
Fernando Mouchrek homenageado pela Academia Maranhense de Letras, recebendo a Medalha do "Bicentenário de Nascimento de Gonçalves Dias". (Instagram @fernandomouchrek). Na foto, com Camila Freire. Parabéns!
O Coral São João de São Luís-Ma: uma Sinfonia de Sucesso e União
*Mhario Lincoln
Quando falamos de música coral, somos transportados para um mundo onde a harmonia das vozes humanas se entrelaça de maneira única, criando uma experiência sonora que transcende a imaginação.
Tenho tanto respeito ao Coral São João que tomo a liberdade de usar minha licença poética para compará-lo - a fortiori - e nas devidas proporções, ao "Coro do Tabernáculo da Praça do Templo", um coro voluntário de 360 vozes fundado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Enquanto lá, essas vozes elevam os espíritos das pessoas por mais de um século, em São Luís do Maranhão, em uma sala na Igreja de São João, nosso Coral ensaia canções clássicas ou sucessos altruístas e edificantes da música popular nacional e internacional, atribuindo, desta forma, ao nosso grupo maranhense, sua performance planetária.
Por isso, e desta vez sem a necessidade de minha licença poética, posso incluir o maestro-regente Fernando Mouchreck, o condutor do CSJ, e agrônomo de formação profissional, sem a menor sombra de dúvidas, entre os 10 maiores deste País. Com uma carreira sólida e um talento inegável, ele conquista aplausos e elogios por onde passa, mostrando a qualidade do Canto Coral do Maranhão. Sua dedicação incansável à música coral e sua habilidade de extrair o melhor de seus coristas são admiráveis.
Claro que isso tem uma resposta: o Coral São João é - já faz algum tempo, algo em torno de 43 anos - uma verdadeira jóia do Maranhão e do Brasil. Fundado em 10 de abril de 1977, este coral tem encantado o público nacional e internacional, com sua maestria vocal e performances emocionantes. Tem um repertório diversificado que abrange desde música clássica até composições contemporâneas, fazendo desse grupo, um dos mais prestigiados, quando participa de concursos e festivais de música coral ao redor do mundo.
Porém, nem tudo é milagre. O sucesso do Coral São João vai além de uma regência excepcional. Um conjunto coral de vozes para alcançar tanto sucesso deve ser uma verdadeira sinergia de talento, técnica e harmonia. É necessário que cada membro compreenda a importância de sua contribuição individual para o todo. Além disso, o relacionamento saudável entre os componentes do coral é um pilar fundamental para o sucesso. No grupo, a sensação de pertencimento a uma verdadeira família é evidente. Essa ligação familiar e grandiosa entre todos os membros, não apenas fortalece o desempenho no palco, mas também cria uma atmosfera de apoio mútuo e camaradagem que é fundamental para enfrentar os desafios que surgem na jornada musical.
Permitam-me contar um pouco da história de Fernando. Ele é o agregador de tantos talentos que por lá passaram (em 46 anos) e continuam a mostrar essa sensação de pertencimento à familia "São João". E seus integrantes, todos, merecedores do meu mais amplo respeito e admiração, continuam um grande ciclo de energia cósmica, emanando vibrações tão positivas que me fazem trazer à mesma mesa, nesta conversa aqui, Ower Mello que diz: "Somos rodeados por campos de energia que determinam o nosso desenvolvimento. O princípio da vibração prova que o nosso corpo é um recipiente para a organização da energia do nosso espírito. Os milagres são feitos quando nos libertamos da idéia de que 'somos apenas o nosso corpo'". Acho que é isso que une essas pessoas, provando que o CSJ é muito mais do que um simples conjunto vocal. É um veículo de conexão entre o canto coral do Maranhão e todos aqueles que apreciam a música e vibram com as mesmas energias produzidas pelo espetáculo. Ora, se há vibrações positivas, então, em que contribui um agrônomo para que seja um elo-antenático dessas vibrações?
Aí está o pulo do gato: a Agronomia busca compreender e utilizar as vibrações da Natureza para melhorar a qualidade e a produtividade, porém, respeitando os limites e as necessidades dos ecossistemas. Isto é, preserva e recupera as vibrações da Natureza, por meio de práticas sustentáveis e aceitáveis. Ora, o homem é natureza latente. Então, não seria esse 'pertencimento ao todo', de cada um, que produz de forma "sustentável" essa união carismática, respeitando os limites e as necessidades de cada um? No meu entendimento, sim!
Desta forma, um dos abençoados vibratórios e que ganhou essa missão de transformar sua aura individual em coletiva é exatamente Mouchreck, nascido em 22 de abril de 1952. Essa força cósmica que alcançou o regente é tão forte, que mostrou uma variação dessas vibrações naturais da agronomia, para a música do canto coral, onde começou a transitar em 1969, ao se integrar ao Coral do Liceu Maranhense, sob a regência da talentosa Maestrina Edenir Guará. Em 1973, ele expandiu suas experiências musicais ao participar do Coral da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). No entanto, foi em 1977 que o regente Fernando Mouchreck inicia essa marca indelével na história da música coral maranhense ao fundar, em parceria com o Padre Marcos Passerine, o Coral São João.
São exemplos como esse que reforçam em nós, simples ouvintes-coadjuvantes, uma vontade incrível de continuarmos vivos, entrando ano e saindo ano. Por essa razão, deixo aqui, baseado na palavra de Fernando - "a música é nossa bandeira" - a certeza de que o Coral São João vai continuar emocionando platéias e conquistando, merecidamente, prêmios que refletem seu brilhantismo. Que o talento, a dedicação e a união que caracterizam o Coral São João, continuem conduzindo à novas realizações, reafirmando seu lugar de destaque na rica historiografia da música coral brasileira. Viva a música, viva o Coral São João!
Feliz 2024.
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Mhario Lincoln é presidente da Academia Poética Brasileira.
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