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Novo texto de Mhario Lincoln: "Uma possível ficção, que dói como realidade!"

Uma crônica ficcional, com realidades tão atuais, que dói na gente.

05/04/2024 às 09h11 Atualizada em 05/04/2024 às 16h13
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln
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Arte ficcional criada através de 'prompt' do MHL
Arte ficcional criada através de 'prompt' do MHL

 

*Mhario Lincoln

 

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Em um cenário hipotético, envolto em mistérios e teorias da conspiração, circula a ideia de que o fechamento de livrarias importantes no Brasil é parte de um plano elaborado por uma "Ordem Humanizantes-Internacional". Essa entidade enigmática, cujos objetivos são nebulosos, estaria interessada em manter a população em um estado de ignorância e falta de sabedoria, controlando assim o acesso à educação e à leitura. Para executar tal plano, a mira se volta para a literatura infanto-juvenil, onde livros de rápida leitura são elaborados com teses controversas que desafiam o entendimento contemporâneo.

Essas obras juvenis promovem reflexões rápidas e digestivas, muitos dos quais abordam temas que desafiam termos sociofamiliares estabelecidas. Esses, são produzidos em massa, visando apagar, em definitivo, todo e quaisquer conhecimentos anteriores e estimular o pensamento anticrítico da "Ordem Humanizantes-Internacional" nas novas gerações para distrair, confundir e, em última análise, conduzir a juventude por um caminho de conformismo intelectual.

Essa entidade internacional invisível, composta por membros influentes de diversas esferas sociais, políticas e econômicas, teria um plano audacioso: manter a população na ignorância, limitando seu acesso à educação e à leitura crítica. O propósito? Moldar cidadãos menos questionadores. Nas pesquisas realizadas por alguns estudiosos no assunto, em total segredo, mostram resultados desastrosos em alguns países, como Lúmen (com 23 mil habitantes), Kabó (com 134 mil habitantes) e Amplicate (esse, o maior, com quase 1 milhão de habitantes). Nesses países, foram realizadas as primeiras experiências, chamadas de "ignorantia juris" e já demonstram, 15 anos depois, que apenas alguns dos líderes espirituais, políticos e financeiro dessas Nações, ligados a essa entidade invisível,  continuam com níveis de absorção cultural entre 45 a 52%, enquanto a maioria da população decresceu para índices alarmantes de, até 2%, diminuindo consideravelmente a autovontade de alçar grandes voos profissionais.

Isso prova que o "modus operandi" dessa "Ordem Humanizantes-Internacional" seria multifacetado. Além de influenciar editoras e autores a produzir conteúdo alinhado com seus objetivos, há rumores de que também exercem pressão econômica sobre livrarias, levando muitas à falência. Paralelamente, o estímulo ao consumo de conteúdo digital superficial, que pouco desafia o intelecto, faz parte da estratégia de desvalorização do livro físico e da leitura profunda.

Uma pessoa ouvida por mim, às escondidas, fugida do país Amplicate, me revelou:

"Mhario, é exatamente por essa razão que as redes sociais são levadas a postar mensagens cada vez mais fluidas, "faketadas", ratificando o que Zygmunt Bauman, falava sobre "informações líquidas". Ele estava se referindo à natureza transitória e efêmera da informação na era digital, refletindo a instabilidade e a incerteza da sociedade contemporânea".

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“Mutatis Mutandis”, historicamente, sem rede social, a ação dos primórdios dessa tal ordem invisível, era mais direta, ou seja, se queimava livros para a supressão de conhecimento. Desde a destruição da Biblioteca de Alexandria até os mais recentes ataques culturais, a história está repleta de tentativas de controlar sociedades pela limitação do acesso ao conhecimento. A ação dessa fatídica entidade no Brasil seria, portanto, um capítulo contemporâneo dessa longa narrativa de censura e manipulação.

