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Atriz, escritora e poeta fala sobre "A linguagem teatral de OLHOS D’ÁGUA: Reescrita vivenciada nos palcos"

"Olhos D’Água é uma obra composta por 15 contos, focados principalmente em personagens afrodescendentes, em que enfatiza questões identitárias nas várias modalidades de violências do cotidiano".

26/01/2024 às 08h22 Atualizada em 28/01/2024 às 06h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
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Linda Barros e o elenco de
Linda Barros e o elenco de "Olhos D'água"

Linda Barros, escritora e atriz. Eleita Vice-presidente Regional da Academia Poética Brasileira, seccional MA.

 

Todos nós, seres humanos, temos o direito e o dever de seguir nosso caminho, mesmo que  passando por todos os percalços, independente de sexo, raça, cor, tamanho, todos temos direitos,  voz e vez, temos direito e lugar de fala, principalmente, se sabemos o que dizer, embora sabemos que vivemos em uma sociedade que, hora ou outra, tenta nos calar. Nesse sentido, a palavra, escrita ou falada, é nossa maior “arma”. Escrever é um ato impensável. Será? Escrever as vivências, talvez não.

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Escrevivência é o percurso que um autor ou autora dá às suas ideias, a seus personagens com grande abrangência de valores e mensagens. O grupo Teatro Improviso selecionou seis contos da obra Olhos D’Água (Rio de Janeiro; Pallas: Fundação da Biblioteca Nacional, 2016), de Conceição Evaristo, e levou para o palco, mesclando relatos fictícios, mas que todos se identificam com essas histórias, tornando a narrativa mais próxima da realidade.

Conceição Evaristo é romancista, contista, linguista e professora. É também uma das autoras mais aplaudidas e uma das mais expressivas da literatura brasileira contemporânea. Em suas obras vamos encontrar temáticas que tratam de temas como a desvalorização da mulher, da exploração humana, da invisibilidade de pessoas afrodescendentes, de pessoas marginalizadas, como prostitutas, mães solteiras e de pessoas que vivem em condições precárias nas ruas. A autora do romance Ponciá Vicêncio (2003) tem uma linguagem simples e agradável, que agrada a todos os públicos leitores.

É nesse submundo invisível (ou visível para quem não quer enxergar) que o diretor deu vida às personagens que contaram histórias e vivências em diferentes perspectivas, o que não custa lembrar que apesar da decisão da autora da obra em dar ênfase às mazelas de uma pequena parcela da sociedade, ressalta-se "bala perdida não escolhe raça", como disse o escritor e crítico literário José Neres.

Atrizes. "...questões identitárias como foco".

No palco, cinco atrizes – Nicolly Maciel, Mika Soeiro, Jennifer Froes, Fitcha e Vitória Candeira – se juntam, se separam e se juntam outra vez para dar vida e vivenciar fatos corriqueiros da sociedade contemporânea, uma parte da sociedade que, por muitas vezes, é mal vista (no sentido de ver e não enxergar), excluída e oprimida por sua cor, sua classe social ou sua opção de vida.

O cenário dá um tom efusivo ao espetáculo, simples, mas com riqueza de detalhes, com mensagens metaforicamente fortes e onde misturam elementos de cena que dialogam com a plateia. A sonoplastia é outro detalhe que não passou despercebido, com uma combinação e harmonia sem destoar em nenhum momento o universo dos personagens.

Olhos D’Água é uma obra composta por 15 contos, focados principalmente em personagens afrodescendentes, em que enfatiza questões identitárias nas várias modalidades de violências do cotidiano. E foi nesse universo multifacetado que foi feita uma releitura dessas vivências na linguagem teatral pelo grupo Teatro Improviso.

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Tanto a obra original de Conceição quanto o espetáculo teatral são recomendadas para que estas e futuras gerações possam conhecer e vivenciar de perto problemas tão comuns, mas muitas vezes ignorados pela  sociedade contemporânea.

 

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Professor Orlando MattosHá 2 anos Recife PEEssa história de [ver e não enxergar] lembra A INVISIBILIDADE DA CULTURA NEGRA BRASILEIRA ATRAVÉS DO DISCURSO DA “MESTIÇAGEM”, de Bruno Marcelo de Souza Costa, Paulo Jorge Martins Nunes, Piedade Lino Videira e Elivaldo Serrão Custódio. A leitura é fundamental para entender Evaristo.
DomingosHá 2 anos São Luís Essa peça é interessante porque segue a técnica do Teatro Épico de Brecht, cujo objetivo é fazer com que o público pense criticamente sobre o que está sendo apresentado, e os atores falam diretamente com a plateia usando símbolos e narrativas não-lineares ( as crônicas) para transmitir mensagens sociais e políticas.
Mariana Dantas Há 2 anos São Luís Parabéns para eddss atrizes pela montagem. É mais um alerta.
Renata da Silva de BarcelllosHá 2 anos Rio de JaneiroPuxa, espero outras apresentações para eu poder assistir. Com certeza, um belo trabalho. Quem lê, pesquisa... escreve e interpreta. Parabéns!!!
Joizacawpy Há 2 anos São Luís Que união produtiva a literatura de Conceição Evaristo e o palco, o teatro, a cena a força da interpretação aproximando ainda mais o público dessa valiosa contribuição literária dessa grande voz feminina negra que é Conceição Evaristo. Parabéns Linda pelo texto e pelo feito.
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