
Análise a partir de uma perspectiva da moderna crítica interpretativa
*Mhario Lincoln
Primeiramente, é importante notar que as várias facetas a essência de Carmen Regina Dias; uma fonte de inspiração na arte, associando sua poesia a um "raio de sol" e sua sensibilidade a uma "flor delicada". Essas metáforas sugerem que sua poesia é luminosa e cheia de calor humano, tocando o coração dos leitores.
No primeiro poema, intitulado "O Poeta Adormeceu", podemos notar a ênfase na continuidade da arte mesmo quando o poeta está em repouso. Isso nos lembra de poetas holísticos como Walt Whitman, que celebrava a conexão entre a vida e a morte, a natureza e a humanidade. Whitman acreditava que a poesia era uma força vital que transcendia à individualidade do poeta, e esse poema de Carmen (de todas as Carmens, dos grandes autores), parece ecoar essa visão, indicando que a música da poeta continua a tocar mesmo quando ele descansa.
No segundo poema, "A Bella Tarde", ela descreve uma cena onde a tarde se torna um elemento sensual, como se a própria natureza estivesse se despindo para seduzir o observador. Essa abordagem da natureza como algo sensual e misterioso é uma reminiscência do trabalho de poetas holísticos como William Blake, que frequentemente viam a natureza como uma fonte de inspiração para alcançar a alma e o corpo de forma mais profunda.
O uso de metáforas e imagens vívidas em ambos os poemas sugere uma abordagem holística da poesia, onde a arte não se limita apenas às palavras escritas, mas também à capacidade de evocar emoções e imagens poderosas que transcendem o individualismo e se conectam um algo mais amplo e universal, ao explorar a interconexão entre a arte, a natureza e a espiritualidade em sua poesia.
Destarte, sua contribuição para a cultura literária e artística é um exemplo de como a arte pode ajudar em conotações transcendentais a própria vida, além de inspirar o leitor a explorar o poder da expressão criativa de maneira profunda e significativa.
Parabéns, confreira Carmen Regina Dias.
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A Bella Tarde*
A bella tarde se lança
ao espaço entre o dia e a noite.
Gostosa e lânguida,
desce o zíper de seu vestido de seda dourado
para seduzir,
ombros à mostra,
fenda horizontal insinuando-se
no limite entre o céu e o chão.
Sentidos aflorados,
chama...
O poeta,
rosa rubra nos lábios,
pena fina na mão,
poema ardendo na ponta da língua,
corre ao seu encontro,
inebriado, encantado, fascinado.
As maçãs exalam, as sereias espiam,
as areias suspiram.
Eu espero sentada
à beira do a mar.
CRD*
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*O POETA ADORMECEU
O Poeta adormeceu
mas a música que o embalou continua a tocar
doce mente.
A noite está fria, o vento sopra.
Cubro-o lentamente com meu corpo de pétalas,
rosa macia, de perfume inefável
penetrando seus pulmões, aninhando-se,
dormindo com ele.
Poeta e flor são um só, agora, sonhando-se.
Quando o dia amanhecer, eles acordarão,
e as pétalas se lançarão ao chão
qual tapete feliz de primavera.
Desejosas de sentir o calor de seus pés
suplicarão para que as pise...
E ele, amoroso e gentil, flutuará sobre elas.
E a poesia virá.
CRD
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira
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