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A Quarta-Feira de Cinzas é penitência - por arrependimento - ou celebração?

Para muitos católicos praticantes, a Quarta-Feira de Cinzas é uma celebração rica em significado e necessária para a preparação rumo à Páscoa, 40 dias mais tarde.

14/02/2024 09h54 Atualizada há 3 anos atrás
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln c/Pesquisas.
Arte: MHL
Arte: MHL


*Mhario Lincoln c/pesquisas.


Tradicionalmente, a Quarta-Feira de Cinzas marca o término dos dias festivos e o início de um período de recolhimento, como se fosse uma fronteira simbólica entre a celebração carnavalesca e a jornada de penitência conhecida como Quaresma. Para os católicos praticantes, esta data é rica em significado, pois assinala o caminho em direção à Páscoa, que ocorre 40 dias depois.

 

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Durante as missas, há um momento em que o padre e seus ministros colocam cinzas sobre os fiéis, lembrando-os da necessidade de conversão e da efemeridade da vida. O sacerdote pode escolher entre duas frases significativas: "Convertei-vos e crede no Evangelho", um apelo à mudança de vida em direção a Deus, e "Das cinzas vieste, às cinzas retornarás", que nos recorda da brevidade da vida terrena.

 

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A HISTÓRIA

A Quarta-Feira de Cinzas remonta aos séculos 3º e 4º, quando os cristãos, como expressão de devoção, impunham sobre si mesmos cinzas como sinal de penitência pública, preparando-se para a Quaresma. Essa prática se originou nas comunidades cristãs primitivas como parte da preparação para a Páscoa e foi oficializada na liturgia pelo Papa Gregório Magno no século 7º.

 

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As cinzas carregam consigo simbolismos importantes. Elas nos lembram da fragilidade da vida humana diante da grandiosidade divina, como mencionado no Antigo Testamento. Além disso, representam o convite à penitência e ao arrependimento, uma reflexão que se inicia com a Quaresma, seguindo o exemplo de Cristo nos Evangelhos.

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REFERÊNCIAS BÍBLICAS

Referências bíblicas, desde o Antigo até o Novo Testamento, associam-se ao uso das cinzas como símbolo de humildade, arrependimento e busca espiritual. Essa tradição não se restringe apenas à Igreja Católica, mas também é reconhecida por outras denominações cristãs que valorizam o período da Quaresma.

 

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As cinzas utilizadas na Quarta-Feira de Cinzas são obtidas tradicionalmente a partir da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, simbolizando o ciclo contínuo da vida e da liturgia cristã. Esse gesto não é marcado por tristeza, mas sim por penitência e conversão.

 

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Embora não seja uma prática adotada por todas as denominações cristãs, a Quarta-Feira de Cinzas é reconhecida como um momento de reflexão, arrependimento e renovação espiritual, convidando os fiéis a dedicarem-se mais à palavra de Deus e a reconhecerem a presença de Cristo em suas vidas.

 

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No livro do Gênesis, o primeiro do Antigo Testamento, há a reprodução de um diálogo que Deus teria tido com Adão explicando a ele como seria a vida fora do Éden. “No suor do teu rosto comerás o pão, até voltares ao solo, pois dele foste tirado. Sim, és pó e ao pó voltarás”, diz o versículo. Mais adiante, no mesmo livro, há uma passagem em que Abraão afirma “vou ousar falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza”.

 

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Já no livro de Jó, um versículo orienta “repetis à exaustão máximas de cinza, torres de argila são vossas defesas”. No segundo livro de Samuel, diz-se que “Tamar tomou cinza e derramou sobre a cabeça, rasgou sua túnica de princesa, pôs as mãos na cabeça e afastou-se gritando”. “Ele se agarra à cinza, seu coração enganado o desvia: ele não se verá libertado”, lê-se em Isaías.

 

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“E também como sinal de arrependimento, em Jonas, "...o povo cobre a cabeça de cinzas em sinal de arrependimento e penitência”. […]. "Ele se levantou do trono, tirou o manto real, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza”, diz o trecho bíblico.

 

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No livro dos Números, está escrito que “para este homem impuro, tomar-se à cinza do brasileiro do sacrifício pelo pecado”. No Novo Testamento, há relatos que associam passagens de Jesus à simbologia das cinzas. Quando ele lamenta sobre as cidades da Galileia que não se renderam à sua palavra, diz que “cobertas de saco e cinza, elas se teriam convertido”, segundo narração do Evangelho de Mateus.

 

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Na carta aos Hebreus, diz-se que “a cinza de novilha esparzida sobre os seres maculados os santificam, purificando-lhe os corpos”. Na verdade, 'cinzas' é uma simbologia período que o cristão deve fazer ao autoexame, uma autorreflexão, buscando uma renovação espiritual.

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Wellington Reis Há 3 anos atrásSÃo LuÍs-MaHoje - como penitência - devo procurar as cinzas do ramo incinerado, que secou preso à porta de entrada do meu cafofo. Mas já estou arrependido por ter colocado o santo e bendito pó num vidrinho de Memorex, que não sei adonde guardei. São Longuinho diga aí!
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