
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A POETA NAUZA LUZA MARTINS
1MHARIO LINCOLN - Você é considerada a Lua de Vênus. Por que essa concepção lírica?
NAUZA LUZA MARTINS - Uso o pseudônimo Lua de Vênus inspirada numa mistura de mitologia, astrologia e poesia. Segundo minhas pesquisas o planeta Vênus foi nominado em homenagem à deusa romana do amor e da beleza. Até escrevi o poema “Lua de Vênus” justificando minha escolha. Tenho uma relação simbiótica com a lua que transparece em todos os meus livros. Falo da lua em muitos dos meus poemas, me considero uma “enluarada”. Sou filha, irmã e amante da lua. A propósito, o título do meu novo livro que já está em fase de publicação é “Despertar da Enluarada”, inclusive com capa sensacional feita por Mhario Lincoln.
2MHL - Você integra várias academias: AIAB, ALIPE, AILAP, AILB e Entidades Culturais como ANE e AJEB/DF. Então, qual o conceito dessas manifestações literárias em grupo, atualmente? É porque as academias dos estados são fechadas?
NLM - Sou maranhense e resido há 40 anos em Brasília. Escrevo desde a adolescência, porém só publiquei o primeiro livro em 2017 aos 60 anos. Antes da Pandemia eu era uma poeta solitária e feliz no mundo que criei desde minha adolescência. Apenas minha família, amigos e colegas de trabalho conheciam meu trabalho como poeta. Em 2020, já aposentada, descobri as redes sociais, grupos de poetas no Facebook e me filiei a ALIPE, uma Academia virtual, porém muito atuante. De todas é a minha favorita. Fui fazendo amizades com escritores e poetas por meio dos saraus e eventos virtuais diversos. Comecei a participar de antologias poéticas, atualmente contabilizo mais de 120. Muito investimento já que tudo no meio literário é pago. Com muito trabalho construí um nome conhecido e uma biografia literária significativa. Considero isso o retorno dos meus investimentos: prestígio, amizades e reconhecimento do meu trabalho literário. Sobre as Academias, penso que nem todas cumprem um papel significativo da vida dos escritores e poetas. A maioria cobra por adesão, depois começam a vender medalhas, prêmios, etc. Até já fraquejei e entrei nessa onda. Hoje não mais. Passei por um processo de analisar minha vida de poeta antes e depois das Academias ditas literárias e descobri que a maioria não acrescenta nada a minha vida. Aqui em Brasília sou membro da AIAB – Academia Inclusiva de Autores Brasilienses, com sede própria e que faz um excelente trabalho incluindo autores com deficiência auditiva e de visão no cenário literário. A Fundadora e Presidente Dinorá Couto Cançado, se tornou minha amiga pessoal porque estou sempre disponível para colaborar como posso. Enfim, aguardo ansiosa minha posse na APB – Academia Poética Brasileira para coroar meu currículo literário visto que se trata de uma Academia prestigiada, criteriosa e que valoriza seus membros.
3MHL - Suas obras são maravilhosas. "Jogo de Palavras", "Interlúdio Poético" e "Além dos seus Olhos". Qual seu processo criativo?
NLM - Grata pelo elogio. Sou muito intuitiva e embarco no voo das imagens e palavras que afluem, brotam e excitam minha imaginação. Ao contrário da maioria dos autores que se preocupa em escrever algo todos os dias como um obrigatório ritual, esse nunca, em tempo algum fez parte do meu processo criativo. Eu escrevo quando brotam ideias. Acho fundamental conciliar o olhar com o sentir, adentrar dentro de mim mesma e tudo o mais que enriquece o universo em que habito onde, inesperadamente, as palavras fluem livremente no processo de construção de um texto que nasce das vozes internas, pensamentos que ocupam os espaços da minha mente criativa que às vezes adormecem lenientes, outras vezes despertam sedentos de aventura guiados por palavras que borbulham como uma taça de champanhe e se desfazem na velocidade das emoções e tensões que traduzem minhas fantasias.
4MHL - Você é Assistente Social, como profissão. Será que essa experiência pode ter influenciado nessas imagens belas em seus poemas?
