Objetivos primordiais da educação e formação
Texto sugerido pelo professor Leopoldo Vaz, membro da Academia Poética Brasileira:
Autor convidado: *Jorge Bento/Portugal
No livro ‘21 Lições para o Século XXI’, Yuval Noah Harari discorre acerca dos objetivos da educação e formação para esta nossa era, prenhe de informações e desinformações, de falsificações e manipulações, de mudanças e incertezas. A laboração é uma achega para deitar fora a cangalhada putrefacta do paradigma produtivista da ‘competitividade’, dos ‘rankings’ e do ‘sucesso’, que asfixia o ensino fundamental e superior e inibe a respiração da beleza da existência e transcendência. Urge acabar com os remendos em pano gasto, começar de novo e que as crianças, os adolescentes e jovens aprendam a:
Distinguir a ‘verdade’ da crença, a entender que as culturas, religiões, ideologias e a ciência são ‘ficções’ criadas pelos animais ‘ficcionais’ ditos humanos, visando interpretar a origem do universo, orientar a vida e preencher o seu sentido, inspirar e regular o funcionamento da sociedade;
Desenvolver a ‘compaixão’ no tocante aos seres sencientes da Terra;
Valorizar a ‘sabedoria’ e ‘experiência’ dos distintos habitantes do planeta;
Comprometer-se com a ‘equidade’, com o bem da Comunidade e Humanidade;
Cultivar o ‘espírito crítico’, a ‘liberdade de pensar’ e ‘ser cético’, de argumentar e questionar o senso comum e as verdades feitas, de formular perguntas difíceis, sem temer a discordância, as reações hostis e a bruma do desconhecido;
Praticar a ‘coragem’ de abandonar preconceitos, reconhecer os erros, admitir a ignorância e mudar de opinião;
Assumir a ‘responsabilidade’ pelos atos pessoais e pelo Mundo como um todo.
Na ementa sobressai a preocupação de reverter a crise da ética e da vontade, mãe de todas as crises e dos problemas que trazem no ventre. A pandemia, em voga, comprova o quanto tais objetivos são axiais na missão da escola e da universidade. Preferirão estas e os seus atores a bafienta prisão no passado à desafiante invenção do futuro?!
(*) Jorge Bento, é sócio correspondente da Academia Ludovicense de Letras e professor da Universidade do Porto. Formou-se na Ernst-Moritz-Arndt-Universität zu Greifswald e mora no Porto. Nasceu em Bragada, Braganca, Portugal.
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