
A riqueza das mulheres poetas transcende o mero aspecto construtivo da lírica. Residea, antes de tudo, na capacidade de expressar emoções, experiências e verdades profundas por meio das palavras. A sensibilidade das mulheres poetas mostra força que lhes permite mergulhar nas complexidades da vida, explorando temas como amor, identidade, luta e esperança.
Neste século XXI, Gloria Jean Watkins, mais conhecida pelo pseudônimo bell hooks, por exemplo, uma das maiores pensadoras do feminismo, destacou a importância da mulher poeta, através de uma vasta produção literária, com mais de 30 obras que exploram a intersecção de raça, política e gênero, reordenando o universo das mulheres de cor, oferecendo as palavras e teorias certas para entender quem somos em uma sociedade muitas vezes hostil e alienante.
Além disso, no cenário brasileiro, há poetas que merecem destaque. Cecília Meireles, por exemplo, em seu poema “Retrato”, traça um análise marcada pela solidão, tristeza e melancolia. Sua linguagem simples e marcada pela oralidade revela a transitoriedade da vida e a busca por respostas sobre o passado. Aliás, e as mulheres-poetas maranhenses? O poeta Paulo Rodrigues, APB?MA, neste 8 de Março, decidiu escolher algumas poetas para mostrar a punjança lírica delas e o Facetubes, então, reservou um espaço especial para publicá-las. Então, por inidcação de Paulo Rorigues, Ei-las:
TRAJETÓRIA 'S
Não sei se sou aldeia
Ou aldeã
Não sei para aonde
Meus sonhos fugiram
A galope
Só sei que renunciei
À dadivosa mulher
Que vivia cantarolando
Em meu peito
Prefiro esta
Que se despe
À contraluz
Que bebe do respiro
Uma exígua dose
De existência
Luiza Cantanhêde, poeta, ensaísta, venceu o Prêmio Off Flip Nordeste 2023.
CANTOS À BEIRA- MAR
À Maria Firmina dos Reis
Dilercy Adler
Teus Cantos à beira-mar
afogam com veemência
as dores
os dissabores
que maculam toda a existência
daqueles que apenas sonham
com a igualdade e coerência
em um mundo de fato melhor!...
ah! os teus Cantos à beira-mar
levam todo e qualquer anseio
que a brisa vinda do mar
litoraneamente embala
e acalenta em seu seio...
e os teus poemas me dizem:
cuida!
entoa hinos em banzeiros
que a vida lenta a passar
se apressa como um agouro
bem-vindo de augúrio sem par
que existe quando se pensa
que nada mais vale a pena...
a pena de festejar!...
resiste!...
afoga as tuas mágoas
nas crivas e cavas mais altas
das longínquas vagas do mar!...
e se ainda puderes
sonha poemas e louva comigo
mistérios e amores contidos
e canta-os todos
à beira-mar!…
Dilercy Adler, psicóloga, escritora, ativista cultural, doutora em Ciências Pedagógicas, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, membro efetivo e fundadora da Academia Ludovicense de Letras, Diretora Cultural da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil/ Coordenadoria Maranhão.
BUQUÊ DE LUZ
Ah! Noites
Iluminadas
contidas no
buquê dourado
Muitas de nós
Conversam com a
lua no giro a sóis
Mas seguimos e
o peito pulsa
repleto de
girassóis.
Mulheres reflexo de luz
o iluminar da sua multiplicidade,
seduz.
Revisita a
mulher que vive em si
e prossiga
conjugando
o verbo resistir para,
existir.
Sharlene Serra, escritora maranhense, autora da Coleção Incluir, membro da Academia Poética Brasileira, Vice-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria Maranhão.
Essa mulher
E essa mulher que sente
Que ri, chora, esquece
Perdoa, se doa
Que dança, balança
Torce cabelo, faz dieta
Esquece dieta
Que inventa, tenta, lamenta
Que vive, se cuida
Cuida de toda gente
Cai, levanta
Levanta a mulher, a criança
O adulto
Trabalha, batalha
E tomba com frequência
Pela mesma mão
Que afagou, confiou e AMOU...
Heloisa Sousa, escritora maranhense, romancista, autora do Romance "Laura", artista plástica, professora da Rede Estadual de Ensino e da Rede Municipal de São Luís. Secretária Executiva da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria Maranhão.
ELOCUÇÃO
Enquanto o mundo grita
Eu aprendo a dizer
Certas coisas dever ser ditas,
não gritadas
Durante muito tempo,
fui silêncio
Mas aprendi a dizer
sem gritar
O grito queima e
anuncia a miséria.
É com a palavra dita
que se fere a carne.
Anna Liz, professora, poeta, cronista, escritora, pesquisadora, mestranda em Língua Portuguesa, autora de oito livros, organizadora de duas antologias com textos produzidos por mulheres. Mãe do Nicholas.
Do fogo que em mim arde
Sim, eu trago o fogo,
o outro,
não aquele que te apraz.
Ele queima sim,
é chama voraz
que derrete o bivo de teu pincel
incendiando até ás cinzas
O desejo-desenho que fazes de mim.
Sim, eu trago o fogo,
o outro,
aquele que me faz,
e que molda a dura pena
de minha escrita.
é este o fogo,
o meu, o que me arde
e cunha a minha face
na letra desenho
do auto-retrato meu.
Conceição Evaristo, poeta, contista, romancista, venceu o Prêmio Jabuti em 2015.
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