NLM - Essa é uma pergunta emblemática. Sabe que durante meu período de trabalho ativo fiquei até 5 anos sem escrever uma linha sequer. Nada. Vivia num mundo louco lutando contra as mazelas da pobreza e do descaso governamental. Escrevi muitos projetos e programas técnicos, a maioria implementados aqui no DF. Mudam o governo, se apropriam dos seus legados, trocam de nome e nem citam o autor. Um absurdo. Respondendo sua pergunta, com certeza todos os saberes e experiências que adquirimos ao longo da vida estão presentes de uma forma ou de outra em nossos escritos. No meu primeiro livro “Jogo de Palavras” constam uns quatro poemas que evocam meu tempo de labuta como Assistente Social. Atualmente, evito usar a poesia para levantar bandeiras. Gosto de poetizar com leveza, curto a pegada sensual e expressar meus sentimentos, amores, desejos e fantasias.
5MHL - Como você definiria NAUZA LUZA MARTINS, enquanto pessoa humana?
Essa é difícil e fácil ao mesmo tempo. Sou uma pessoa impetuosa, durona, de ideias firmes, sincera, falo o que penso “nunca tive papas na língua” e já perdi muitas oportunidades de trabalho e namorados por isso. Sou correta comigo mesma e com os outros. Me considero a melhor pessoa do mundo pra quem sabe me respeitar como mulher e como pessoa. Tenho amigos dos tempos de Faculdade de Serviço Social na UFMA (1977-1981) que reencontro quando vou a São Luís/MA, que me enviam mensagens de bom dia e boa noite todos os dias, igualmente colegas de trabalho aqui de Brasília desde 1982 que se comunicam comigo até hoje. Quem é amado pela família e tem amigos fiéis de 10, 20, 30, 40 anos, assim como eu e Mhario Lincoln somos, certamente é uma boa pessoa. Porém não sou uma pessoa fácil: sou calma e turbulência. Existem muitas mulheres numa só Nauza Luza.
Meu poema “Enigma” do meu segundo livro “Interlúdio Poético”/2021, Chiado Books me define um pouco...
(...) São tantas dentro de mim
As que fui ou as que sou
Sou mulher de mil facetas
Todas em mim querem voz
Atenção, plateia e mimos
Aos poucos vou definindo
Qual de mim vai me inspirar
E protagonizar meus sonhos
Quando estiver dormindo.
Do mesmo livro: “Minhas Facetas”
(...) Sonho de olhos abertos
Sem sequer dormir direito
Amanheço ao meio-dia
Logo depois anoiteço
Começo o ano em dezembro
A semana na sexta-feira
Meu dia viro do avesso
Sem tempo para ser tua
Minhas noites são bem longas
Duram o tempo da lua.
6MHL - Quais seriam os ideais para aqueles que um dia sonham em ver divulgadas suas poesias?
NLM - Basta se antenar com os meios de comunicação disponíveis, principalmente a Internet (Instagram, Grupos de poesias e Páginas literárias do Facebook, YouTube e outros). Participar de Antologias poéticas é uma forma barata e interessante de divulgar poemas, prosas e contos.
7MHL - Finalizo pedindo uma definição pessoal de AMOR, já que cada poeta tem um diferencial único.
NLM - Não curto definições de Amor. São tantas, cada um tem seu jeito de expressar esse sentimento universal. O amor perpassa toda a nossa vida (ou não). A base do amor é amar a si mesmo, amar a vida, amar aos outros e influenciar de forma positiva a vidas de todas as pessoas que nos cercam. Costumo dizer e até já poetizei sobre isso que o melhor do amor é amar e ser amado.
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NAUZA LUZA MARTINS
Nasceu em Monção/MA, reside em Brasília/DF desde 1982. Graduada em Serviço Social pela UFMA, escritora, poeta e ativista cultural. Escreve desde os 16 anos. Livros publicados: Jogo de Palavras/17, Interlúdio Poético/20, Chiado Books; Além dos seus Olhos/21, Ed. AL. Coautora em 120 Antologias. Organizadora de sete Antologias Poéticas. Membro de várias Academias Literárias e Entidades culturais. Detentora de Prêmios, Comendas e Títulos diversos.
Brasília, 01/09/2022.
Vídeo Bônus
NOVAS AVENTURAS, de Nauza Luza Martins
Produção: Vídeo do Facetubes
Narração e interpretação: JotAlencar
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