
Mhario Lincoln*
Antes de escrever qualquer coisa, confesso que essa obra, Susana Pinheiro, mexeu muito comigo. Uma obra-prima, sem dúvida, especialmente por essa paleta de cores, a perfeição dos desenhos, que tornou a tela quase viva. Todavia, algo me tocou mais profundamente. E é sobre isso que tentei escrever o texto abaixo.
Ao ver a nova aquarela (acima) da artista visual Susana Pinheiro, logo me veio à cabeça que nem só 'visual' é o seu dom. É mais que isso. É sensorial também. Vejam, caros leitores, a riqueza de detalhes extraordinários que foram incluídas nessa cena, desde a singeleza das cores desta aquarela retratando uma janela colonial com azulejos portugueses, até mesmo, uma possível história por trás dessa bela obra de arte.
Por isso, fui imediatamente transportado para um universo onde o passado se entrelaça com o presente, onde cada azulejo conta uma história, e cada fresta da janela parece sussurrar segredos ancestrais. Aí me veio o grande Caio Fernando Abreu e escreve: "....que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você".
Essa janela, também me fez lembrar de você, naquele domingo, quando pintava uma obra gigante, em uma das salas da Fundação da Memória Republicana. A partir dalí tive a certeza de sua ascensão rápida na área das, então, artes plástica brasileiras.
Tantas lembranças, amiga, mostram que sua aquarela é muito mais do que um desenho colorido, pois, essa janela, de acordo com o que sei de você, é, sobretudo, uma abertura para o mundo, para novas possibilidades e para o despertar para muitas vitorias, que virão pela frente.
Então, abrir essa janela é um ato carregado de significados. É como se, ao movimentarmos suas folhas de madeira, estivéssemos também abrindo nosso coração para o outro, para tudo aquilo que está além dos limites do nosso ser. Essa ação representa a disposição para o encontro, para a troca, para a experiência do novo. É um convite para deixar que a luz do sol invada nosso interior, dissipando as sombras que porventura ali residam.
Eu também senti saudades de minha terra natal: a velha e tradicional São Luís do Maranhão. São as saudades que habitam no derredor da Ilha, como o atlântico. Muito a ver com aquelas que moldaram minha existência, época em que lá morava. Como nos ensina o filósofo Martin Buber, austríaco e naturalizado israelense, em sua obra "Eu e Tu": (...)... ao abrir a janela, estamos convidando o mundo a entrar, estamos nos abrindo para o diálogo, para a empatia, para a construção de pontes que nos unem uns aos outros".
Portanto minha grande amiga Susana Pinheiro, meu respeito, minha amizade, meu carinho e meu reconhecimento por sua obra, são partes essenciais dessa aquarela, que, para mim, afora nossa amizade, transcende a beleza estética e se transforma em um símbolo profundo de abertura, de sensibilidade, de conexão. Parabéns. Essa obra merece lugar de destaque neste Planeta de cores.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
VÍDEO-BÔNUS
Sobre a obra: por SUSANA PINHEIRO
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