
QUE REI ERAM ESSES?
@Especial João Ewerton
(Exclusivo para o Facetubes)
"Diante de tanta história extraordinária, fica uma pergunta em nossas mentes: o que levou um império tão grandioso a um fracasso tão grande?" JW
Mansa Musa I, do Mali, foi um dos governantes mais famosos do Império do Mali durante o século XIV, reinando de aproximadamente 1312 a 1337. Seu reinado é marcado por realizações notáveis, incluindo a expansão territorial, a promoção do comércio e o patrocínio de instituições culturais e educacionais, expandindo significativamente as fronteiras do Império do Mali durante seu reinado, alcançando novos territórios e consolidando o controle sobre várias regiões.
No período de Mansa Musa I, o império Mali abrangeu áreas que compreendiam partes do que hoje são Mali, Senegal, Gâmbia, Guiné, Burkina Faso, Níger, Nigéria e Costa do Marfim. Contudo o que mais notificou o reinado de Mansa Musa também foi a sua famosa peregrinação à Meca, ocorrida entre os anos de 1324 e 1325.
Diante do que conhecemos hoje sobre o país Mali, nos faz questionar como se deu uma prosperidade e riqueza tamanha a ponto da passagem de Mansa Musa I pelo Egito ter alterado o PIB daquele país, quando da sua visita à Meca.
Para entender um pouco melhor a história de Mali e Mansa Musa, vamos ver como funcionava aquele reino, naquele tempo: o Império do Mali era um dos centros comerciais mais importantes da época, e sob o governo de Mansa Musa, tornou-se ainda mais rico e próspero, quando a riqueza do império estava ligada principalmente, ao comércio de ouro e sal, com o controle das rotas comerciais trans-saarianas desempenhando um papel crucial nessa prosperidade.
No período do reinado de Abubakari II, o império Mali era um grande centro de excelência. Na cidade de Timbuktu, foi fundada uma das primeiras universidades do mundo, que recebia milhares de alunos de diversas partes do mundo, em seus tempos áureos.
O controle dessas rotas de comércio de ouro trans-saarianas permitiu ao Império do Mali acumular grande riqueza ao facilitar o comércio entre a África Ocidental e o mundo muçulmano, especialmente com os mercados do norte da África e do Oriente Médio.
Essa riqueza contribuiu para o florescimento econômico do império. Contudo, o que mais colaborou para o esplendor do o Império Mali foram as suas vastas reservas de ouro, de onde vinha grande parte da riqueza desse império.
As minas de ouro mais famosas do Império do Mali eram situadas na região do Alto Níger, especialmente nas áreas ao redor do rio Bambouk e nas terras altas de Futa Djalon, que atualmente fazem parte do Mali e da Guiné, de onde saia o ouro, que era então utilizado para várias finalidades, incluindo a cunhagem de moedas, a produção de objetos de luxo e o comércio internacional.
Todavia, Mali esse período de apogeu do Império do Mali, só veio se imortalizar pela peregrinação que o seu icônico Imperador, Mansa Musa I fez à Meca em 1324-1325, durante a qual distribuiu generosas quantidades de ouro ao longo do caminho.
Essa distribuição não só refletiu a imensa riqueza acumulada pelo império através do comércio de ouro, mas também teve impactos econômicos notáveis nas regiões por onde passou, como mencionado anteriormente, o impacto econômico ocorrido no Cairo, no Egito, devido às suas doações aos pobres e demais abençoados pelas doações generosas de Mansa Musa I.
A magnitude da generosidade de Mansa Musa foi tão extraordinária que causou impacto econômico significativo nas regiões por onde andou, e, esse influxo súbito de ouro contribuiu para uma breve depreciação da moeda local e para um aumento nos preços de bens e serviços, nas cidades por onde ele passava. Esses eventos foram documentados pelo historiador Ibn Fadlallah al-Umari, árabes da época, que registraram os efeitos da visita de Mansa Musa sobre a economia local.
As ações de Mansa Musa na distribuição de riquezas consolidaram a sua reputação não apenas como um poderoso líder político, benevolente, mas também como uma figura influente no cenário econômico e cultural da África Ocidental medieval.
