
Mhario Lincoln
Um livro que vem causando muita polêmica, desde seu lançamento, em 2011 e relançamento pela Globolivros, em 2019, é "Guia politicamente incorreto da história do Mundo", de Leandro Narloch, mestre em Filosofia, pela Universidade de Londres e jornalista, tendo sido editor de revistas como "Aventuras na História", "Superinteressante" e, até mesmo, da "Veja".
Vale dizer, antes de entrar no mérito, que seus livros que incluem títulos como "Guia politicamente incorreto da América Latina" e "Guia politicamente incorreto da economia brasileira" venderam mais de 1 milhão de livros.
Pois bem! nestes dois dias, dei uma passada d'olhos no "GPI da história do Mundo" e me surpreendi com algumas colocações de Narloch, especificamente sobre alguns ícones da juventude mundial, como., por exemplo, Mahatma Gandhi. Abaixo transcrevo um resumo do que escreveu o autor. É, para alguns, como eu, chocante algumas observações, já que eu estampei a imagem icônica de Gandhi em muitas camisetas que usei entre 80 e 90. Inclusive, estudei e interpretei, quando trabalhava no "Jornal Pequeno" (primeiro período de 10 anos), algumas das mais importantes mensagens gandhianas que enfatizam a paz e o amor.
Na interpretação do que li de Leandro Narloch, nesta edição (foto da capa) esse fenômeno de "amor e fé em Gandhi" pode ser atribuído a dois aspectos essenciais da sua personalidade e filosofia: o primeiro é a sua firme adesão à doutrina da não violência, que promovia a resolução de conflitos por meio de métodos não agressivos, tais como o jejum, marchas pacíficas e boicotes. A influência de Gandhi nesse aspecto reverberou globalmente, inspirando figuras notáveis como John Lennon, Martin Luther King, o Dalai Lama e até mesmo Albert Einstein, que reconheceram o valor da resistência pacífica em suas próprias lutas por justiça e igualdade. Martin Luther King, em particular, destacou a importância da contribuição de Gandhi ao afirmar que "Cristo nos deu os objetivos e Mahatma Gandhi nos deu os métodos".
O segundo aspecto marcante da personalidade de Gandhi consiste na sua dualidade como peregrino espiritual e político engajado. Enquanto liderava a busca da Índia por independência do domínio britânico, ele também defendia fervorosamente uma vida caracterizada pela pureza espiritual e simplicidade. Contudo, é importante observar uma ironia inerente a essa dualidade. A ênfase de Gandhi na não violência, por um lado, revela-se como um reconhecimento do fato de que o "Império Britânico", que mandava na Índia, na época, apesar de ser o objeto de sua resistência, era comparativamente "...mais tolerante e benevolente do que muitos outros impérios coloniais que permearam a história", escreve Narloch. Por outro lado, sua promoção da produção local de tecidos, um elemento central de sua filosofia, acabou por acarretar consequências econômicas adversas para a população indiana.
Gandhi era um fervoroso defensor da ideia de que os "(...) indivíduos deveriam adotar um estilo de vida autossuficiente, que incluía a construção de suas próprias moradias, a produção de suas próprias roupas e a busca por uma alimentação baseada em produtos cultivados por eles mesmos, evitando prazeres efêmeros como o consumo de álcool, tabaco, carne e atividades sexuais. Em essência, ele aspirava a criar uma sociedade quase monástica, na qual a abnegação alimentar fosse considerada virtuosa. Contudo, críticos como George Orwell questionaram a viabilidade e a sabedoria dessa abordagem, argumentando que a santidade levada ao extremo, preconizada por Gandhi, poderia ser prejudicial à experiência humana", escreveu Nerloch.
Adicionalmente, Gandhi advogava pelo abandono das indústrias estrangeiras em prol do resgate dos costumes tradicionais das aldeias indianas. Essa visão, embora romântica, carece de fundamentação prática, pois o progresso econômico ao longo dos séculos resultou, em grande parte, da especialização e da cooperação entre indivíduos, comunidades e nações. A escolha pela autossuficiência, como proposta por Gandhi, poderia ser considerada uma opção pela estagnação e pela pobreza, em detrimento do desenvolvimento econômico e do aumento da qualidade de vida.
É importante destacar que, quando os seguidores de Gandhi assumiram o governo da Índia em 1947, algumas dessas ideias foram implementadas, incluindo o fechamento do país ao comércio internacional, a criação de indústrias estatais para substituir importações e o aumento de impostos para proteger as empresas nacionais. "(...) em contrapartida, países como a Coreia do Sul optaram por uma abordagem oposta e alcançaram um desenvolvimento econômico notável, tornando-se uma das nações mais prósperas da Ásia. A Índia, por sua vez, deparou-se com níveis significativos de pobreza, exacerbados pelo rápido crescimento populacional e uma economia incapaz de acompanhá-lo (...)", complementa Narloch.
Em síntese, Mahatma Gandhi, figura de destaque na história mundial, é lembrado por seu compromisso com a não violência e sua busca por uma vida simples e espiritual. No entanto, muitas de suas ideias, embora inspiradoras, enfrentaram desafios práticos e críticas que questionavam sua viabilidade e eficácia. e você, o que acha? Deixa sua opinião abaixo. É importantíssimo sabê-la.
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