Hoje abro espaço para meu repórter Uimar Junior que fala sobre Graça Aranha. Essa matéria foi publicada em seu facebook, de 27.07.2022, com autorização para compartilhamento.
"CURIOSIDADE: Graça Aranha foi o único fundador e escritor que estabeleceu uma ligação com a Academia Brasileira de Letras, sem ter publicado uma obra."
Livro de Graça Aranha O MEU PRÓPRIO ROMANCE
Edição comemorativa aos 150 anos de nascimento de escritor. (5° edição/EDUFMA).
O livro encontrei na última Feira do Livro de São Luís ,do ano passado, na Praça Maria Aragão. Não lembro a livraria , só sei que olhei de longe em um emaranhados de livros . Só tinha ele e eu doido para comprar mais.
PORQUE GRAÇA ARANHA NÃO TEM O RECONHECIMENTO MERECIDO NA SUA PROPRIA TERRA. NEM ESTÁ ENTRE OS ILUSTRE BUSTOS DA PRAÇA DO PANTHEON???...
SERÁ QUE AINDA ATÉ HOJE NÃO É VISTO COM BONS OLHOS DEPOIS DA FRASE :
“Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia!”
“A Academia Brasileira morreu para mim, como também não existe para o pensamento e para a vida atual do Brasil. Se fui incoerente aí entrando e permanecendo, separo-me da Academia pela coerência.”
Seu romance "Canaã" abriu o período Pré-Modernista, compreendido entre 1902 e 1922. Além de apresentar o grupo modernista aos patrocinadores da Semana de 22, fez o discurso inaugural do evento.
Filho de Temístocles da Silva Maciel Aranha e uma das filhas do Barão de Aracati, Maria da Glória de Alencastro Graça, cresceu em meio a uma família abastada do Maranhão.
Graça Aranha se graduou em direito pela Faculdade do Recife e exerceu cargos na magistratura e na carreira diplomática. Como diplomata, serviu em Londres, com Joaquim Nabuco, e foi ministro na Noruega, Holanda e na França, onde se aposentou.
Assumiu o cargo de juiz de direito no Rio de Janeiro, ocupando depois a mesma função em Porto do Cachoeiro (hoje Santa Leopoldina), no Espírito Santo. Nesse município ele buscou elementos necessários para criar sua obra mais importante, Canaã. Esta é um marco do chamado pré-modernismo, publicada em 1902, junto com a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha.
Graça Aranha apresentou uma visão filosófica e artística assimilada de fontes muito diferentes e às vezes contraditórias.
A 17 de julho de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada; a 1 de março de 1920, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo, ambos das ordens honoríficas portuguesas.
Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, sendo um dos seus organizadores, quando pronunciou o texto A Emoção Estética na Arte Moderna, defendendo uma arte, uma poesia e uma música renovadas com algo do "Espírito Novo" apregoado por Apollinaire.[carece de fontes] Rompe com a Academia Brasileira de Letras em 1924, a qual acusou de passadista e dotada de total imobilismo literário. Ele chegou a declarar "Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia!".
Encontra-se colaboração da sua autoria na revista luso-brasileira Atlantida (1915-1920).
Pesquisa feita por mim que talvez poucos sabem :
No primeiro concurso promovido pela Fundação Graça Aranha (relativo a 1930), o romance premiado foi O QUINZE, de Raquel de Queiroz(1910-2003), que em 1977 se tornaria a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letra .
Graça Aranha antes de completar 15 anos de idade, em 1882, conseguiu permissão governamental para cursar a faculdade de Direito. Nesse mesmo ano, começou o curso de Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Recife.
Durante a graduação, mostrava-se um defensor da abolição e da república. Após a formatura, em 1886, o jovem advogado se mudou para o estado do Rio de Janeiro.
Em 1897, foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Em seguida, iniciou sua carreira diplomática, e, nas duas primeiras décadas do século XX, atuou em países europeus. De volta ao Brasil, em 1921, teve seu primeiro contato com os novos artistas de São Paulo, quando visitou a exposição Fantoches da Meia-noite, de Di Cavalcanti (1897-1976
GRAÇA ARANHA FOI PRESO
Participou da organização da Semana de Arte Moderna, em 1922. Nesse mesmo ano, ocorreu uma revolta militar contra o candidato eleito à presidência Artur Bernardes (1875-1955). Assim, no dia 6 de julho desse ano, Graça Aranha foi preso, e ficou detido por quase um mês, como suspeito de conspiração.
Depois de ser solto, foi convocado novamente pela polícia. Temendo nova prisão, fugiu para o interior de São Paulo. Dois anos depois, o escritor voltou a ser notícia ao pedir afastamento da Academia Brasileira de Letras, pois entendeu que ela não admitia reformas ou qualquer tipo de renovação.
Graça Aranha, que morreu em 26 de janeiro de 1931, no Rio de Janeiro, casou-se, ainda na juventude, com Maria Genoveva de Araújo, porém, em 1928, separou-se dela, não oficialmente, para viver com Nazareth Prado, por quem era apaixonado. Parte da história desse relacionamento amoroso está no livro Cartas de amor, publicado em 1935, que reúne as cartas que ele enviou para ela entre 1911 e 1927.
Canaã
Em 1902, Graça Aranha lançou o romance “Canaã”, fruto das impressões colhidas em Porto Cachoeiro, no Espírito Santo, observando o contraste entre a população nativa e os imigrantes alemães.
Tudo gira em torno de dois personagens imigrantes alemães, com diferentes visões de mundo. Enquanto Milkau acredita na humanidade e pensa encontrar a "terra prometida" (Canaã) no Brasil, Lentz tem dificuldade de se adaptar à realidade brasileira, voltada para a superioridade germânica e para a lei do mais forte.
À semelhança dos Sertões, de Euclides da Cunha, Canaã agitou os círculos letrados do país, quando de sua publicação. Tratava-se de um tipo de romance desconhecido no Brasil: o romance-ensaio, o romance de tese.
Pré-Modernismo
O Pré-Modernismo abrangeu o período literário compreendido entre a publicação do romance Canaã de Graça Aranha, em 1902, e a realização da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, em 1922.
Como época de transição que foi, no Pré-Modernismo coexistiram tendências conservadoras, com tendências renovadoras. O nacionalismo pré-modernista teve Graça Aranha como seu ponto de partida. Autores como Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato e Coelho Neto já representavam um momento de transição.Se
Em 1920, Graça Aranha regressou ao Brasil, convencido de que a literatura brasileira precisava mudar. Passou a integrar o movimento que revolucionou o país, a Semana de Arte Moderna.
Além de ter feito a palestra inaugural do evento, intitulada "O Espírito Moderno" no dia 13 de fevereiro de 1922, foi ele quem indicou o caminho do dinheiro aos intelectuais que queriam fazer um evento para divulgar as artes e teorias modernistas (a ideia do evento partiu do pintor Di Cavalcanti).
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