(Nota do editor): A força que atravessa esses textos expõe uma verdade que a sociedade insiste em empurrar para os cantos mais escuros: a mente humana adoece, e quando adoece, não é metáfora, não é fraqueza, não é drama — é realidade concreta que corrói a capacidade de perceber cor, sentido e presença. O preconceito que ainda recai sobre a saúde mental revela uma cultura que valoriza a resistência acima do cuidado, como se suportar silenciosamente fosse virtude. Mas o silêncio não cura. A recusa em buscar ajuda não é apenas um gesto individual; é resultado de uma estrutura social que ainda não aprendeu a acolher a dor psíquica com a mesma seriedade com que acolhe a dor física. A depressão, a ansiedade e tantas outras formas de sofrimento não são desvios, são expressões humanas que exigem responsabilidade coletiva, ciência, escuta e coragem.
Por outro lado, o poema, ao declarar que “nunca mais fiquei só” quando as palavras se tornaram companhia, revela o outro lado dessa mesma luta: a linguagem como abrigo, como ponte, como presença que sustenta quando o mundo parece distante. Desta forma, tanto a prosa quando a poesia de Joiza Costa (APB-MA), parecem ser um chamado urgente — filosófico e social — para que reconheçamos que a saúde mental não é um detalhe da vida, mas o eixo que sustenta a possibilidade de existir com dignidade. Ignorar isso é perpetuar um mundo onde muitos continuam se arrastando, enquanto poderiam caminhar acompanhados, compreendidos e vistos. Assim, vale aqui parabenizar a poeta e escritora Joizacawpy Muniz Costa por essa coragem de expor o problema e procurar ajuda. Só isso, já é o começo de algo que pode chegar muito perto da cura.
Sobre saúde mental.
Joizacawpy Muniz Costa
Muitos ainda enxergam essa dimensão da vida com preconceito.
Quantas pessoas se arrastam na vida por resistência a procurar um profissional especializado?
São muitos e os julgamentos também, entretanto a ciência evolui para nos auxiliar naquilo que ultrapassa nossas forças meramente humanas.
A depressão, por exemplo, não é uma tristeza como a maioria pensa, sim o adoecimento da mente que reflete na alma e muitas vezes no corpo. Pensar nos limites da depressão é pensar numa tela em preto e branco, sim, ela não permite que o sujeito veja as cores da vida.
Acredito que no estágio de evolução que estamos, seja inadmissível ainda se tratar a questão da saúde mental com preconceito, desconsiderando todos os estudos em torno dessa condição.
A depressão, a ansiedade e outras condições da mente adoecida são questões sérias que merecem ser vistas com a devida atenção.
Poema “Silenciosa” (Joiza Costa)
SILENCIOSA
Meu adeus a ti, palavra,
Sangra em minhas entranhas.
Tu que és um farol a me guiar,
Agora distante, causa-me dor,
Desde que minhas mãos
Aprenderam a traçar palavras
Nunca mais fiquei só.
Mas agora sinto distância.
Vejo-me diante do papel,
Folha em branco,
Mãos vazias, pensamento distante.
Sim, como se além do meu alcance
Estivessem as palavras,
Companheiras de caminhada.
Joizacawpy Muniz Costa
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