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Lecy Sousa é entrevistado com exclusividade pelo youtuber literário e poeta Leonardo de Magalhaens. Confira!

Leonardo de Magalhaens é convidado da Academia Poética Brasileira.

18/11/2023 às 20h00 Atualizada em 18/11/2023 às 20h17
Por: Mhario Lincoln Fonte: Leonardo Magalhaens
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Lecy Sousa
Lecy Sousa
 
Por: Leonardo de Magalhaens

Autorização do autor para a reprodução (vídeos,texto e fotos) dessa entrevista, organizada pelo poeta Leonardo de Magalhaens, resenhista e youtuber literário.

 

Convidado Lecy Souza

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Contato com o autor: [email protected]

Lecy Sousa, contagense nascido em Almenara-MG, Licenciado em Letras como segunda graduação, participou da fundação da Academia Contagense de Letras – ACL. Participou dos projetos Pão e Poesia, criado pelo poeta Diovani Mendonça (em Contagem) e do Belô Poético criado pelo poeta Rogério Salgado, em Belo Horizonte – MG.
Atualmente, atualiza o canal do Youtube Lecy Sousa. Publicou 5 livros de poesias, até o momento. Primeirapessoaplural(2008), Rascunhos(2015), Poesia fora da curva (2017), Bora lá, Baudelaire ( Selo Editorial Starling-2022) e Trilogia do Poema Bruto ( Editora Viseu-2022). Em 2021 publicou o e-book Fragmentos Humanos – uma autoajuda para você descobrir o sentido da vida e morrer em paz (em coautoria com o psicanalista Marlon Nunes Silva, pela editora Simplíssimo). Participou também das coletâneas; Liberdade-Antologia de Literatura Livre, da Editora Chiado Books, do livro Cena Poética 8 – Poesia e Prosa (organizado pelo poeta Rogério Salgado) e do livro Entreverbo -2022, coletânea organizada pelo coletivo da Revist Entreverbo. Participou da publicação da obra coletiva Sex'n'drama 2023.  

A ENTREVISTA


Saudações! Sejam todas e todos bem-vindos a mais uma entrevista no Facetubes! Agradecemos ao convite do poeta Mhario Lincoln que sempre atua divulgando poetas e literatos ! Hoje o nosso convidado é o poeta e contista e performancer e colega e amigo Lecy Sousa, lá da Contagem das Abóboras, vulgo Contagem MG. Saudações, prezado poeta Lecy Sousa!


1- LEONARDO MAGALHAENS: Lecy, sabemos que sua produção se estende da poesia, do conto, da performance, atua em biblioteca escolar em incentivos à leitura e congrega os amigos literatos para obras coletivas. E como se não bastasse, ainda mantem seu canal LecyFalante no YouTube! Lecy, como você se desdobra para uma produção tão vasta e multimídia?

R - LECY SOUSA: Primeiramente fico surpreso em participar desse espaço virtual, a convite do Mhario Lincoln. Gratidão. Normalmente não sou convidado para coisa alguma, justamente pelo fato de ser um total desconhecido há décadas. É até divertido. Na verdade, eu não consigo fazer tudo aquilo que gostaria de fazer como impulso criativo. Sou Servidor Público efetivo e isso é uma espécie de carimbo proibitivo. Há muitas coisas das quais não podemos participar. Um exemplo é a Lei de Incentivo à Cultura. Sendo assim, uso o tempo vago para me expressar, na medida do possível. Ainda bem que fui conhecendo pessoas com as quais posso dividir um pouco dessa ansiedade, ao longo da caminhada. Gente como o Leo de Magalhaens, Rodrigo Starling, Marcos Fabrício, Marlon Nunes, Barulhista, Vinícius Fernandes Cardoso, Isa de Oliveira, Yendis Asor Said, Kennedy Cândido, Rogério Salgado, Diovani Mendonça, para ficar só nesses. Daqui a pouco essa resposta vira a continuação do livro “Todos os Nomes” de José Saramago.

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2. LM: Recentemente uma ideia iluminou a mente hiperativa de Lecy Sousa com a produção da obra coletiva Sex'n'drama editada pelo Selo Starling de BH. Lecy como foi a ideia e a produção do Sex'n'drama e como ainda hoje, século 21! ainda vivemos às voltas com falta de educação sexual e tantos tabus?

LS: Na minha modesta opinião, nada parece fazer diferença. Poucas pessoas estão lendo sobre esse tema, mas devoram livros como “Cinquenta tons de cinza” (publicado há mais de 10 anos pela inglesa Erika Leonard James). Ninguém quer se conhecer, mas imitar os outros. Os estudos de Freud, Jung, Lacan, os textos de Simone de Bouvoir, Susane Sontag servem somente de referências acadêmicas para ensaios e TCCs . A civilização que conhecemos prefere viver sob o reflexo reptiliano da espécie. O retrocesso é tão grande que periga confiscarem livros até de universidades públicas. Se eu li alguma coisa desses autores que citei foi por ímpeto, intuição. Uma sociedade como a nossa, sem hábito de leitura variada, não pode incentivar ninguém a ler. Não consegue. É melhor cair na farra e deixar a vida levar todo mundo de volta à barbárie. Não adianta nada eu pedir às pessoas para que elas leiam “Sex’N’Drama” nem que seja por curiosidade. Há um monte de preconceito em torno de três letras: SEX. Há poucos dias o Facebook excluiu uma postagem que fiz sob uma mostra de curtas metragens, devido à imagem que ilustrava o texto: um grupo de indígenas reunidos inocentemente, em seu habitat natural e, ao fundo, um deles com seu “bingolin” à mostra, quase desfocado. A Meta disse que eu estava violando a política de moralidade da plataforma...  e se eu continuar com esse tipo de sem vergonhice, eles vão me ferrar.  Sendo assim, SEX continuará sendo drama até que Ashtar Sheran revele sua frota de naves a todos. Falando sobre o livro “Sex’N’Drama” foi muito legal participar com mais 5 autores muito bons de serviço, no sentido literário. Marcou 2023.

