
Texto do convidado Luicci Ruérez, sociólogo, filósofo e historiador cubano. (Copywriter - autorizada - do livro ainda inédito no Brasil: "As Philosophy becomes Poetry").
Tradução livre da equipe de redação do www.facetubes.com.br
No âmbito do estudo da religião, é interessante observar como as palavras de dois estudiosos religiosos se relacionam com o tema das "mulheres no inferno". Essa questão nos leva a refletir sobre a importância da solidariedade entre mulheres e suas implicações na esfera espiritual.
A frase frequentemente citada de Madeleine Albright, "Existe um lugar especial no inferno para as mulheres que não ajudam outras mulheres", ressoa com uma poderosa mensagem sobre solidariedade feminina. No entanto, é importante contextualizar essa ideia no âmbito da psicologia comportamental e social.
Karla Severanti, em uma de suas atividades como "coach", em uma de suas inúmeras palestras pelos Estados Unidos, disse certa vez, "....desde passamos a ocupar um lugar de liderança, começamos a olhar com desconfiança para as outras mulheres.
Todas as atitudes que tem, no dia a dia, excluem nossas suas colegas. Agimos como se as outras fossem transparentes. Sempre a ignorar e a excluir as suas iguais. Nas reuniões critica fortemente as propostas e argumentos apresentados por elas, enquanto acolhe com toda a recetividade as ideias vindas dos homens. Alguém explica o porquê?"
Ao longo da história há muitos exemplos. Margaret Thatcher é um deles. Liderava sempre governos em que todos os lugares de ministros eram ocupados por homens. Ou melhor, em 11 anos de poder, teve apenas três mulheres no seu executivo. Com a dama de ferro, as mulheres eram mantidas à distância ou em lugares de subordinadas.
Claro que nada é assim tão simples. Na sua obra sobre "A dominação masculina", Pierre Bourdieu defende que a violência de género se expressa e se reproduz culturalmente através de comportamentos irrefletidos, aprendidos histórica e socialmente. Bourdieu considera que a dominação masculina é aprendida pelo homem e absorvida pela mulher inconscientemente. Ou seja, na explicação deste autor, tudo se passa ao nível do inconsciente, que passa a ser incorporado e reproduzido sob a forma de não dito. É tempo de começarmos a abrir os olhos e a denunciar tais mulheres misóginas e prepotentes que nada fazem para contribuir para a igualdade de género.
Vale citar, também, Dante Alighieri, em sua "Divina Comédia", na qual oferece uma visão intrigante. No inferno descrito por Dante, as almas são punidas de acordo com seus pecados terrenos. Nesse contexto, as mulheres que prejudicam outras mulheres podem ser vistas como perpetuando um ciclo de desconfiança e exclusão. Elas podem ser simbolizadas nas profundezas do inferno, onde enfrentam as consequências de suas ações que prejudicam a sororidade e a igualdade de gênero.
É crucial reconhecer que a questão das mulheres que não ajudam outras mulheres é complexa e multifacetada, e nem todas as situações se encaixam em estereótipos negativos. No entanto, como sugere Bourdieu, é essencial que as mulheres e a sociedade em geral estejam atentas a esses comportamentos prejudiciais e trabalhem para desafiá-los. Em última análise, a solidariedade e o apoio entre as mulheres são fundamentais para avançar em direção à igualdade de gênero e criar um mundo mais inclusivo para todas.
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