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Poeta curitibano Tonicato Miranda, excerta João Batista do Lago, poeta maranhense

JB do Lago é membro da Academia Poética Brasileira.

07/05/2022 às 12h40 Atualizada em 10/05/2022 às 09h54
Por: Mhario Lincoln Fonte: João Batista do Lago
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Tonicato Miranda e JB do Lago
Tonicato Miranda e JB do Lago

Especial Poeta João Batista do Lago

"Meu caro João, você, com este poema, fez minha manhã ser garbosa e misteriosa como a noite, com versos misturados à prosa, tais como este "Somos a lua cheia ensolarada e somos o sol enluarado do meio-dia", convidando-me a passear pelas sacadas, janelas e telhados de São Luiz, mas não com suas putas, de quem tem ciúmes e não as divide com ninguém. Esta obra, ofertório às putas, deveria estar na porta de um bordel da cidade; você deveria estar porta à dentro do lupanário, tal qual Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa, tomando café com elas, depois bebendo uma cachacinha das boas com elas; pintando com as letras poesias no bailado delas, nas risadas delas, nas vestimentas delas; porque agora você conseguiu ter cadeira cativa no coração delas, nos fartos seios dela, e até nos xibius delas, e por que não? O amor ali acaba, ali começa, rebentando o gozo em mais um homem; mais uma mulher; ou um viado, que seja; populando - e não povoando - o planeta, desde o Homem de Neandertal. Tenha um Bom Dia. Abraços". Tonicato Miranda, poeta curitibano.

A MANADA

De João Batista do Lago

 

Vês toda aquela gente,

De odor pungente,

Prostrada e carente,

Necessitada e demente,

Quer da igreja que mente,

Comer a hóstia indecente,

Pensando salvar-se inocente.

Todos filhos degenerados,

Súcia de espíritos adulterados,

Manada de desgraçados,

Rezando o terço consagrado

Faina dos bem-abjurados

Camelos de erros não perjurados

Corpos agora defenestrados

Imunda procissão de humanos

Saudando a vida do carcamano

Implacável, cruel, bárbaro, inumano

Larápio de consciência sob o pano

Assassino que veste a pala do decano

Escondendo o desprezo desumano

Subjugando todos com olhar profano

Ali todos estão divinamente como súcia:

Corpos adestrados e mansos e dóceis

Cada qual com seu jacá de pecados

Prontos para a glória dos seus nadas

Fervorosos adoradores do invisível anjo

Vampiro que lhes bebe os sangues

E os vela na pedra fria de inútil vida

 

 

AS PUTAS DE UPAON-AÇU

De João Batista do Lago

 

I

Agora as vejo com clareza plena!

Quão plenas quanto o dia.

Despudoradamente belas – assim como a lua cheia surgente por detrás do atlântico mar!

II

Sim, elas são as minhas putas!

Tão dóceis; tão fáceis; tão dis-putadas pelos falocêntricos poetastas que mal cabem em seus pijamas com odores de carmim e cocô envelhecidos…

Porém, elas são as minhas putas. E não as quero dividir com ninguém.

III

Todas as sacadas já foram criadas.

Mas, as janelas também estão abertas como ofertório de ubres e de ventres das putas que me amam, assim como eu as amo… também as amo assim sobre os telhados, onde nossos sexos se comprazem numa só loucura antropofágica, onde apenas nós bebemos o vinho puro de nossos gozos, onde não precisamos de sacristias para nos dizermos deuses.

IV

Eu e as minhas putas somos assim:

sacadas

e janelas

e telhados.

Somos a lua cheia ensolarada e somos o sol enluarado do meio-dia, pescando dos mares que nos rodeiam o peixe mais puro, donde faremos o banquete nupcial de nossas almas e corpos ardentes da pulsão plena da existência. E assim sendo somos a plena e infinita natureza… E elas, as minhas putas, veneráveis deusas!

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