 

3. LM: Além do Sex'n'drama, o poeta Lecy Sousa lançou o livro Fragmentos Humanos, escrito a quatro mãos com o poeta e psicanalista Marlon Nunes. É uma obra literária? É ensaística? É auto-ajuda? Qual o sentido da vida para a gente poder morrer em paz?

LS: Bem, com Marlon Nunes, foi um fluxo verbal, um diálogo onde o Marlon Nunes manipulou o texto a seu bel prazer (KKKK). O texto ficou entre uma seriedade canônica e um deboche hilário, em plena pandemia. Considere que entre os dois autores há uma espécie de abismo no que se refere à “visão de mundo” de cada um, além do arcabouço educativo. O próprio título é uma ironia. Cada um dá o sentido que quer ao seu próprio existir, haja vista a quantidade de biografias que vemos por aí. Morrer em paz segue sendo o sonho de muita gente. Se alguém se interessar pelo livro pode digitar o título no site da Amazon.

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4. LM: Por falar em sentido da vida, prezado poeta Lecy Sousa, sabemos que o amigo é uma pessoa espiritualizada e ao mesmo tempo crítico das religiões. Espiritualidade é uma coisa de vivência introspectiva? Temos uma crise da Fé? Muita religião por aí, mas pouca Fé? O que a nossa geração entende por 'falta de Fé ‘?

LS: Não sou a melhor pessoa para falar sobre esse tema. Defendo o suposto livre arbítrio de cada um/uma. As experiências da vida só podem surgir à medida que o tempo passa. Dessa maneira a pessoa vai sedimentando seus conceitos ou preconceitos. Na Internet só encontramos intolerância de todos os tipos. Se eu digo que sou cristão vem alguém rindo e dizendo que sou um tolo e que Jesus nunca existiu e estou sendo enganado e blá-blá-blá. Bastaria a pessoa dizer: diferentemente de você, minha orientação religiosa é outra, mas podemos ser amigos. No entanto, o prazer reside em odiar e desconstruir. 

 

5. LM: Lecy Sousa é um cidadão que sabe ouvir as pessoas, seja concordando ou discordando, sempre ouvido atento às novas novidades da moda e da mídia. O canal YouTube LecyFalante nasceu dessa necessidade de trocar ideias? Será que sabemos ainda dialogar? Seremos ainda tolerantes? Ou vamos deixar os diálogos e as entrevistas para as inteligências artificiais? Os chat GPT da vida?

LC: Todas as pessoas que conheço querem ser ouvidas. Muitas são possessivas querendo ser o Alfa da situação ou que você avalize tudo que elas dizem. Outras gostam da troca de conhecimentos, respeitam o momento de fala do outro, sentem que sempre têm algo a aprender com todo mundo. Alguns dos meus melhores diálogos são com crianças, por incrível que pareça. Não pense você que elas não sabem fazer o mapa do território. Muitas pessoas deixam de estabelecer uma amizade por bobagens. Talvez por discrepância religiosa. A sensação de posse parece nunca ter fim. Beltrano quer ser dono de Ciclano ou Ciclana e privá-los de todos os demais possíveis diálogos. Sentar e contar um causo com alguém é infinitamente mais valoroso que os monossílabos das máquinas. Qualquer coisinha alguém fica magoado com você. Estamos distantes da civilização, do respeito ao próximo. A máquina nos sepulta no vale de Silício.

6.LM:  Finalmente para concluir nossa entrevista com o multipoeta e multiartista Lecy Sousa para o Facetubes (www.facetubes.com.br) gostaria de ouvir sua mensagem aos poetas e literatos e às leitoras e aos leitores. Vale a pena a poesia? Poesia pra quê mesmo? Valeu, Lecy!    

LS: Leonardo, fico lisonjeado pelos adjetivos que você usa, mas sou apenas um brasileiro esforçando-me para aprender algumas coisas. Não me enquadro nos superlativos. Poeta, mesmo, são outros nomes. Cada vez mais tenho percebido como sou errante, sou errado, sempre distante, sempre na estrada... Só quem mergulha na poesia sabe que líquido ela deixa no corpo. Se vale a pena? Bem, a poesia trouxe-me a essa entrevista, algo que me deixa bastante surpreso.  A poesia proporcionou que eu conhecesse figuras humanas como você, por exemplo. Obrigado pela oportunidade e Feliz Natal e Ano Novo a todos, todas e todes. E lembrem-se: livro é presente!

 

VÍDEO-BÔNUS

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Juracy Brasil CartagenaHá 3 anos Poços de Caldas MGCaro jornalista Mhario LIncoln. Parabéns pela escolha dessa entrevista. Muito bom o pensamento de Lecy. O Magalhaens é conceitual, mas é instigante também.
Vinícius Fernandes Cardoso Há 3 anos Contagem-MG Gostei muito de ler está entrevista fresquinha de um amigo conterrâneo que vejo mais na internet que tete-a-tete (culpa dele), contemporâneo embora Lecy mais velho de idade e não novo de espírito, eu não novo de idade e velho de espírito. Virtude linda do Lecy é sua cabeça aberta, é sempre delicioso ler suas respostas de entrevistas (quando ele é o entrevistado). Algumas respostas achei falsa modéstia, outras sinceras. Nas sinceras, sorri. Magalhaens caprichou nas questions. Parabéns!
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