pela época de estudante universitário dos cursos de Filosofia e Direito, quando achava-me diante de conteúdos das ciências humanas e sociais, a participar de grupos de estudos e tendo contato com jovens poetas de São Luís, até o ingresso efetivo no mundo adulto e na vida laboral, tive a possibilidade de intuir que ali havia um caminho diferente a ser percorrido. E que aquele que durante anos fora um leitor apaixonado poderia dar um passo adiante, a começar pelos primeiros textos dissertativos, artigos científicos e para jornais da cidade, até ser tocado em definitivo pela poesia.

Daí em diante, confesso, dividido entre o trabalho e a necessidade de estruturar minha vida -  com a advocacia primeiramente, depois com o magistério e, por último, com a aprovação em concurso público, que me levou ao serviço público na justiça estadual do estado do Maranhão, como já disse - trouxe o universo da cultura e as coisas do espírito, ou, como queiram, a vida intelectual, como uma segunda instância das minhas ocupações diárias. 

Sem deixar esfriar a empolgação com o mundo da escrita, ocultei meus primeiros escritos, na medida em que os criava, enquanto, concomitantemente, dava sequência às leituras que formaram minha personalidade e influenciaram minha forma de ver e perceber a arte do pensamento através dos livros. 

Tornei-me um viajante, mesmo na solidão do quarto, e alimentei uma existência de longos anos de pouca vida social com a riqueza das narrativas presentes nos clássicos e contemporâneos. Um período em que avancei muito no plano da interioridade, do estabelecimento de algumas certezas em relação a meu futuro, da expansão do olhar e da sensibilidade, mirando desenvolver o senso prático que levasse também ao mundo da vida o equilíbrio entre razão e emoção.

Até começar a participar de coletâneas nacionais e internacionais, disputar os primeiros concursos literários e escrever o livro “Pedra dos Olhos”, a seleta de poemas que representa minha estreia no cenário da literatura maranhense, estive em contínua relação com a cultura. Foi justamente nesse solo fértil que pude plantar a semente daquilo que hoje, começo a realizar com mais apuro.

Num processo de amadurecimento natural, sem pressa (e talvez tardiamente), buscava em mim a voz, o gesto, o dito, o reflexo de um desejo, uma palavra, “a palavra”. Buscava tornar-me íntimo da nossa língua e nela erguer um lugar, meu próprio universo, para assim, então, habitar amorosamente a linguagem, essa casa do ser.

Ao performar a minha trajetória, na esperança de tornar viável a relação de proximidade com os espectros que compõem a existência literária, encontrei amigos de alma, coração e espírito. Comunguei com pessoas cuja força motivacional surgia do mesmo ambiente que a minha, com a mesma origem e os mesmos objetivos. A muitas delas sou grato pela dúplice colaboração: a da amizade e a dos ensinamentos.

Tendo chegado a este ponto, enquanto escrevo o presente texto, tenho dois novos livros de poemas a serem lançados, um de filosofia e outros dois estudos sobre filosofia do direito e direito constitucional em fase de atualização. Começo a produzir em áreas como a crônica e o conto, searas em que continuo a estudar e aprender com a humildade necessária, exercitando a arte da escrita dentro dos meios à mão, sem descuidar nunca da consciência de que, no ofício de escrever, estamos sempre a interpretar o grande livro do mundo, reescrevendo nossas obras dia após dia.

Dito isso, é imperativo enfatizar que sou grato pela indicação do meu nome, pelo poeta, jornalista e dramaturgo João Batista Gomes do Lago, para integrar a Academia Poética Brasileira. Também agradeço aos demais membros pela sua escolha e confirmação, bem como pelo trabalho magistral do seu presidente, o jornalista, escritor e poeta Mhario Lincoln.

Nascida contemporânea, a Academia Poética Brasileira redefine o modelo das tradicionais congregações literárias, propondo o ciberespaço como novo âmbito da reunião de artistas e produtores de cultura, no interior de uma grande comunidade virtual, a equilibrar tradição e a vanguarda no cerne do movimento de um único organismo. Fato que não impede, por outro lado, a existência de eventos e atividades presenciais, sempre que possível.

Por fim, impende frisar que minha chegada a essa instituição tem por marca a serenidade com que costumo dirigir os rumos da minha vida e dos meus projetos, envidando esforços para dar seguimento à missão de disseminar a cultura do livro e da criação do hábito da leitura, aliado ao esforço para exercer, com liberdade, equilíbrio e senso crítico, o papel reservado ao intelectual nesses novos tempos.

Meu muito obrigado!

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