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Em entrevista exclusiva, o poeta José Neres desabafa: "Infelizmente, Chagas foi injustiçado e não teve o reconhecimento que merecia"

José Neres é aplaudido intelectual maranhense, membro da APB e da Academia Maranhense de Letras, além de colunista do Facetubes.

24/11/2023 às 11h42 Atualizada em 26/11/2023 às 21h28
Por: Mhario Lincoln Fonte: Redação do Facetubes
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José Neres e José Chagas
José Neres e José Chagas

O mundo da literatura maranhense e suas grandes obras: José Neres revisitado

Redação do Facetubes

 

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A literatura maranhense é um tesouro escondido, repleto de talentos e obras magníficas que aguardam ser redescobertas e apreciadas. Ferreira Gullar, com seu famoso poema “Traduzir-se" é um dos grandes nomes dessa tradição literária, capaz de abordar a dureza e a leveza da vida em sua poesia:

Traduzir-se (Ferreira Gullar)

Uma parte de mim é todo mundo:

outra parte è ninguém fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:

outra parte estranheza e solidão.

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(...)

Uma parte de mim

 é só vertigem: outra parte,

linguagem.

Traduzir uma parte

na outra parte -

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que é uma questão

de vida ou morte -

será arte?

 

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Além de Gullar, há muitos outros autores que merecem ser conhecidos e apreciados, como José Chagas, um dos maiores cronistas que o Brasil já teve. "Chagas tinha o dom de transformar qualquer tema, seja ele político, pessoal ou social, em uma verdadeira pérola literária", confessa o professor, poeta, pesquisador e militante cultural, maranhense José Neres, nessa entrevista exclusiva concedida ao jornalista e poeta Mhario Lincoln. E continua: "(...) Infelizmente, Chagas foi injustiçado e não teve o reconhecimento que merecia. Suas obras foram pouco divulgadas fora do Maranhão, o que é uma pena, pois ele era um escritor fantástico. Seus livros, como 'Maré Memória' e  'Os Canhões do Silêncio', são de uma beleza ímpar, e mesmo seus poemas de caráter panfletário possuem uma grandeza e uma poesia que encantam", completa Neres.

 

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O professor Neres também fala de Ubiratan Teixeira, João Mohana, Salgado Maranhão,  Antonio Ailton, Bioque Mesito, Natan Campos, Nauro Machado, Arlete Nogueira e Bernardo Almeida. "Uma verdadeira riqueza literária do Maranhão", diz Neres.

 

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Na verdade, a literatura maranhense tem uma tradição muito forte, com grandes movimentos literários que surgiram nos anos 70 e mudaram a forma de escrever. Poetas como Raimundo Fontenelle, Alex Brasil e Josué Montello são nomes que marcam essa história. Isso porque, a literatura maranhense não fica nada a dever para o melhor da literatura nacional e internacional. Temos escritoras de uma qualidade excepcional, como Mariana Luz e Laura Rosa, que infelizmente não são tão conhecidas como deveriam. Suas obras são de uma grandeza e uma intensidade que encantam qualquer leitor.

 

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Ainda na entrevista concedida ao jornalista e poeta Mhario Lincoln, José Neres assevera: "(...) É preciso valorizar e incentivar a leitura da literatura maranhense. Temos uma tradição literária muito rica, mas faltam leitores e comentadores. É necessário resgatar e divulgar esses autores, para que suas obras sejam apreciadas e reconhecidas como merecedoras".

 

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Como o texto começou com Gullar, vamos terminar com Gullar e sua preciosa frase, que encapsula a essência da literatura: “A arte existe porque a vida não basta”.

 

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VÍDEO-BÔNUS

A entrevista exclusiva com José Neres: revisitada!

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Joizacawpy Há 3 anos São Luís Exatamente Neres Chagas foi injustiçado, por não ter sido valorizado a ponto de romper fronteiras. Na literatura maranhense há uma cultura do esquecimento, e nessa grande mina de talentos que é o Maranhão as pedras preciosas vão sendo novamente enterradas. Tenho lido a edição e-book das Promessas de Laura Rosa organizada por você. Estou a acalentar um sonho ter uma edição física dessa obra com direito a lançamento na AML, tomara que eu consiga ver esse sonho tornar-se real.
Carlinhos de Oxossi (Codó do Maranhão)Há 3 anos Brasília O legado de José Chagas continua vivo através de suas obras e do impacto que ele teve na literatura maranhense e brasileira. Aqui na feira dos bagulhos, em Brasília, o livro dos Canhões de Chagas estava 10 reais. Comprei e devorei em 2 dias. O interessante é que estava rubricado para Jomar Moraes. Quem trouxe esse livro pra cá e vendeu no sebo? BRASÍLIA
Maria da Luz RibeiroHá 3 anos Cohab-MaranhãoLiberdade, antes que tardia. Injustiça antes, mas fa-se justiça agora com essa entrevista além dos limites através da capacidade indiscutível do sr. Neres.
Jacy Moraes CorreiaHá 3 anos Teresina PiauiEntrevista histórica.
Matilde Francis LealHá 3 anos Campina Grande.Dr. Neres, não teria sido a disponibilidade e distribuição das obras do professor José Chagas para outras regiões do país, terem limitado o alcance do conhecimento de suas obras? Na época não tinha esse povouréu da internet para disseminar esse grande talento paraibano. Não?
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