Os episódios narrados sobre as doações generosas de Mansa Musa I, nos leva a refletir sobre as dimensões impressionantes que poderiam ter a sua caravana, para guardar em segurança o transporte de tanta riqueza, em especial, de tanto ouro.
Vale ressaltar que, na época, o Saara era conhecido por ser um ambiente hostil e desafiador, e as caravanas enfrentavam diversas ameaças, incluindo bandos de ladrões, tribos nômades hostis além das dificuldades naturais do deserto.
Diante dessa insegurança temida pelos viajantes podemos imaginar o esquema de segurança que Mansa Musa teria montado quando da sua peregrinação à Meca, uma viagem sagrada como parte de sua fé islâmica, a qual, também serviria para reforçar as relações diplomáticas e comerciais com outras potências muçulmanas, o que implicaria em altas riquezas levadas como presente para esses governantes.
Durante essa jornada, Musa levou consigo uma grande comitiva, incluindo servos e camelos carregados com grandes quantidades de ouro, posto que, o transporte de uma caravana significativa, especialmente carregando quantidades substanciais de ouro, como a de Mansa Musa, envolver uma elaborada estratégia de segurança para proteger tanto a caravana, a sua valiosa carga e principalmente a vida do Imperador.
A partir dessa premissa, a caravana seria provavelmente acompanhada por uma forte escolta de soldados do exército do Império do Mali, armados com arcos, pois eram armas de longo alcance, além de espadas e lanças, e estariam distribuídos em setores estratégicos, principalmente, no entorno do camelo em que o rei se encontrava e daqueles carregados com ouro, além dos extremos da gigantesca caravana.
Outra medida estratégica importante foi o planejamento de uma rota para a caravana, evitando áreas perigosas conhecidas, calculando com muito perícia todos os locais onde a caravana montaria acampamentos seguros para assuas paradas, com medidas defensivas implementadas para proteger a caravana durante a noite.
O envolvimento de viajantes peritos, acostumados com o trajeto da jornada, para oferecerem Informações detalhadas sobre as condições do terreno, a presença de grupos hostis e outras ameaças seriam obtidas por meio de reconhecimento prévio, para permitir que a caravana ajustasse sua rota e preparasse estratégias específicas de segurança.
Outro aspecto importante para segurança das mercadorias foi adotar medidas de camuflagem e discrição dos utensílios de carga, uma vez que, o ouro foi distribuído em Alforjes e aljavas, feita de couro, caixas de madeira robustas, e até mesmo camuflados entre roupas e outros tecidos, carregados em cestos de vime.
Tais medidas evitavam exibir ostensivamente a riqueza transportada e minimizava qualquer sinal de sua presença a aqueles que tentassem lhe localizar sem a aquiescência do rei.
Além dessas medidas, como uma estratégia complementar, Mansa Musa I pode ter buscado estabelecer acordos diplomáticos ou alianças temporárias com tribos locais ao longo da rota. Pois, isso poderia proporcionar um nível adicional de proteção, em troca de benefícios como presentes ou comércio.
(Foto: Mansa Musa I morreu em 1337. Foram 25 anos no poder, porém, deixou legados importantes. Escolas, mesquitas, bibliotecas e museus. A mesquita de Djinguereber, por exemplo, pode ser visitada até hoje em Timbuktu, no Mali).
Outra estratégia importante era as próprias caravanas terem características defensivas como formações específicas, mantendo a presença de arqueiros em pontos cruciais, além de outras estratégias específicas para lidar com diferentes tipos de ameaças.
É importante notar que, apesar de todos esses esforços, as caravanas ainda estavam sujeitas a riscos consideráveis, e enfrentar o Saara era uma empreitada desafiadora.
A segurança de uma caravana dependia não apenas da eficácia das medidas adotadas, mas também das condições imprevisíveis do ambiente e das circunstâncias específicas encontradas durante a jornada. Os imperadores de Mali foram lendários, como o foi o antecessor do Manso Musa, o seu irmão; Abubakari II, que tinha fascínio pelas navegações, o qual é lembrado por sua suposta viagem ao continente americano no ano de 1311, segundo os escritos do historiador sírio Ibn Fadlallah al-Umari, que teria se encontrado com Abu Bakr II e publicado o relato das viagens em 1342.
