Convidado Especial: Marcos Fábio Belo Matos*
O título é exatamente este: “@”. É uma marcação moderna para designar, em um texto, tanto o gênero masculino quanto o feminino, quando se quer referir aos dois, ao mesmo tempo.
Aprendi isso uns anos atrás, numa palestra a que fui, na Ufma de São Luís, e lá estava uma professora que tinha escrito um livro sobre gênero e abordava a marcação da @. Achei convincente e, desde então, tenho usado esse formato. Não sei se mais gente usa. Muita gente ainda prefere a marcação tradicional: “Senhor(a)”; “Amigo(a)”; “Moço(a)”; “Aluno(a)”, etc.
Esta marcação tradicional, na minha concepção, apesar de se referir aos dois gêneros, traz ainda a marca da importância do masculino – pois perceba que, em geral, é ele que vem em primeiro plano, em primeiro lugar na referência. Quase ninguém, ao usá-la, escreve, por exemplo: “Advogada(o)”; “Engenheira(o)”; “Religiosa(o)”; “Candidata(o)”. É uma nominação quase automática colocar o masculino primeiro. Com a “@”, esse problema de precedência acaba, porque não se sabe quem está sendo nominado primeiro; não há parênteses: “Moç@”; “Prefeit@”; “Missionári@”; “Vereador@”. Quem vem primeiro? Quem @ autor@ do texto quiser; quem @ leitor@ preferir...
Parece um detalhe – e, por ser detalhe, pode soar como desimportante –, mas é preciso, para quem acredita na equidade dos gêneros (e para quem luta por ela), começar a desconstruir os conceitos masculinizados da língua. A língua portuguesa é, fundamentalmente, masculinizada. Há vários exemplos nela. Um deles: a gramática, no tópico “concordância nominal”, diz que, na presença de dois sujeitos de gêneros diferentes, a concordância será feita, sempre, com o “masculino plural”. Exemplo: João e Maria estavam “deitados”; Maria e João estavam “comprometidos” com aquele projeto; Maria e João vão ao teatro “animados”. E por aí vai. Deve haver uma centena de justificativas – históricas, linguísticas, epistemológicas, bíblicas, ontológicas, filosóficas, filológicas, etc, etc, etc – para dizer que é assim mesmo que tem que ser. Para mim, a despeito das justificativas científicas, é uma questão de posição de quem concebeu assim as teorias...
Lembro que, no começo de 2016, estava no pós-doutorado e fui convidado para uma banca de tese. Era uma tese sobre a utilização de sites e páginas no Facebook por pessoas que gostam de viajar, na perspectiva da midiatização dessas práticas. Chamou minha atenção o fato de, em dado momento, a autora se referir ao seu grupo de pessoas que usavam as páginas estudadas como “os turistas”. Aí eu fiz a pergunta fatal: “Mulher não viaja?”. E sugeri que ela corrigisse e passasse a usar a marcação da “@”, que, expliquei, era moderna (portanto, mais midiatizada) e igualava a tod@s.
Talvez nada mude no mundo, em relação à igualdade entre homens e mulheres, se você começar a usar a “@” para marcar ambos os gêneros, nos textos: as mulheres continuarão desprestigiadas no mundo do trabalho, do capital, na vida doméstica e em certos grupos sociais. Talvez a sua vizinha não deixe de levar pancadas do marido ou namorado. Mas no seu texto – ao menos no seu texto – haverá um espaço de igualdade.
------------------------
Marcos Fábio Belo Matos – jornalista e professor do Curso de Jornalismo da Ufma ([email protected]).
Bahia Concurso para Escritores Escolares tem inscrições prorrogadas até 31 de outubro
Educação Aula em praça pública homenageia legado de Paulo Freire
Educação Unidade do ITA no Ceará desenvolverá estudos sobre energia
Bahia Conselho Estadual de Educação publica portaria para a inclusão da educação artístico-literária, no sistema estadual de ensino da Bahia, assinada na FLIGÊ
Bahia Colégios estaduais celebram Dia do Estudante com arte, cultura, ciência e esporte, durante todo o mês de agosto
Educação UFRJ vai buscar cotistas que abandonaram a faculdade, diz novo reitor Mín. 10° Máx. 23°
Mín. 14° Máx. 24°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 14°
Chuva
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
Academias Brasil/Exterior Coirmãs JOÃO AURÉLIO DO VALE: “ENQUANTO HOUVER QUEM CARREGUE ESSA BANDEIRA, A HISTÓRIA DO MEU PAI NÃO IRÁ MORRER”