Nossa Família
No dia quatro de dezembro de mil novecentos e um
Veio ao mundo uma menina chamada Onezina
Os anos foram passando e ela mocinha ficando
quando os pais descobriram já estava namorando;
Pelo que dizem os mais velhos era bonita demais
O que não faltava lhe era galanteio de rapaz;
Às vezes fico pensando naquela garota sapeca
o trabalho que deu a tia Dudu, mãe do Zeca;
Tia Eunice a irmã mais nova sempre acanhada...
Mas deixe que as escondidas também dava suas beliscadinhas;
Tia Maria, dessa não sei nada, a vi poucas vezes
e achei muito calada, mas com certeza também era danada;
Meu tio Fortunato Bandeira, na política não era brincadeira,
mas descuidou, o fumo apertou e saiu de imperatriz na carreira;
O tio Aluísio coitado, sempre foi mais pacato,
nunca gostou da cidade, viveu mais foi no mato;
Rapaz branco de olho azul, podia ser advogado,
mas o vovô trabalhou tanto, que ele nasceu cansado;
Se a irmandade é maior não é do meu conhecimento,
apenas eu quis fazer um levantamento;
Retornando ao início pra história continuar,
paramos quando dona Onezina começou a namorar;
Dentre os pretendentes teve sempre um mais avançado
e foi por isso mesmo que ele foi premiado;
João Galberto era o seu nome com sobrenome Cerqueira,
quando o cabra botou quente acabou-se a brincadeira;
Os outros administradores ficaram como jacaré,
de longe só olhando, com medo de bala no pé;
Oi, o negócio mudou, também mudou o pensamento,
em vez de namoro já se falava em casamento;
Os velhos sem demora, cuidaram da arrumação,
mataram bode, carneiro e até capão;
Tudo isso foi feito sem pena e sem dó,
afim de livrar Dona Onezina do caritó;
Desse matrimonio sete filhos nasceu,
Seis estão vivos, só a Fildiha morreu;
Dalva por ser a mais velha, faz aquela choradeira,
Diz que na outra geração ela quer ser a derradeira;
Marica merece todo respeito, além de ser boa filha
É mulher de prefeito, o que não fez mudar o seu jeito;
Mundico homem honesto, sempre gostou de brincar,
Quando pega o violão começa logo a cantar;
O Pedro mora em São Paulo, casa nunca quis,
Bebendo sua pinguinha, leva a vida feliz;
Agora é a vez de que está escrevendo,
Zélia é o meu nome, de saudade estou morrendo;
Teresinha é tesoureira da prefeitura municipal,
So falta perder a cabeça quando chega o carnaval;
Assim está constituída a família de D. Onezina,
aos oitenta e três anos pode ser considerada heroína;
Sua missão está cumprida, demos graças ao Senhor,
Agradecemos a senhora por todo seu amor.
Zélia Bandeira
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