O estudo de tais escritos levou o historiador malinês Gaoussou Diawara a publicar o livro “A Saga de Abubakari II, onde ele narra que o imperador teria partido em 1311 com 2000 Barcos”, saindo da costa do atual Gâmbia indo em direção às Américas.
Abubakari II, como boa parte do mundo conhecido de então, acreditava que o fim do mundo estaria do outro lado do Atlântico, e ele acreditava que poderia encontrar a outra margem, caso ele atravessasse o oceano.
Firme nesse propósito, Abubakari II, teria deixado o trono do Mali com o seu irmão, e atravessado o oceano atlântico, e chegado ao local onde hoje é o estado de Pernambuco, desembarcando na costa brasileira no ano de 1312, levando consigo, mulheres, gado e outros animais.
Segundo alguns estudiosos, o próprio nome “Pernambuco” seria uma corruptela da expressão malinesa “Boure Bambouk“, que significa “campos de ouro”.
Embora muitos não creiam nessa épica jornada pré-cabralesca, alguns estudiosos afirmam haver traços e influências da cultura do Império de Mali que foram encontrados por todo o continente quando da chegada dos portugueses, quase dois séculos depois, sendo que até hoje essas informações não tiveram provas convincentes. Contudo, é importante notar que, segundo os relatos que narram a suposta viagem de Abu-Bakr II ao continente americano, em 1311, tendo deixado o trono com o seu irmão Mansa Musa, o fato é que a data e a razão da sua morte são desconhecidas, e a data de ascensão de Mansa Musa ao trono coincide com o ano da partida de Abu-Bakr II para a américa.
Diante de tanta história extraordinária, fica uma pergunta em nossas mentes: o que levou um império tão grandioso a um fracasso tão grande?
Alguns elementos foram cruciais para tal ruina, como por exemplo: o Império do Mali enfrentou períodos de instabilidade interna, incluindo conflitos internos, disputas de sucessão e problemas administrativos. Essa instabilidade política enfraqueceu a coesão interna e a capacidade de governança eficaz.
O Mali estava sujeito a pressões externas, como incursões de tribos nômades do deserto, como os tuaregues e os grupos berberes, que buscavam controlar rotas comerciais valiosas. Além disso, o avanço do Império Songai, localizado ao leste do Mali, resultou em conflitos territoriais.
O declínio das rotas comerciais trans-saarianas também teve um impacto econômico significativo. Mudanças nas rotas comerciais, competição de outras potências comerciais e até mesmo alterações nas preferências comerciais globais podem ter prejudicado a economia do Mali.
Timbuktu, a cidade que floresceu sob o patrocínio de líderes como Mansa Musa, sofreu declínio em importância após a decadência do Império do Mali. Isso pode ter sido influenciado por uma combinação de fatores, incluindo mudanças nas rotas comerciais e competição de outros centros urbanos.
No final do século XIV e início do século XV, o Império Songai emergiu como uma potência na região e, eventualmente, conquistou partes do território do Mali.
A conquista da cidade de Timbuktu pelos songais em 1468 é frequentemente destacada como um evento significativo nesse processo de decadência do império Mali.
Mudanças nas estruturas sociais e políticas internas, assim como transformações na paisagem política africana, contribuíram para o declínio do protagonismo do Mali.
É importante notar que o declínio de grandes impérios e civilizações muitas vezes resulta de uma combinação complexa de fatores. O Mali não foi uma exceção a essa dinâmica histórica, e vários elementos desempenharam papéis interconectados no declínio do império ao longo do tempo.
De qualquer forma esses extraordinários imperadores nos deixaram lembranças importantes para fortalecer o protagonismo da África como uma ponta de lança do mundo antigo, diferentemente do que tentaram nos passar nas aulas de história de que seria um continente atrasado de povo rude e pobre.
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