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O que é guardado com tanto esmero na Antologia Fantasias de Amor, coordenada pela poeta Nauza Luza?

Nauza nasceu em Monção (MA) e reside há anos em Brasília DF. É Coautora em 60 antologias Poéticas.

18/11/2021 às 12h30 Atualizada em 18/11/2021 às 13h58
Por: Mhario Lincoln Fonte: Nauza Luza Martins
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Nauza Luza Martins
Nauza Luza Martins

Especial: Resenhas

*Mhario Lincoln

Uma antologia para cumprir o seu papel, necessário se faz que a escolha dos participantes sejam eméritas. Em caso contrário, serão publicações iguais a Listas Telefônicas antigas onde, em vez de endereços, constariam, somente, nomes aleatórios com rimas ou sem rimas. Por isso, resenhar uma publicação desse tipo urge-me desligar de amizades em todos os sentidos.

Desta forma, a análise desta Antologia acabou me levando para um lado bem diferente, quando fiz comparações entre o gênero antológico e a ressignificação da qualidade daqueles que nela se inscreveram. Há completa identidade com o tema e doação absoluta pela qualidade da produção física da obra. Há, inclusive, assimilação direta com a modernidade do século XXI, no que concerne à estética ideológica e à liberdade de expressão, em gênero, número e grau.

Isso me leva a pensar que são poucas as antologias – até agora analisadas por mim – que podem constar num universo não só lírico, mas num lugar de expressividade: “A obra chega para descortinar as comportas da emoção, desmistificando a beleza do amor, sem preconceitos e incoerências - Charlan Fialho (…)”. Perfeito!

Esse é o espírito de FANTASIAS DE AMOR, tão bem coordenada por essa poeta maranhense, hoje morando em Brasília há anos, Nauza Luza Martins, uma clássica agitadora cultural, para o bem do Brasil, cujas qualidades pessoais estão devidamente impressas nessa coletânea.

E isso fica claro quando diz, em um poema publicado na referida obra: “Agora não… Ainda não é tempo/ Você ainda tem que me aprender (…)”. Há profundidade e endereço nessa forma direta de massificar a sua aparente fragilidade lírica, diante de um furtivo amor ‘en passant’.

E por causa da imensa competência, Nauza acabou se esmerando na minuciosa escolha de participantes desse trabalho, onde se lê que tudo tem uma causa direta: seleção, organização e contextualização, porque, antologia não pode deixar de ter uma espécie de intratextualidade, ou seja, uma poética – nesse caso específico - acimentada por uma visão mais ou menos única de conteúdo e expressão.

O interessante é que o Amor, A Mulher, O Erotismo, A sensibilidade Física, seguem mais ou menos um mesmo ritual cabalístico, levando o leitor a um roteiro muito parecido com as histórias em quadrinhos, com começo, meio e fim, traduzidos em versos como, “(…) Teu doce desejo que faz alucinar/ A paixão e fantasias acontecer/ Momentos só nossos (…)”. de Gercimar Martins, Prefaciador da obra.

 

Divulgação.

Há também, uma liberdade explícita em culminar momentos diferenciados na vida romântica de alguns autores. Escolhi Charlan Fialho, para representar os demais, em razão de ter sido ele, o apresentador da referida Antologia: “(…) Devora-me na indecência/ Do meu prazer”. Fica claro a linha mestra de “Fantasias de Amor”, num momento que em as pessoas viveram meses de solidão e angústia diante dos acontecimentos pandêmicos ao redor do Mundo, entre 2020/2021.

Vê-se, também, como resultado ou não dessa privação social, o ultrarromantismo das mulheres poderosas que passeiam seus lirismos nas páginas desta obra, bem como a amostra dos diversos contornos do coletivo publicado, desde a ambiguidade da ideia até mesmo ao contraditório social, misterioso e imprevisível.

Tudo isso faz desta Antologia, não uma Lista Telefônica Antiga ou mesmo um Guia de Páginas Amarelas. Mas um significativo legado onde são reunidos insights de várias tendências emocionais, porém com unidade aderente, a fim de não ultrapassar a linha tênue entre o artístico e o imoral. Eis uma das qualidades que mais me chamaram a atenção nesse projeto.

Assim, esta obra é uma pitada de erotismo que não salga, nem insossa o prato. Mas o torna algo apetitoso, servido ‘ao ponto’.

E para finalizar, gostaria de salientar a presença especial de Elvandro Burity, representante da Academia Poética Brasileira nessa obra (apesar de não constar no minicurrículo, por algum descuido).

(…) meus versos são apenas cantiga./ Canto a vida sonhando/ e, assim, fujo do desencanto. / Pois se a vida anda maluca/ a nossa amizade me traz luz. (.,..)”. Elvandro Burity.

É exatamente essa luz que, através da amizade dessas duas pessoas que conheço e admiro muito, Nauza Luza Martins e Elvandro Burity, parabenizo efusivamente a todos os artistas da pena, produtores de cultura escrita, cujo poema de cada um, ajudou a iluminar o céu de nossos sonhos e anseios rapsodos.

Mhario Lincoln

Curitiba, 16.11.2021

Presidente da Academia Poética Brasileira

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