No entanto, frente a essa obscura trama, emergiu um grande grupo de resistência chamado de "Reconstatinopla", que acolheu ativistas intelectuais e amantes dos livros. Eles buscam formas de contrapor o avanço dessa agenda de desinformação. E como esses ativistas do bem não conseguem ter acessos total às redes sociais, porque terceiros sempre "o cancelam", às caladas da noite, nos porões das igrejas abandonadas, promovem fóruns de discussão e pequenos encontros. Desta forma, esses defensores da literatura e do conhecimento compartilham estratégias para reavivar o interesse pela leitura crítica e investigativa.

Nesses encontros furtivos, há sempre a busca por uma solução real como, por exemplo, a revalorização da educação e do conhecimento crítico como pilares da sociedade. Pelos subterrâneos, esse grupo criou redes colaborativas de distribuição de livros, que funcionam tanto digitalmente quanto fisicamente, através de bibliotecas comunitárias e pontos de troca de livros.

Essas iniciativas visam não apenas facilitar o acesso à leitura, mas também promover a diversidade de pensamento e a discussão crítica sobre os temas abordados nas obras. Além disso, tenta captar algumas autoridades insatisfeitas (do outro lado) para fortalecer as políticas comunitárias, voltadas para a cultura e a educação. Alguns membros já doaram, inclusive, suas casas de moradia para a implantação de bibliotecas, com livros cedidos (antes escondidos) por parte da população amedrontada com o futuro.

A pessoa com quem conversei à respeito (citada acima), e que fugiu do seu país (Amplicate), me mostrou a página amarelada de livro raríssimo de Rui Barbosa, onde está escrito:

"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo."

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E diz o amigo: "(...) essa frase, Mhario, ressalta a importância da leitura para o desenvolvimento intelectual, comparando-a com a necessidade de exercício físico para a saúde do corpo. Rui Barbosa valorizava profundamente a educação e o conhecimento como pilares para o desenvolvimento individual e social. Ele acreditava que os livros eram instrumentos essenciais para a formação de cidadãos conscientes e participativos, capazes de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática".

Mesmo entendo esta minha crônica como um cenário fictício, todos sabemos que chave para superar quaisquer crises, seja cultural ou educacional imposta por quem quer que seja, não reside apenas em iniciativas isoladas, mas na união de esforços coletivos.

Que todos acreditem que somente através da colaboração entre cidadãos, educadores, autores e instituições literárias (aí entra a importância de outra conscientização das Academias; que não só egóicas e comerciais) é possível reconstruir o tecido cultural do país, como a reabertura de livrarias, a revitalização das bibliotecas e a democratização do acesso ao conhecimento para qualquer pessoa. Esses, são passos fundamentais para despertar uma nova era de iluminação, onde a sabedoria e a cultura são verdadeiramente livres e acessíveis a todos.

 

*Mhario Lincoln (MHL) é presidente da Academia Poética Brasileira e editor-sênior da Plataforma do Facetubes (www.facetubes.com.br).

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JaimeHá 2 anos Brasília/DFFaltam palavras para essa publicação. Só podemos agradecer, valorizar, e desejar que dessa verve, brotem mais preciosidades, como essa magnífica acima. Aplausos de pé!!!
Cássia VieiraHá 2 anos Campinas Parabéns ????????????sabias palavra para uma maior reflexão em lutarmos por mais literaturas em nossas vidas e que sejam acessíveis a toda população.
Joizacawpy Há 2 anos São luís Uma ficção carregada de possibilidades reais...
Joizacawpy Há 2 anos São luís Vivemos sim tempos de mensagens rápidas e fluidas que geralmente se configuram nas redes tecnológicas, em contra partida, percebo um grupo muito coeso que luta pela permanência da literatura de qualidade, que promovem oportunidades para a difusão da leitura e para a conquista de novos leitores. Tenho analisado os últimos anos e a produção literária está a todo vapor, a tecnologia deve ser mais um instrumento de engajamento literário, não o contrário. Ainda acredito na força da literatura.
Raimundo FonteneleHá 2 anos Barra do Corda Maranhão O mundo calçou botas com os calcanhares pra frente e assim caminha rumo à biblioteca e seus livros proibidos de O Nome da Rosa. É trágico o nosso destino, mas só consigo rir.
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