Editorias da Plataforma Nacional do Facetubes
O Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, há mais de um século acolhe profissionais do meio artístico que chegaram à velhice ou à vulnerabilidade sem apoio. Sob a direção de Stepan Nercessian, o espaço funciona como moradia, oferece cuidados básicos e preserva a memória de quem ajudou a construir a cultura brasileira. Agora, além de abrigo, o Retiro também se tornou um local de produção.
Isso porque a Netflix instalou ali um estúdio de dublagem, criando uma oportunidade concreta para que atores veteranos retomem o trabalho com a própria voz. A iniciativa surgiu de uma demanda crescente por vozes maduras nas produções exibidas no país e encontrou no Retiro um ambiente onde essa necessidade se conecta diretamente com o desejo de muitos artistas de voltar à ativa.
A ideia começou pequena, com testes em um estúdio na Barra da Tijuca. Os resultados positivos levaram à decisão de transferir a estrutura para dentro do Retiro, transformando um espaço antes silencioso em um ponto de criação e atividade profissional.
Entre os participantes estão nomes conhecidos do público, como Marcos Oliveira, lembrado pelo personagem Beiçola de A Grande Família, e Sônia Zagury, que integrou o elenco de Terra Nostra. Cerca de 12 artistas participam desta primeira fase. Além das gravações, eles passam por treinamento técnico e se adaptam ao ritmo específico da dublagem — uma prática que exige precisão, sincronia e domínio vocal.
O retorno ao trabalho representa renda e autonomia, mas também algo simbólico: a chance de recuperar visibilidade e continuar contribuindo com a própria trajetória artística. Para muitos, dublar não é apenas uma função; é uma forma de reconectar passado e presente.
Embora ainda seja um projeto de escala reduzida, a iniciativa chama atenção por unir necessidades complementares e gerar impacto direto. Se continuar avançando, pode inspirar ações semelhantes em outras regiões ou dentro do próprio setor audiovisual.
No fim, o estúdio instalado no Retiro dos Artistas reafirma a importância de valorizar quem ajudou a construir a televisão brasileira — e que ainda tem muito a oferecer.
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