
NR - Mais uma vez o imortal APB (vice-presidente regional entre 2020 a 2024), professor e poeta premiado Paulo Rodrigues, direto do município maranhense de Santa Inês, nos envia interessante entrevista. Desta feita com o poeta Luís Henrique, em cuja primeira pergunta ele responde de forma incisiva quando cita algo muito perto da linha do pensamento do filósofo francês Michel Onfray, fundador da Universidade Popular de Caen, que defende uma filosofia hedonista e libertária, baseada no prazer e na criatividade. Ele escreveu: “A arte é a única forma de resistir à morte”. Sim, a arte é a expressão da nossa liberdade diante das limitações impostas pela vida. Através dela, se pode transcender circunstâncias e criar novas possibilidades de sentido e beleza. "Então, creio que não apenas e tão somente a poesia, mas a arte como um todo é sim um grande fator de liberdade e crescimento", diz ele, na conversa, abaixo:
ENTREVISTA – POETA LUÍS HENRIQUE
"Sonhos sem luta são apenas sonhos." (Luís Henrique).
1. Paulo Rodrigues – Poeta Luís Henrique, Ricardo Aleixo afirmou: “Poesia é liberdade”. É isso mesmo?
Luís Henrique – O poeta, músico, produtor cultural... prêmios Oceanos e Jabuti de poesia, Ricardo Aleixo, sabe o que diz e tem todo o meu respeito. Nessa confluência de opiniões o poeta e artista plástico de Santa Inês: Carlos Alberto Sousa Costa, diz: “No que a vida me limita a arte me liberta”. Eu do meu lado encontro na poesia a dose exata para um abrir de asas para vôo longo onde fazer refletir é o objetivo para trilhar e mostrar os caminhos que levam a liberdade, ou como diria o eterno L. A. Sampaio, é fruir a condição ímpar de ser poeta. Então, creio que não apenas e tão somente a poesia, mas a arte como um todo é sim um grande fator de liberdade e crescimento.
2. PR – Luís, quais sãos os seus poetas preferidos na literatura brasileira? Como eles influenciam sua escrita?
LH – A carioca de Rio Comprido, Cecília Benevides de Carvalho Meireles, desde que me foi apresentada a sua obra pela professora Marcelina Nóia Alves, em 1976 quando eu contava com 10 anos de idade é a minha favorita. Seguida de Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Augusto dos Anjos... a lista é grande. Mas, na caminhada vão surgindo novos amores e novas influências, por isso eu pretendo estar atento aos novos nomes que vêm surgindo sem perder de vista os autores que me influenciaram e influenciam de forma muito positiva na construção do poeta Luís Henrique que se encantou, se encanta e sempre se encantará com a beleza que há na poesia.
3. PR – Quais autores você destacaria no cenário maranhense? E no Vale do Pindaré?
LH – No cenário maranhense os nomes que dispensam apresentações são: Nauro Machado, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, esses são os clássicos. Mas, para nossa alegria estão surgindo novos e talentosos nomes e com boa receptividade por parte do público, tanto que o Maranhão está na contramão do país no quesito venda de livros e isso é muito bom. No Vale do Pindaré a lista é extensa. Além dos poetas que integram o coletivo vozes do Vale: - Anna Liz, Luiza Cantanhede, Paulo Rodrigues, Carlos Vinhort, Evilásio Júnior e Luís Henrique, temos gente de peso surgindo e que ainda ouviremos falar muito a respeito dessa nova safra e, consequentemente, da riqueza cultural que reside no Vale do Pindaré.
4. PR - Quando você descobriu a presença da poesia na sua vida?
LH – 1976, Escola Estado de Pernambuco, pelas mãos da professora Marcelina Nóia Alves que me apresentou parte da obra de Cecília Meireles. Professora Marcelina já deixou este plano espiritual e eu carrego por ela minha eterna gratidão. Cecília tem razão quando diz que “o instante existe” e é só isso que temos e que nos pode ser tirado a qualquer momento. Naquela tarde de março daquele ano, quando eu, influenciado pela professora, li para a turma MOTIVO, dali nasceram milhões de motivos para que eu me fizesse poeta, apesar de já desconfiar naquela época que “ser poeta é duro e dura e consume toda uma existência”, segundo outro poeta de quem sou admirador: Nauro Machado.
5. PR –Qual é a expectativa em relação ao trabalho do coletivo Vozes do Vale? O QUE NÃO CALOU DENTRO DE NÓS é uma antologia que vai marcar a história literária do Maranhão Central?
LH – A obra O QUE NÃO CALOU DENTRO DE NÓS é um sonho a seis. Fico imaginando uma pessoa sonhando sozinha em atingir um objetivo e cotidianamente batalhando por ele, sem a menor sombra de dúvida ela vai atingir seu propósito. Agora, imagine um sonho trabalhado por seis pessoas talentosas, competentes, comprometidas com a poesia e em levar a luz que há na poesia para todos os lugares possíveis no afã de tornar a vida mais leve, mesmo que a poesia de alguns dos autores traga toda a crueza da realidade da vida. A minha expectativa é a melhor possível. Esta obra nasceu predestinada a abrir novos horizontes e mostrar para quem vem depois que não existem sonhos impossíveis.
6. PR – Deixe uma mensagem para os nossos leitores
LH - Sonhos sem luta são apenas sonhos.
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