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Desvendando o intrincado labirinto judicial: uma leitura de “O TORMENTO de Santiago”, de Lourival Serejo.

Autor: José Rafael de Oliveira Médico, membro da SOBRAMES/MA

13/01/2025 às 10h22 Atualizada em 13/01/2025 às 17h31
Por: Mhario Lincoln Fonte: José Rafael de Oliveira
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Arte: MHL
Arte: MHL

 

José Rafael de Oliveira*

A narrativa "O TORMENTO de Santiago", escrita por Lourival Serejo e publicada pela VIEGAS EDITORA em 2021, com 84 páginas, estabelece uma conexão intrigante com a premissa de Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura em 2010, que postula que "A missão do romance é mentir de maneira persuasiva, fazendo passar por verdades as mentiras"

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Desde o início, fica evidente que o autor desafia as convenções editoriais ao apresentar vinte e seis capítulos listados em ordem alfabética no sumário, acrescidos de mais três capítulos não mencionados. Estes últimos, posicionados no início, meio e fim do livro, concentram a essência da narrativa: o primeiro serve como introdução, o segundo como argumentação/rememoração e o terceiro como desfecho. Juntos, esses capítulos formam o núcleo da trama, que explora as complexidades de um crime e seu subsequente julgamento em um espaço narrativo profundamente psicológico.


A trama sugere a necessidade de um (hipotético) Sherlock Holmes para desvendar o crime e um advogado especialista em questões jurídicas complexas. O Dr. Samuel, cujo nome deriva, etimologicamente, de Shemuel e significa "aquele que salva", é considerado um dos maiores especialistas em direito criminal, conquistando respeito no meio jurídico, especialmente pela sua pontualidade e rigor no cumprimento de prazos. No entanto, a resposta burocrática à pergunta "Por quem serei julgado?" sugere que a distribuição do processo é essencialmente aleatória.
E, como se isso não bastasse, a narrativa destaca que a Justiça é imprevisível, tornando incerto o resultado de qualquer julgamento.


Para dissipar dúvidas, o advogado elabora um resumo biográfico de cada magistrado/a, destacando características como egocentrismo, hipocondria, soberba, indolência e improbidade. Uma disparidade de gênero também é observada no quadro ficcional da magistratura, com vinte e dois juízes (84,60%) e quatro juízas (15,40%). Essa desigualdade sugere uma maior probabilidade de o processo ser atribuído a um juiz.
O advogado precisa se atentar às pistas e à jurisprudência para formular sua tese de defesa, pois a lei pode ser aplicada com máxima rigidez ou, alternativamente, de maneira mais flexível, dependendo do/a juiz/juíza. Basta observar, por exemplo, o desfecho das sentenças proferidas pelo DOUTOR A ou pela DOUTORA U.


É relevante salientar que a narrativa apresenta três vertentes filosóficas implícitas. Em primeiro lugar, há uma conexão com "O Estrangeiro", de Albert Camus, pois o réu é condenado, resultando na perda da função etimológica do nome do advogado. Em segundo lugar, há uma afinidade com as ideias de Umberto Eco, visto que o crime não é revelado, conferindo à narrativa a dimensão de "obra aberta". Por fim, há uma alusão ao "Carpe Diem", de Horácio, pois a personagem, antes de ser presa, aprecia os últimos momentos de liberdade, observando a realidade e suas circunstâncias e refletindo sobre a efemeridade da vida.


Em suma, "O TORMENTO de Santiago",  segue os trâmites das instâncias do poder judiciário, envolvendo segredos de justiça, conflitos jurídicos e transtornos psicoafetivos. O leitor é, assim, desafiado a entender e a julgar as mentiras apresentadas por Serejo como verdades.


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José Rafael de Oliveira
Médico, membro da SOBRAMES/MA

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JaimeHá 1 ano Brasília/DFMuito interessante, pois existe um desafio no final do livro.
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