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Grande obra de João Ewerton: "O grito que Sangra, a Cor que Chora!", de Mhario Lincoln

Através de uma linguagem transformada em arte, Ewerton transborda sentimento e grita, de modo a chamar a atenção para um problema que até hoje revolta: a ‘desinclusão’ social dos povos indígenas.

19/01/2024 às 14h30 Atualizada em 19/01/2024 às 21h14
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario LIncoln
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Original J.Ewerton
Original J.Ewerton

Matéria sobre J. Ewerton ultrapassa 1,5 mil acessos.

@Mhario Lincoln

A publicação original foi em: 04.05.2023

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Tenho acompanhado a evolução técnica e artística de João Ewerton, maranhense que passou pela moda, pelos governos de cultura, pela tinta das telas, pelas criações internacionais e estilosas das manifestações culturais de inserção social e, de repente, recebo dele, esta espécime criativa que abrange, de uma só vez, em forma de arte digital, a poesia, a imagem e a alma.

 

Algo que só mesmo um ultrartista poderia conceder de tal forma, em razão da sua arte imagética, que passa a ser poderosa, lhe dando poderes para transformar a arte em diversas outras artes. Por essa razão, vejo nesse trabalho uma explícita a relação entre a leitura da poesia, a inclusão da palavra e prospecção da imagem. Nesta relação plurisentimental, acabo por me direcionar ao processo involuntário e poderoso que acontece com a leitura.

 

Esse caminho com a leitura, começa com a palavra, no poema, e termina na imagem poética, como essa aplicada por João Ewerton nos trabalhos atuais que conheci. Classifico-as como poderosas e fortes, como se uma travessia de palavra, de história e cores abundantes, fosse.

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É, sim, um movimento perto de ser apocalíptico, misturando grito, denuncia e saudade, quando, nessa obra específica que mostro aqui (foto) ele revive a luta pela vida de antigos povos indígenas. Obvio que tais características não foram 'inventadas' por Ewerton, mas, sem dúvida, foram aperfeiçoadas.

 

Eweton e sua obra.

A arte que envolve imagem, poesia e pintura tem elementos que lembram a tradição da Poesia Visual, que surgiu no Brasil na década de 1960, como uma forma de explorar a relação entre a palavra e a imagem na arte. A Poesia Visual brasileira é marcada pelo uso de elementos gráficos, tipográficos e visuais em combinação com a poesia, criando uma experiência estética que vai além das formas convencionais de expressão literária.

 

João Ewerton, estudioso e curioso em determinados aspectos, transformou isso em algo de 'surpreendência' lírica, atingindo pontos "cardeais" diferenciados e alunares, extrapolando-se para além dos círculos solares da nossa Galáxia e do que os estudos pertinentes teimam em conceituar como “Concretismo” - a geometrização e visualização da linguagem. Só sei dizer que Ewerton com esta obra magnética, estampada na alma, vai se juntar a nomes como os dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ronaldo Azeredo, Ferreira Gullar (em uma de suas fases) entre outros, explicitamente concretistas e neoconcretistas, cuja filosofia era explorar novas possibilidades estéticas, a partir da fusão de linguagens. E claro que existem outros nomes fora do Brasil.

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Só para ilustrar, cito o francês Guillaume Apollinaire - esse, o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX. Quanto a João Ewerton, um detalhe que rodeia a arte central, traz uma informação importantíssima - o grito - a que me referi antes: "... minha tetravó foi pega no laço pelos criminosos portugueses que aqui invadiram. E se prevalecendo de suas armas mais poderosas que a dos nativos brasileiros, mataram, abusaram, estupraram e roubaram seus bens e os seus direitos, como donos da terra, que são até hoje (...)".

 

Leia: através de uma linguagem transformada em arte, Ewerton transborda sentimento e grita, de modo a chamar a atenção para um problema que até hoje revolta: a ‘desinclusão’ social dos povos indígenas. Parece que o antanho agarra-se ferozmente ao ventre da sequência hereditária do artista, e fá-lo sentir tudo isso desde o ventre da própria mãe, como a terra sentiu em seu ventre desde os primeiros gritos de socorro do povo originariamente brasileiro: o mesmo grito que é dado nessa obra, contra a discriminação, marginalização, violência e o preconceito. Destarte, essa é a arte que sangra, através das cores embutidas em cada espaço da tela. É a arte que geme no olhar triste do indiozinho órfão.

 

É uma arte, no entretanto e como autêntico paradoxo, que tenta mostrar também a beleza, a riqueza de uma diversidade cultural que precisa ser respeitada e justiçada, a fim de que haja a autêntica inclusão dos povos indígenas neste país.

 

Parabéns, João.

 

 

Curitiba, 17.04.2023

 

Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.

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Raimunda Pinheiro de Souza FrazãoHá 2 anos São José de Ribamar Parabéns João Ewerton! Você é fantástico em tudo que faz!
Gilson PirambolaHá 2 anos Arte & Fogo, Mato Grosso A arte indígena é uma forma de comunicação e de expressão que permite aos povos indígenas manterem suas tradições vivas e compartilhá-las com outras pessoas, passando de geração em geração. Por isso Ewerton puxou pra bisavó dele, índia, que foi pega no laço, segundo ele mesmo conta. então suas artes tem muito dessa picotagem de materiais e cores.
Luis TácitoHá 2 anos Brasília DFBrilhante, enquanto diretor e autor de roteiros memoráveis.
TucaHá 2 anos Rio de JaneiroUm dos diretores de teatro, escritor, criador de imagens fantásticas em seus livro. Aqui fica uma pergunta meu preto. Não quero abusar ed nem falar mal de sua terra. Mas porque você voltou praí?
Luiza Cânhamo, artista plástica e bailarinaHá 2 anos Resende RJConheci João no Rio. Acho uma pessoa sensacional.
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