
Joizacawpy Costa: Como surgiu a ideia de transformar clássicos da literatura maranhense em quadrinhos?
Iramir Araújo: Desde que comecei a ler histórias em quadrinhos, tomei contato com vários gêneros, dentre eles, a versão em quadrinhos de clássicos da literatura universal. Quando comecei a focar minha produção em temas maranhenses, como a Balaiada ou a fundação de São Luís, foi, de certa forma, natural que eu escolhesse obras da literatura maranhenses para adaptar, já que há adaptações de outras obras brasileiras e universais para os quadrinhos.
JC: Como acontece o processo de criação?
IA: Depende muito de que tipo de trabalho pretendo fazer: se vou fazer um quadrinho histórico, por exemplo, tenho que pesquisar sobre o tema e me cercar do máximo de referências possíveis; se vou fazer uma adaptação de obra literária, - como “O mulato” do Aluísio Azevedo, ou “Úrsula” da Maria Firmina dos Reis, ou mesmo a que estou trabalhando atualmente, “Os tambores de São Luís”, de Josué Montello, - o primeiro passo é ler a obra, não como um leitor que o faz por puro prazer (embora sempre haja prazer envolvido), mas visualizando como ela ficará na linguagem gráfica, quais cenas são mais interessantes e quais podem ser retiradas sem prejuízo; ainda, se pretendo trabalhar o imaginário, como “Além das lendas” dou-me a liberdade de ficcionalizar, buscando capturar o interesse do leitor. De todo modo, qualquer que seja o trabalho, todos envolvem muita pesquisa.
JC-Qual o alcance dos quadrinhos entre os jovens maranhenses?
IA: O público jovem maranhense ainda lê muito quadrinho, mesmo após a quase extinção das bancas de revistas, há grande procura nas livrarias onde o produto é oferecido. E no caso dos quadrinhos que produzo, a aceitação tem sido muito boa, principalmente nas escolas que os adotam como material paradidático.
JC - Como você avalia a inserção dos quadrinhos na literatura com ênfase em clássicos?
IA: Eu avalio como uma forma de ter contato com obras clássicas que, de outra forma, talvez, não se sentissem estimulados a fazê-lo. Em outras palavras penso que é mais uma porta de entrada para os clássicos.
JC - Quantos títulos em quadrinhos já foram publicados?
IA - Antes de me concentrar em obras de cunho histórico e literário, já havia produzido quadrinhos de ficção policial e infantil. Dessa nova fase já publiquei “Balaiada-a guerra do Maranhão”, como desenhos de beto Nicácio e Ronilson Freire, “Ajurujuba-a fundação da cidade de São Luís” com desenhos de Ronilson Freire, a adaptação do romance “O mulato”, também com desenhos de Ronilson Freire, a adaptação de “Úrsula’, com Rom Freire e Ronilson Freire e “Além das lendas”, em que conto cinco lendas maranhenses, cada uma desenhada por um artista diferente.
JC: Qual o próximo projeto em quadrinhos?
IA - Estou trabalhando na adaptação de “Os tambores de São Luís”, de Josué Montello, que pretendo lançar no fim do ano.
Considero importante salientar que além de contar com a parceria de excelentes artistas na consecução desses trabalhos, também conto com o apoio, via Lei de Incentivo à Cultura, tanto estadual quanto federal, da Equatorial Energia, que utilizando dos mecanismos de renúncia fiscal, tem valorizado a cultura maranhense. No meu caso, patrocinando “O mulato”, “Úrsula” e a obra que estou trabalhando agora.
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