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Adriano Siqueira, da APB, indica o texto da semana: "Portinari", pesquisa de Maria F. Dutra

Autorizado pela autora.

21/12/2021 às 15h35 Atualizada em 21/12/2021 às 16h12
Por: Mhario Lincoln Fonte: Adriano Siqueira
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Siqueira e Dutra.
Siqueira e Dutra.

Indicação: imortal Adriano Siqueira

Cândido Torcato Portinari

Matéria e Pesquisa: Maria Ferreira Dutra (foto)

Maria F. Dutra.

 

Muitos artistas dedicam a vida ao registro da cultura do seu país. É também o caso do artista plástico Candido Torcato Portinari.

A obra do artista plástico  Portinari é marcada por sua infância em Brodowski, onde nasceu no ano  de 1903.

Suas obras demonstram a importância da vivência e da observação das cidades do interior do estado de São Paulo.

Com apenas 9 anos de idade  seu talento foi demonstrado ao trabalhar como ajudante de um grupo de pintores italianos que decorava a igreja matriz.

Após essa experiência, seus pais o encaminharam para ter aulas com o artista Zé Murari e Vitorio Gregilini artista local que copiava estampas de santo. Os dois artistas tiveram papéis fundamentais  no início da carreira de Portinari.

Para dar continuidade à sua formação, ele mudou-se em 1919 para o Rio de Janeiro, onde inicialmente frequentou o Liceu de Artes e Ofícios e, um ano mais tarde, matriculou-se no curso livre de desenho na Escola Nacional de Belas Artes. Cidade Universitária da Univercidade Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ )

O pequeno Candinho saiu de Brodowski e tornou-se Candido Portinari, grande pintor do Brasil.

Portinari viajou, visitou museus, conheceu o trabalho de muitos outros artistas. Aprendeu muito, mas quase não pintou. Viveu um tempo em Paris onde conheceu a  jovem uruguaia  Maria Victoria  Martinelli  e no ano de 1931, voltou ao Brasil casado com ela que foi sua companheira durante toda a vida e mãe de seu único filho, João Candido Portinari.

Considerado o pintor oficial do País,  Portinari fez muitos trabalhos para o governo, decorando prédios, igrejas, bancos e escolas com temáticas que variaram entre brincadeiras infantis e cenas religiosas e históricas.

Suas obras mostram a realidade com a qual ele conviveu em sua infância, suas observações da vida dos lavradores e  retirantes e um empenho em retratar a história, a tradição e a religiosidade dos brasileiros.

Além de pintar,  Portinari escreveu poemas como:

O Menino e o Povoado  ( Não tínhamos nenhum brinquedo ) de 1958, Deus de Violência, O Menino e o Povoado (Saí das águas do mar)  O Menino e o Povoado ( Sentia-me feliz quando Chegava um circo), Respirar, Sobressalente  entre outras poesias que poderiam encontrar nas redes ou adquirindo livros do artista e poeta.  

POEMA DE PORTINARI

O Menino e o Povoado [Não Tínhamos nenhum brinquedo]

Não tínhamos nenhum brinquedo

Comprado. Fabricamos

Nossos papagaios, piões,

Diabolô.

A noite de mãos livres e

pés ligeiros era: pique, barra-

manteiga, cruzado.

Certas noites de céu estrelado

E lua, ficávamos deitados na

Grama da igreja de olhos presos

Por fios luminosos vindos do céu

era jogo de

Encantamento. No silêncio podíamos

Perceber o menor ruído

Hora do deslocamento dos

Pequenos lumes... Onde andam

Aqueles meninos, e aquele

Céu luminoso e de festa?

Os medos desapareciam

Sem nada dizer nos recolhíamos

                                                   Tranquilos...                                           

Portinari

Candido Portinari pintou quase cinco mil obras de pequeno esboço a gigantescos murais. Foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional. 

Nas suas obras o artista também demonstrou seus medos de criança e os retratou em pinturas de espantalhos.

O quadro O "Espantalho" que também é título de outras obras criada por ele, se refere aos  bonecos das plantações que tanto o assustaram em sua infância.

Retinantes.

Outra cena familiar para os amedrontados olhos do menino foi a presença dos retirantes nordestinos nos arredores de sua cidade natal. Vindos das terras secas do Nordeste, os migrantes buscavam trabalho nas fazendas de café e de outras lavouras. Cansados, com suas trouxas penduradas e com crianças no colo, andavam pelas ruas da cidade, causando piedade no menino que cresceu acompanhando esse problema social.

“Os retirantes vêm vindo com trouxas e embrulhos.

Vêm das terras secas e escuras; pedregulhos

doloridos como fagulhas de carvão seco”

(Deus de Violência,  Candido Portinari)

Em pequenas páginas de desenhos ou em painéis e murais de proporções gigantescas, ele produziu imagens de nossa terra e de nossa gente que podem ser vistas em museus e edifícios no Brasil e no exterior, contando a sua história e a do País. Alguns trabalhos estão permanentemente exibidos na casa onde ele morou durante a infância e a juventude: o Museu Casa de Portinari.

O artista, que passava horas fechado em seu ateliê em contato com os elementos tóxicos de suas tintas, foi vítima de intoxicação e não atendeu aos pedidos dos médicos para que se afastasse da pintura. Ele dizia: “Estou proibido de viver, aconselhado a não pintar”.

Portinari faleceu aos 58 anos, em 1962, e sua vida de pintor deixou a pergunta: “A morte será colorida? Qual a cor do outro lado?” Além das suas próprias histórias, Portinari também ilustrou as de outros autores. Seus desenhos estão presentes em alguns livros como Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista, de Machado de Assis, Dom Quixote, de Cervantes, e Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden.

Entre seus trabalhos como ilustrador, destacam-se os 21 desenhos a lápis de cor realizados para o livro Dom Quixote, narrando as andanças do cavaleiro e de seu fiel escudeiro Sancho Pança.

Chama atenção, no entanto, a genialidade das imagen que produziu para o único livro infantil que ilustrou: Maria Rosa  escrito por Vera Kelsey.

Os poemas, as pinturas e os desenhos de Portinari constroem sua trajetória artística, unindo à sua história a história de sua terra – o Brasil. Os temas apresentados nas diferentes linguagens possuem uma gama infinita de leituras e possibilitam reflexão sobre as relações entre texto e imagem, a observação da vida e a sua representação.

Café..

O café  de 1935 

Portinario  foi um artista contemporâneo  e o café  é uma das suas grandes obras  testemunho do período áureo do produto  muitos das suas telas registram essa temática em retrato de trabalhadores fragado em diferente movimento de produção no cafezal.

O Mestiço.

O Mestiço1934

Retrata a miscigenação  dos povos que compões  a sociedade brasileira, nossa origem híbrida fruto  originada da mistura europeia com os negros e o índios. 

Óleo sobre tela 81x 65 cm 

Está na Pinacoteca de São Paulo.

 Os Retirante de 1944  Sua tela mais famosa  que retrata a família pobre vítimas da seca no nordeste brasileiro. pintado em Petropolis  eterniza  aqueles que vivem em condições  sub-humanas e precisam emigrar  para conseguirem sobreviver.  Dimensão 190x180cm pintada a óleo. 

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